{"id":647,"date":"2016-03-24T09:42:13","date_gmt":"2016-03-24T12:42:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=647"},"modified":"2016-03-24T12:35:02","modified_gmt":"2016-03-24T15:35:02","slug":"fracasso-do-fracasso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fracasso-do-fracasso\/","title":{"rendered":"FRACASSO DO FRACASSO"},"content":{"rendered":"<p>Diz o ditado popular: nada est\u00e1 t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar. Pois a sabedoria que vem das ruas nunca valeu tanto para o governo de Dilma Rousseff. Em apenas um m\u00eas, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, aumentou a previs\u00e3o de rombo nas contas p\u00fablicas deste ano em R$ 36,4 bilh\u00f5es. Em vez de um buraco de R$ 60,2 bilh\u00f5es, ele prev\u00ea, agora, deficit de at\u00e9 R$ 96,6 bilh\u00f5es. Tudo indica que, nos pr\u00f3ximos meses, esse descalabro nas finan\u00e7as do pa\u00eds s\u00f3 aumentar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As contas p\u00fablicas s\u00e3o o reflexo de todos os erros que o governo cometeu na economia. \u00c0 medida que Dilma permitiu a volta da infla\u00e7\u00e3o, destruiu a credibilidade do Banco Central e recorreu \u00e0s pedaladas fiscais para esconder uma gastan\u00e7a desenfreada, abalou um ponto nevr\u00e1lgico do pa\u00eds: a confian\u00e7a. Empresas e consumidores se assustaram com todas as estripulias cometidas pela Pal\u00e1cio do Planalto e reduziram a produ\u00e7\u00e3o, os investimentos e o consumo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O resultado disso todo mundo sabe: o Brasil mergulhou na mais grave recess\u00e3o de que se tem not\u00edcia em quase 100 anos. Sem produzir e com as vendas em queda, as empresas reduziram substancialmente o volume de impostos recolhidos ao governo. Com o aumento do desemprego, milh\u00f5es de trabalhadores deixaram de ter rendimentos sobre os quais incidem o Imposto de Renda. Os tributos em queda escancararam o quanto as finan\u00e7as do pa\u00eds foram tratadas com descaso, baseado no pensamento de que dinheiro \u00e9 capim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sucess\u00e3o de rombos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro \u00e9 t\u00e3o preocupante que gente s\u00e9ria da equipe econ\u00f4mica admite que, dificilmente, as contas p\u00fablicas voltar\u00e3o a registrar superavit prim\u00e1rio (economia para o pagamento de juros da d\u00edvida) at\u00e9 2018. Se confirmada tal previs\u00e3o, ser\u00e3o cinco anos de finan\u00e7as no vermelho. Por isso, todas as proje\u00e7\u00f5es apontam para um aumento espetacular do endividamento p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB). Quando Dilma assumiu em 2011, a d\u00edvida representava 52% do PIB. Est\u00e1, agora, em 67%, e pode ir a 80% nos pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas como o governo n\u00e3o \u00e9 muito chegado a encarar a realidade, prefere recorrer a maquiagens. E j\u00e1 est\u00e1 trabalhando para dar a falsa impress\u00e3o de que, em vez de subir, a d\u00edvida cair\u00e1. Na segunda-feira, o ministro da Fazenda apresentou um pacote de medidas que ele chama de \u201creforma fiscal\u201d. Al\u00e9m de instituir a licen\u00e7a para gastar, o pacote prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o de uma conta remunerada administrada pelo Banco Central. Nela, ser\u00e3o despejados os recursos que a autoridade monet\u00e1ria retira do mercado todos os dias para evitar mais infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, o enxugamento de liquidez, como se diz no jarg\u00e3o do BC, \u00e9 feito por meio da venda de t\u00edtulos p\u00fablicos que est\u00e3o na carteira da institui\u00e7\u00e3o. Esses pap\u00e9is representam 16% do PIB, cerca de R$ 1 trilh\u00e3o. S\u00e3o computados como d\u00edvida, como deve ser. Pela proposta de Barbosa, em vez de o BC fazer as tais opera\u00e7\u00f5es compromissadas, que t\u00eam vencimento m\u00e9dio de tr\u00eas meses, os recursos retirados do sistema financeiro iriam para a conta remunerada. Com isso, os 16% de d\u00edvida, ao longo do tempo, virariam zero. E os d\u00e9bitos totais desabariam para 50% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A medida \u00e9 defendida pelo presidente do BC, Alexandre Tombini. V\u00e1rios bancos centrais a adotam. O problema \u00e9 que, no Brasil de Dilma, a conta remunerada pode se tornar mais uma manobra para esconder a grave situa\u00e7\u00e3o fiscal. Diante de todos os erros que o governo cometeu, ningu\u00e9m quer dar mais um voto de confian\u00e7a. As ag\u00eancias de risco, que j\u00e1 retiraram a chancela de bom pagador do pa\u00eds, acenderam o sinal de alerta. E o mercado voltou a temer o calote.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Derrota da esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma, como se tornou rotina nos \u00faltimos dias, classifica tudo como golpe. Ontem, com o impeachment cada vez mais pr\u00f3ximo, ela disse que o desemprego de 8,2% computado em fevereiro nas seis principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds ainda \u00e9 menor do que na era Fernando Henrique Cardoso. Esqueceu-se, contudo, de dizer que foram as escolhas erradas que ela fez que est\u00e3o expulsando milh\u00f5es de pessoas do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presidente afirmou tamb\u00e9m que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 caindo. Realmente, as pr\u00e9vias de mar\u00e7o mostram \u00edndice menores, mas, no acumulado de 12 meses, a carestia continua rondando na casa dos 10%, destruindo o poder de compra das fam\u00edlias e ampliando as desigualdades entre ricos e pobres. A petista assegurou que o governo est\u00e1 trabalhando para reverter o desemprego e a carestia. Desde que ela tomou posse, no entanto, fez exatamente o contr\u00e1rio: estimulou a alta do custo de vida e uma leva de demiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que, com a sequ\u00eancia dos equ\u00edvocos, como insistir no desajuste fiscal, o governo levar\u00e1 o pa\u00eds rapidamente para a depress\u00e3o econ\u00f4mica, quadro com o qual nunca se deparou. Nele, o caos social estar\u00e1 instalado. E encontrar a porta de sa\u00edda implicar\u00e1 em deixar muita gente de joelhos no meio do caminho. O medo ter\u00e1, definitivamente, derrotado a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 09h41min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz o ditado popular: nada est\u00e1 t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar. Pois a sabedoria que vem das ruas nunca valeu tanto para o governo de Dilma Rousseff. 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