{"id":66,"date":"2015-03-18T00:01:00","date_gmt":"2015-03-18T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/portas_fechadas\/"},"modified":"2015-03-18T00:01:00","modified_gmt":"2015-03-18T03:01:00","slug":"portas_fechadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/portas_fechadas\/","title":{"rendered":"PORTAS FECHADAS"},"content":{"rendered":"\n<p>Mesmo que a alta do d\u00f3lar promova algum al\u00edvio no rombo das contas externas neste ano, com o aumento das exporta\u00e7\u00f5es e a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, o Brasil enfrentar\u00e1 forte press\u00e3o sobre seu balan\u00e7o de pagamentos. Com o fechamento dos mercados internacionais \u00e0s empresas brasileiras, devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o que trincou a Petrobras, a maior parte dos d\u00e9bitos que vencer\u00e3o ao longo deste ano ter\u00e3o de ser pagos. Isso significar\u00e1 expressiva sa\u00edda de recursos do pa\u00eds. <\/p>\n<p>Dados do Banco Central mostram que, em 2015, entre principal e juros das d\u00edvidas, o pa\u00eds ter\u00e1 de honrar US$ 85 bilh\u00f5es, sendo US$ 75,1 bilh\u00f5es do setor privado. Em tempos de normalidade, diz o economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, Evandro Buccini, bancos e empresas n\u00e3o s\u00f3 conseguiriam refinanciar todos os d\u00e9bitos como ainda poderiam captar uma parcela extra de recursos. <\/p>\n<p>Agora, na melhor das hip\u00f3teses, somente uma parte dos vencimentos ser\u00e1 renegociada. Os credores est\u00e3o receosos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de pagamento das empresas, devido aos s\u00e9rios problemas econ\u00f4micos enfrentados pelo Brasil. Para completar, muitos investidores foram machucados pela queda brutal dos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es da Petrobras e cobram o ressarcimento dos preju\u00edzos em tribunais dos Estados Unidos e da Europa. A imagem do pa\u00eds se desintegrou. <\/p>\n<p>Por causa do p\u00e9ssimo desempenho da economia, que, pelos c\u00e1lculos de Buccini, registrar\u00e1 retra\u00e7\u00e3o entre 1,5% e 2% neste ano, tamb\u00e9m os investimentos estrangeiros diretos (IED), voltados para o setor produtivo, devem se retrair. \u201cEstamos projetando entrada de menos de US$ 55 bilh\u00f5es em 2015\u201d, ressalta. A se confirmar tal previs\u00e3o, o pa\u00eds ficar\u00e1 mais dependente de capital especulativo para cobrir o buraco nas transa\u00e7\u00f5es correntes com o exterior, que deve chegar a US$ 79,5 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p>O economista da Rio Bravo ressalta que, nos \u00faltimos dias, houve uma entrada forte de recursos estrangeiros para a bolsa de valores, porque muitas a\u00e7\u00f5es de empresas brasileiras ficaram baratas com a disparada o d\u00f3lar. Mas se trata de dinheiro arisco, que pode sair a qualquer momento, em caso de agravamento das crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica que atormentam o pa\u00eds. <\/p>\n<p>Para Buccini, o clima de pessimismo e de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil est\u00e1 longe de se dissipar. Esperava-se que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tivesse mais facilidade para implantar o pacote de ajuste fiscal apontado como a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff. Mas o que se v\u00ea \u00e9 a maioria da base aliada do governo com s\u00e9rias resist\u00eancias \u00e0s medidas de arrocho. H\u00e1 cr\u00edticas at\u00e9 no setor privado. <\/p>\n<p>\u201cSe o clima fosse mais tranquilo para o ajuste, certamente, a credibilidade j\u00e1 estaria sendo retomada\u201d, acredita Buccini. Seria a repeti\u00e7\u00e3o do que se viu em 2003, quando o ent\u00e3o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deu um tranco na economia para convencer os investidores de que o governo petista rec\u00e9m-eleito n\u00e3o faria maluquices. N\u00e3o s\u00f3 manteve o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico \u2014 c\u00e2mbio flutuante, metas de infla\u00e7\u00e3o e superavit fiscal \u2014, como o refor\u00e7ou. Em pouco mais de seis meses, o Produto Interno Bruto (PIB) j\u00e1 havia recuperado as for\u00e7as e cresceu por um longo per\u00edodo com a infla\u00e7\u00e3o em baixa. <\/p>\n<p>Agora, mesmo com Levy dando o maior cavalo de pau da hist\u00f3ria brasileira na quest\u00e3o fiscal, prometendo sair de um deficit de 0,6% para superavit de 1,2% do PIB com medidas corretas, as pessoas preferem apostar que o ministro n\u00e3o durar\u00e1 muito tempo no cargo em vez de acreditar que o compromisso de responsabilidade na gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos \u00e9 para valer. \u201cPor isso, as previs\u00f5es cada vez piores para o n\u00edvel de atividade\u201d, diz Buccini. <\/p>\n<p>Sendo assim, ser\u00e1 preciso muito mais do que aplausos da bancada do PT a Levy para acalmar os \u00e2nimos dos agentes econ\u00f4micos. Depois de tantas frustra\u00e7\u00f5es, o que todos querem ver s\u00e3o as medidas de arrocho fiscal aprovadas no Congresso Nacional, e com boa margem de votos. Para o tamanho do ajuste que precisa ser feito, o pa\u00eds n\u00e3o pode conviver com um governo t\u00e3o fraco. Qualquer sinal de fracasso ser\u00e1 fatal para enterrar os votos de confian\u00e7a. <\/p>\n<p><b> <\/p>\n<p>Transpar\u00eancia da Fazenda<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O Minist\u00e9rio da Fazenda deve passar a prever queda do PIB neste ano na primeira revis\u00e3o bimestral que fizer das receitas e despesas or\u00e7ament\u00e1rias de 2015. Ao que tudo indica, a contra\u00e7\u00e3o prevista pela equipe de Joaquim Levy deve acompanhar o Boletim Focus, do Banco Central, que mostra tombo de 0,78% na atividade. Por outro lado, o governo vai se beneficiar da infla\u00e7\u00e3o mais alta para inflar a arrecada\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p><b>D\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao BC<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Se a Fazenda tende a ser mais realista com os n\u00fameros da economia, o mesmo n\u00e3o se deve esperar do Banco Central, que divulga, no fim do m\u00eas, o relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o. Poucos s\u00e3o os analistas que acreditam na possibilidade de a institui\u00e7\u00e3o assumir que o PIB deste ano ser\u00e1 negativo. Se o fizer, ser\u00e1 uma grata surpresa e um ganho de credibilidade. <\/p>\n<p><b>Falta de lastro<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb T\u00e9cnicos do Banco do Brasil est\u00e3o assustados com a falta de lastro para as Letras de Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio (LCI). As aplica\u00e7\u00f5es nesses pap\u00e9is t\u00eam crescido muito, mas, com o setor da constru\u00e7\u00e3o civil em processo de encolhimento, n\u00e3o h\u00e1 empreendimentos suficientes para receber os recursos que engordam o caixa das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<b> <\/p>\n<p>Servidores no ataque<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os servidores p\u00fablicos, que sempre apoiaram o PT, prometem dar muito trabalho para a presidente Dilma nos pr\u00f3ximos meses. Dizem que compreendem a necessidade de o governo fazer ajuste fiscal, mas n\u00e3o aceitar\u00e3o ficar sem qualquer reajuste. Prometem mais barulho do que em 2012, quando v\u00e1rias categorias cruzaram os bra\u00e7os por meses. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo que a alta do d\u00f3lar promova algum al\u00edvio no rombo das contas externas neste ano, com o aumento das exporta\u00e7\u00f5es e a redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, o Brasil enfrentar\u00e1 forte press\u00e3o sobre seu balan\u00e7o de pagamentos. 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