{"id":654,"date":"2016-03-25T12:27:03","date_gmt":"2016-03-25T15:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=654"},"modified":"2016-03-25T12:46:50","modified_gmt":"2016-03-25T15:46:50","slug":"tudo-pelo-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tudo-pelo-poder\/","title":{"rendered":"TUDO PELO PODER"},"content":{"rendered":"<p>A tentativa da presidente Dilma Rousseff de qualificar como golpe o processo de impeachment que est\u00e1 tramitando no Congresso j\u00e1 n\u00e3o comove boa parte dos juristas do pa\u00eds. No Supremo Tribunal Federal (STF), onde a petista esperava encontrar respaldo para endossar seu discurso, a vis\u00e3o \u00e9 de que, seguindo os tr\u00e2mites constitucionais, o julgamento do pedido de impedimento est\u00e1 dentro da lei. Portanto, se realmente quiser manter o mandato, Dilma deve apresentar uma defesa convincente, e n\u00e3o tentar desqualificar seus opositores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem acompanha a presidente de perto garante que n\u00e3o se deve esperar um processo pac\u00edfico de afastamento dela, como se viu com Fernando Collor de Mello, que saiu, resignado, pela porta lateral do Pal\u00e1cio do Planalto de m\u00e3os dadas com a ent\u00e3o mulher, Rosane. A petista usar\u00e1 todos os instrumentos dispon\u00edveis para se manter no cargo, inclusive colocando seus defensores nas ruas, num movimento que pode desaguar no caos geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando diz \u00e0 imprensa estrangeira, \u00e0 qual concedeu entrevista ontem, que n\u00e3o \u201c\u00e9 mulher fraca\u201d, Dilma sinaliza que est\u00e1 disposta a sacrificar o pa\u00eds por um projeto de poder. Mesmo que consiga derrubar o impeachment no Congresso, ela dificilmente reagrupar\u00e1 sua base de apoio parlamentar para p\u00f4r em pr\u00e1tica as medidas que o Brasil tanto precisa para voltar a crescer. A presidente, infelizmente, n\u00e3o disp\u00f5e mais de um ativo importante para qualquer governante: credibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A incapacidade de tirar o pa\u00eds do atoleiro \u00e9 expl\u00edcita. Desde o ano passado, quando ainda dispunha de algum capital pol\u00edtico e o processo de impedimento era remoto, a petista n\u00e3o consegue fazer nada andar no Congresso. Medidas que poderiam dar algum alento na \u00e1rea fiscal continuam paradas e outras tantas, que mais debilitam do que ajudam as contas p\u00fablicas, tendem a seguir pelo mesmo caminho. Os parlamentares s\u00f3 t\u00eam um assunto a tratar: o mandato presidencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sinais alarmantes<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma, como se v\u00ea, destruiu todas as pontes. As previs\u00f5es com ela no poder at\u00e9 o fim de 2018 s\u00e3o alarmantes. O Produto Interno Bruto (PIB), que caiu 3,8% em 2015, pode recuar mais de 6% neste ano e outros 3% em 2017. N\u00e3o h\u00e1, na hist\u00f3ria do Brasil, um tombo t\u00e3o grande em um espa\u00e7o t\u00e3o curto de tempo. O pa\u00eds, que hoje est\u00e1 mergulhado em uma recess\u00e3o severa, ver\u00e1 uma retra\u00e7\u00e3o sem precedentes no consumo das fam\u00edlias, na produ\u00e7\u00e3o e nos investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presidente pode at\u00e9 acreditar que, continuando no Planalto, conseguir\u00e1 um pacto para a governabilidade. Seria o ideal, pois n\u00e3o h\u00e1 mais como a popula\u00e7\u00e3o pagar pelos desmandos que se viu nos \u00faltimos anos. Mas, dadas as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas do pa\u00eds, \u00e9 imposs\u00edvel que isso aconte\u00e7a. Dilma est\u00e1 isolada. Ela conseguiu se distanciar at\u00e9 de seu partido, o PT, que, mesmo na adversidade, n\u00e3o lhe d\u00e1 o apoio necess\u00e1rio para permanecer no comando do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Erra a presidente ao acreditar que, superada a crise pol\u00edtica, o pa\u00eds voltar\u00e1 a crescer e a gerar emprego e renda. As dificuldades enfrentadas pela economia s\u00e3o profundas. Com Nelson Barbosa no comando do Minist\u00e9rio da Fazenda, o desajuste fiscal se consolidou. N\u00e3o h\u00e1 compromisso com reformas estruturais, que poderiam revigorar os \u00e2nimos dos agentes econ\u00f4micos. Como se acreditava, a promessa dele de fazer mudan\u00e7as importantes na Previd\u00eancia Social era mais uma jogada de marketing, um bode na sala para legitimar a licen\u00e7a para gastar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O descr\u00e9dito do governo \u00e9 tamanho, que os investidores j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o o menor valor ao que dizem o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em tempos de normalidade, bastaria um espirro deles para que os mercados enlouquecessem. Hoje, o que d\u00e1 o tom das negocia\u00e7\u00f5es com d\u00f3lar e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o os fatores pol\u00edticos, se Dilma est\u00e1 mais forte ou mais fraca e se o cora\u00e7\u00e3o do governo foi ou n\u00e3o atingido pelas den\u00fancias da Lava-Jato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Filme de terror<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante de tudo o que se v\u00ea, a sina do Brasil \u00e9 permanecer de joelhos, vendo escapar oportunidades que poderiam resultar em melhoria de vida para a popula\u00e7\u00e3o. As ruas j\u00e1 perceberam que conquistas importantes est\u00e3o se esvaindo e o futuro foi hipotecado. Entre os jovens, por exemplo, o desemprego j\u00e1 passa de 20%. A m\u00e3o de obra que deveria estar produzindo riqueza est\u00e1 sendo empurrada para a marginalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse filme de terror j\u00e1 prevaleceu no Brasil por um per\u00edodo longo demais. Quando todos acreditaram que o pesadelo jamais se repetiria, ele voltou com todas as for\u00e7as. A pergunta que todos devem se fazer, inclusive Dilma, \u00e9 se realmente precisamos prolongar o sofrimento. A sensatez diz que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 12h26min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tentativa da presidente Dilma Rousseff de qualificar como golpe o processo de impeachment que est\u00e1 tramitando no Congresso j\u00e1 n\u00e3o comove boa parte dos juristas do pa\u00eds. No Supremo Tribunal Federal (STF), onde a petista esperava encontrar respaldo para endossar seu discurso, a vis\u00e3o \u00e9 de que, seguindo os tr\u00e2mites constitucionais, o julgamento do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=654"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":657,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654\/revisions\/657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}