{"id":614,"date":"2016-03-18T00:28:19","date_gmt":"2016-03-18T03:28:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=614"},"modified":"2016-03-18T00:28:19","modified_gmt":"2016-03-18T03:28:19","slug":"porta-dos-fundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/porta-dos-fundos\/","title":{"rendered":"PORTA DOS FUNDOS"},"content":{"rendered":"<p>O governo acredita que o poder da caneta far\u00e1 grande diferen\u00e7a na guerra contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. E usar\u00e1 o caso do deputado Mauro Lopes, do PMDB de Minas Gerais, que descumpriu a determina\u00e7\u00e3o do partido e assumiu o comando da Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil, como exemplo para seduzir a base aliada e garantir os 171 votos necess\u00e1rios para enterrar o processo de impedimento na C\u00e2mara dos Deputados. A caneta presidencial n\u00e3o ter\u00e1 poder, por\u00e9m, para calar a voz das ruas, essa, sim, com for\u00e7a suficiente para determinar o destino de governantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Admita, ou n\u00e3o, o Pal\u00e1cio do Planalto, as ruas est\u00e3o clamando por mudan\u00e7as. As manifesta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas indicam que a situa\u00e7\u00e3o chegou ao limite, e n\u00e3o h\u00e1 mais sustenta\u00e7\u00e3o para Dilma se manter no cargo. Nem mesmo quando Fernando Collor de Mello foi apeado do poder por corrup\u00e7\u00e3o, em 1992, se viu tanta gente cobrando o fim de um governo. Apesar de estarmos no Brasil, onde a for\u00e7a do dinheiro fala mais alto, os parlamentares tender\u00e3o a ouvir o que pedem seus eleitores. O risco de eles serem riscado do mapa nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es \u00e9 alto. O povo, como se v\u00ea, acordou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao nomear Lula como ministro da Casa Civil, Dilma apostou na tradicional passividade dos brasileiros, que sempre se contentaram com pouco. Ela se esqueceu, por\u00e9m, que, desde que tomou posse, imp\u00f4s uma fatura enorme \u00e0 sociedade. Enquanto integrantes do partido dela saqueavam a maior empresa do pa\u00eds, a Petrobras, o governo foi destruindo todas as bases da estabilidade. Com a volta da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego e com a grav\u00edssima recess\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar, que camuflava as insatisfa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, desapareceu. Os brasileiros se deram conta de que haviam ficado mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><strong>Nega\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, ao longo dos primeiros oito anos dos governos petistas, o Brasil viveu impressionante processo de ascens\u00e3o social. Mais de 40 milh\u00f5es de pessoas foram incorporadas ao mercado de consumo. Por\u00e9m, uma parcela significativa delas voltou \u00e0 pobreza e se sente tra\u00edda. A presidente Dilma alega que essas pessoas n\u00e3o est\u00e3o nas ruas, apesar de arcarem com a maior parte da fatura do desastre econ\u00f4mico do pa\u00eds. Talvez seja verdade. Estrategicamente, o PT fez a inclus\u00e3o social por meio do consumo, n\u00e3o pela educa\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica. As pessoas tiveram a sensa\u00e7\u00e3o de riqueza, compraram a maior televis\u00e3o dispon\u00edvel nas lojas, mas n\u00e3o se prepararam para questionar quem as governa, n\u00e3o de uma forma enf\u00e1tica como nos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independentemente de quem esteja nas ruas \u2014 ricos, pobres ou remediados \u2014, assistindo \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es, fica claro que se trata de um processo que ganhou vida pr\u00f3pria. N\u00e3o h\u00e1 como revert\u00ea-lo, n\u00e3o enquanto Dilma insistir que est\u00e1 acima do bem e do mal, partindo para a afronta ao nomear Lula como ministro a fim de dar a ele um foro privilegiado. Ao empossar seu criador ontem, a petista demonstrou, em discurso, que, em vez de ouvir o que as ruas est\u00e3o dizendo, partir\u00e1 para o confronto. \u201cA gritaria dos golpistas n\u00e3o vai me tirar do rumo\u201d, afirmou, acrescentando: \u201cPara o bem do Brasil, todo esse barulho, que n\u00e3o \u00e9 a voz rouca das ruas, mas \u00e9 uma algaravia, advinda da excita\u00e7\u00e3o de prejulgamentos, deve acabar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na verdade, Dilma deveria ter a humildade para assumir que o seu governo j\u00e1 acabou e que a popula\u00e7\u00e3o tem todo o direito de exigir mudan\u00e7as. N\u00e3o se trata de golpe. Vivemos numa bela democracia que, ao longo de anos, vem amadurecendo e consolidando institui\u00e7\u00f5es fortes capazes de lidar, sem traumas, com trocas de governos quando eles n\u00e3o s\u00e3o vistos mais como leg\u00edtimos pelos eleitores. Se continuar surda e cega diante da realidade que se imp\u00f5e, a presidente corre o risco de sair do Planalto da pior forma poss\u00edvel, pelas portas dos fundos. A hist\u00f3ria jamais a perdoar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, ooh28min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo acredita que o poder da caneta far\u00e1 grande diferen\u00e7a na guerra contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. E usar\u00e1 o caso do deputado Mauro Lopes, do PMDB de Minas Gerais, que descumpriu a determina\u00e7\u00e3o do partido e assumiu o comando da Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil, como exemplo para seduzir a base aliada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-614","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":615,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/614\/revisions\/615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}