{"id":64,"date":"2015-03-13T00:18:00","date_gmt":"2015-03-13T03:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/deficit_de_credibilidade\/"},"modified":"2015-03-13T00:18:00","modified_gmt":"2015-03-13T03:18:00","slug":"deficit_de_credibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/deficit_de_credibilidade\/","title":{"rendered":"DEFICIT DE CREDIBILIDADE"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar dos sinais claros de resist\u00eancia, a presidente Dilma Rousseff parece estar trazendo seu discurso para mais pr\u00f3ximo da realidade, bem longe das mentiras que propagandeou durante a \u00faltima campanha eleitoral. Ao dizer, ontem, que o governo \u201cesgotou\u201d todos os recursos para combater a crise econ\u00f4mica, por insistir em \u201cpol\u00edticas de cr\u00e9dito bastante subsidiadas\u201d e em desonera\u00e7\u00f5es excessivas, assumiu que passou dos limites na execu\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica equivocada de est\u00edmulo ao consumo e de favorecimento a setores espec\u00edficos, com forte lobby em Bras\u00edlia. <\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil para a presidente assumir publicamente o quanto errou nos \u00faltimos quatro anos na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Mas \u00e9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. Fragilizada politicamente, com a popularidade no ch\u00e3o e manifesta\u00e7\u00f5es pipocando por todo o pa\u00eds, Dilma precisa reconquistar a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e investidores para reverter o movimento que est\u00e1 levando a economia para o buraco. Ela sabe que carrega nos ombros, por culpa pr\u00f3pria, um deficit de credibilidade que paralisou a atividade. S\u00e3o poucos os que acreditam no que a chefe do Executivo diz. <\/p>\n<p>Ao adotar um modelo centralista, de forte interven\u00e7\u00e3o na economia, Dilma implodiu todas as pontes com os agentes econ\u00f4micos. Acabou com um bem precioso para quem trabalha com o longo prazo: a previsibilidade. Escureceu o horizonte ao descuidar da infla\u00e7\u00e3o, que caminha firme para os 8%. Tirou a capacidade das empresas de calcularem o custo da energia em seus neg\u00f3cios. Criou a perspectiva de tarifa\u00e7o ao manter congelados os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Deixou as contas p\u00fablicas em farrapos e levou a d\u00edvida p\u00fablica para n\u00edveis alarmantes devido aos subs\u00eddios que agora admite. <\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um longo caminho a ser percorrido at\u00e9 que os discursos de Dilma tenham a relev\u00e2ncia do cargo que ocupa. Na vis\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos e da popula\u00e7\u00e3o \u2014 como mostram as pesquisas de popularidade \u2014, a presidente consolidou a imagem de mentirosa. A desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a ela \u00e9 tamanha, que os investidores mant\u00eam firme as apostas de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, respons\u00e1vel por botar o governo em ordem, n\u00e3o ficar\u00e1 muito tempo no cargo. Para eles, a petista ainda n\u00e3o deu mostras consistentes da convic\u00e7\u00e3o de que mudou para valer, de que seu discurso atual n\u00e3o \u00e9 mais uma das pe\u00e7as de marketing do publicit\u00e1rio Jo\u00e3o Santana. <\/p>\n<p><b>Ata da coer\u00eancia<\/b> <\/p>\n<p>Na tentativa de reverter o colapso da confian\u00e7a, o Banco Central procurou manter a coer\u00eancia dos mais recentes discursos na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria divulgada ontem. Assumiu que a infla\u00e7\u00e3o deste ano ser\u00e1 muito maior do que vinha anunciando e que pode manter o ritmo de alta da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual na reuni\u00e3o de abril. <\/p>\n<p>Foi a primeira ata de Luiz Awazu Pereira como diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do BC. Ao manter todas as portas abertas para os rumos dos juros, a autoridade monet\u00e1ria indicou que h\u00e1 muitas vari\u00e1veis sobre as quais n\u00e3o tem controle em jogo. Por isso, n\u00e3o pode se comprometer com o encerramento do ciclo de aperto em abril, com apenas mais uma alta de 0,25 ponto, como preveem economistas de renome. <\/p>\n<p>A mais relevante dessas vari\u00e1veis \u00e9 o d\u00f3lar. Est\u00e1 se formando o consenso no mercado de que o Federal Reserve (Fed), o BC dos Estados Unidos, elevar\u00e1 os juros ainda neste ano, provavelmente a partir de junho. Se isso ocorrer em meio \u00e0s crises econ\u00f4mica e pol\u00edtica do Brasil, \u00e9 poss\u00edvel que o d\u00f3lar rompa por aqui a barreira dos R$ 3,50. Ainda que o governo insista em dizer que, diante do fraco desempenho da atividade, n\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para o repasse do c\u00e2mbio para os pre\u00e7os, o impacto de uma nova arrancada da moeda norte-americana na infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 forte. <\/p>\n<p>Al\u00e9m do d\u00f3lar, o BC de Alexandre Tombini n\u00e3o tem sob controle o ajuste fiscal. O empenho demonstrado por Joaquim Levy n\u00e3o impede que haja frustra\u00e7\u00e3o na aprova\u00e7\u00e3o de medidas que est\u00e3o sendo avaliadas pelo Congresso. A fragilidade da base de apoio do governo \u00e9 expl\u00edcita. Nada indica que o Pal\u00e1cio do Planalto conseguir\u00e1 juntar os cacos t\u00e3o cedo. <\/p>\n<p><b>Ajuste na comunica\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Para analistas do mercado, o melhor da ata do Copom foi o sinal de que o Banco Central n\u00e3o est\u00e1 mais disposto a errar. Mas, pelo sim, pelo n\u00e3o, muitos manter\u00e3o o p\u00e9 atr\u00e1s at\u00e9 que seja divulgado o relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o no fim deste m\u00eas. S\u00f3 ent\u00e3o, ter\u00e3o a certeza de que a pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria foi ajustada.<b> <\/p>\n<p><\/b><b>Mercadante balan\u00e7a<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A fritura do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, est\u00e1 sendo alimentada pelo Planalto, por assessores muito pr\u00f3ximos da presidente Dilma. Ningu\u00e9m suporta mais a arrog\u00e2ncia e a falta de tato do ministro, acusado de ser o mentor de boa parte dos equ\u00edvocos pol\u00edticos cometidos pela chefe de governo. O ministro, por\u00e9m, garante que est\u00e1 mais firme do que nunca no cargo. <\/p>\n<p><b>Caf\u00e9 com protesto<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, l\u00edder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), conciliou, na quarta-feira, um cafezinho no Planalto com Miguel Rossetto, secret\u00e1rio-geral da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, com um protesto, horas depois, debaixo da janela do ministro da Fazenda. \u201cOs ajustes que o seu Levy fez foram burradas\u201d, diz. <\/p>\n<p><b>St\u00e9dile d\u00e1 li\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Apesar de ser mestre em invas\u00f5es, St\u00e9dile critica os protestos contra a presidente Dilma Rousseff. \u201cAlguns grupos querem criar um clima de confus\u00e3o, usando a m\u00eddia.\u201d Ele ressalva que apoia a liberdade de manifesta\u00e7\u00e3o. \u201cTodos t\u00eam o direito de protestar, desde que dentro da lei e com respeito, como n\u00f3s fazemos\u201d, afirma. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h20min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar dos sinais claros de resist\u00eancia, a presidente Dilma Rousseff parece estar trazendo seu discurso para mais pr\u00f3ximo da realidade, bem longe das mentiras que propagandeou durante a \u00faltima campanha eleitoral. 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