{"id":62,"date":"2015-03-11T00:17:00","date_gmt":"2015-03-11T03:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mar_de_dilemas\/"},"modified":"2015-03-11T00:17:00","modified_gmt":"2015-03-11T03:17:00","slug":"mar_de_dilemas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mar_de_dilemas\/","title":{"rendered":"MAR DE DILEMAS"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo respirou aliviado com a queda do d\u00f3lar, depois de seis altas consecutivas, mas os investidores que pressionam os pre\u00e7os da moeda est\u00e3o longe de dar um voto de confian\u00e7a ao Pal\u00e1cio do Planalto quando assunto \u00e9 ajuste fiscal. Ainda que vejam sinais positivos na tr\u00e9gua entre o Executivo e o Legislativo, ao se buscar um consenso em torno da corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto do Renda (IR), temem que a fragilidade pol\u00edtica da presidente Dilma Rousseff, que ontem voltou a ser vaiada, acabe flexibilizando demais o arrocho t\u00e3o necess\u00e1rio para resgatar a confian\u00e7a no pa\u00eds. <\/p>\n<p>A equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem se empenhado em mostrar que a maior parte das medidas anunciadas por ele para cumprir a meta de superavit prim\u00e1rio de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano depende apenas do governo. Mas, nos bastidores, t\u00e9cnicos admitem que a apoio do Congresso para o ajuste como um todo \u00e9 vital para que o Brasil n\u00e3o seja rebaixado pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco. Ressaltam que o embate pol\u00edtico n\u00e3o \u00e9 bom para ningu\u00e9m, pois impede a volta da previsibilidade que o empresariado tanto cobra. <\/p>\n<p>A grande indaga\u00e7\u00e3o entre os agentes econ\u00f4micos \u00e9 se o governo tamb\u00e9m ceder\u00e1 ao Congresso nas medidas que restringem o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial, ao aux\u00edlio-doen\u00e7a e \u00e0s pens\u00f5es por morte. A Fazenda espera economizar R$ 18 bilh\u00f5es neste ano ao p\u00f4r fim \u00e0 farra com esses benef\u00edcios. \u00c9 o partido da presidente, o PT, aliado \u00e0s centrais sindicais, o maior opositor \u00e0s restri\u00e7\u00f5es impostas pela equipe econ\u00f4mica. Teme-se que as mudan\u00e7as no IR e as altera\u00e7\u00f5es nas regras dos programas sociais abram a porteira para a desfigura\u00e7\u00e3o total do ajuste fiscal. <\/p>\n<p>Dentro do governo, muitos admitem que o grande teste da arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas ser\u00e1 o desemprego. \u00c9 poss\u00edvel que, j\u00e1 em mar\u00e7o, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) nas seis principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds encoste nos 6%, \u00edndice que n\u00e3o se v\u00ea desde o in\u00edcio de 2012. Apenas em janeiro deste ano, o desemprego saltou um ponto percentual, provocando inc\u00f4modo entre os petistas mais radicais, que veem no arrocho fiscal um mal desnecess\u00e1rio para corrigir os equ\u00edvocos cometidos por Dilma no primeiro mandato. <\/p>\n<p>A inquieta\u00e7\u00e3o que ronda os investidores vai al\u00e9m do ajuste fiscal. H\u00e1 muito desconforto em rela\u00e7\u00e3o ao Banco Central, admite o economista-chefe da INVX Partners, Eduardo Velho. N\u00e3o se sabe, segundo ele, at\u00e9 que ponto a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 disposta a ratificar a corre\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os relativos por meio da alta do d\u00f3lar. Ao mesmo tempo que o ministro da Fazenda indica que a moeda norte-americana deve encontrar, livremente, o n\u00edvel aquedado dentro do que prega o sistema de c\u00e2mbio flutuante, o BC sinaliza que pode estender as interven\u00e7\u00f5es no mercado por meio dos contratos de swap cambial. Foi essa percep\u00e7\u00e3o sobre o banco que ajudou a derrubar as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar ontem. <\/p>\n<p>Todos esse dilemas refletem o p\u00e9ssimo momento do governo Dilma, sem qualquer credibilidade na pol\u00edtica econ\u00f4mica. Com pouco mais de dois meses, o segundo mandato da petista tem cara de velho, de fim de festa. A presidente, com a popularidade no ch\u00e3o, tenta se equilibrar \u00e0 beira do precip\u00edcio, sem o apoio do pr\u00f3prio partido. A Esplanada dos Minist\u00e9rios est\u00e1 completamente parada, seja por incompet\u00eancia dos escolhidos pela presidente, seja pela falta de orienta\u00e7\u00e3o. O setor privado travou, o que s\u00f3 contribui para a atividade despencar. A imagem do pa\u00eds no exterior \u00e9 terr\u00edvel, tamanho o grau de corrup\u00e7\u00e3o que se descobriu na Petrobras. <\/p>\n<p>Nesse contexto, fica imposs\u00edvel acreditar quando Dilma diz que os problemas enfrentados pelo Brasil s\u00e3o transit\u00f3rios. A situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ainda vai piorar muito ante de melhorar. Haja paci\u00eancia. <\/p>\n<p><b>Choque de credibilidade<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O an\u00fancio da sa\u00edda de Luiz Awazu Pereira da diretoria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do BC, um m\u00eas depois de ser nomeado, pegou o mercado de surpresa. Mas, no entender dos investidores, pode ser uma grande oportunidade para o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, convidar algu\u00e9m realmente de peso, com renome internacional, para o cargo. <\/p>\n<p><b>Medo do fracasso<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Apesar do desejo do mercado, n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil para Tombini encontrar, na iniciativa privada, um economista que queira associar seu nome a um grupo que fracassou na tentativa de manter a infla\u00e7\u00e3o no centro da meta, de 4,5%. E que ter\u00e1, no fim de ano, de pedir desculpas \u00e0 na\u00e7\u00e3o pelo fato de o custo de vida ter superado o limite de toler\u00e2ncia, de 6,5%. <\/p>\n<p><b>Fala, Tombini!<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Alexandre Tombini, por sinal, confirmou presen\u00e7a na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos do Senado (CAE) para 23 de mar\u00e7o. Os senadores j\u00e1 avisaram que querem ouvi-lo com maior frequ\u00eancia. <\/p>\n<p><b>Abalo de Dilma<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Quem conversou com a presidente Dilma nos \u00faltimos dois dias ficou impressionado como ela se abalou com as manifesta\u00e7\u00f5es do \u00faltimo domingo. Publicamente, a petista procurou passar for\u00e7a. Mas sentiu o peso da gritaria contra ela. A vaia de ontem, em um evento do setor da constru\u00e7\u00e3o, s\u00f3 aumentou o desconforto da chefe de governo. <\/p>\n<p><b>A culpa \u00e9 do outro<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os aliados de Dilma dizem que a culpa pelo inferno enfrentado pela presidente \u00e9 do PT, que passou a ser sin\u00f4nimo de corrup\u00e7\u00e3o. Os petistas, v\u00e1rios muito pr\u00f3ximos do ex-presidente Lula, afirmam que Dilma est\u00e1 colhendo o que plantou, por ter governado com arrog\u00e2ncia e distanciamento do partido. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h20min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo respirou aliviado com a queda do d\u00f3lar, depois de seis altas consecutivas, mas os investidores que pressionam os pre\u00e7os da moeda est\u00e3o longe de dar um voto de confian\u00e7a ao Pal\u00e1cio do Planalto quando assunto \u00e9 ajuste fiscal. 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