{"id":6774,"date":"2017-12-22T06:36:28","date_gmt":"2017-12-22T08:36:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=6774"},"modified":"2017-12-22T11:39:17","modified_gmt":"2017-12-22T13:39:17","slug":"correio-economico-o-risco-do-excesso-de-otimismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-o-risco-do-excesso-de-otimismo\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: O risco do excesso de otimismo"},"content":{"rendered":"<h2>ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>O Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o (RTI) divulgado ontem refor\u00e7ou o otimismo do mercado em rela\u00e7\u00e3o ao processo de queda de juros e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do crescimento. Nas contas do Banco Central (BC), a infla\u00e7\u00e3o do ano terminar\u00e1 2018 em 2,8%, em 2019, chegar\u00e1 a 4,2% e, em 2020, alcan\u00e7ar\u00e1 4,1%. Conforme o documento publicado pela autoridade monet\u00e1ria, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou novas surpresas positivas.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do BC, Carlos Viana, a infla\u00e7\u00e3o projetada para os meses de setembro, outubro e novembro seria de 1,04%. Entretanto, o resultado observado foi de 0,86%, o que levou o IPCA, nos \u00faltimos 12 meses, a 2,80%. Para dezembro, a equipe de Ilan Goldfajn estima que a carestia ter\u00e1 varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,29%. Em janeiro, \u00e9 esperada alta de 0,53%, em fevereiro, de 0,47%, o que levaria a infla\u00e7\u00e3o, nos tr\u00eas meses, a acumular alta de 1,30%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isso, a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses at\u00e9 fevereiro de 2018 chegaria a 3,09%. Entretanto, o mercado aposta em novas surpresas inflacion\u00e1rias nos pr\u00f3ximos meses. At\u00e9 os mais otimistas, que apostam que o BC levar\u00e1 os juros para abaixo de 7%, acreditam que haver\u00e1 espa\u00e7o para uma queda maior. O diretor de Pesquisas e Estudos Econ\u00f4micos do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, um dos primeiros a projetar juros de 6,75% em 2018, come\u00e7a a ver um espa\u00e7o maior para flexibiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. \u201cEstamos achando que h\u00e1 espa\u00e7o para cortar para 6,25% ou 6,50% no in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano, a julgar pelo quadro favor\u00e1vel de infla\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o moderada da atividade\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, o excesso de otimismo merece aten\u00e7\u00e3o. As proje\u00e7\u00f5es do mercado t\u00eam ignorado um n\u00edvel maior de volatilidade da economia brasileira no pr\u00f3ximo ano. Durante a divulga\u00e7\u00e3o do RTI, Viana evitou comentar sobre o cen\u00e1rio eleitoral de 2018. \u201cN\u00e3o cabe especular sobre conting\u00eancias espec\u00edficas\u201d. Apesar disso, detalhou que, em qualquer evento com impacto relevante, a pol\u00edtica monet\u00e1ria vai se ajustar para garantir o cumprimento das metas de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo que reservadamente, diversos analistas est\u00e3o preocupados com as reais chances de o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) conquistar parte do eleitorado \u00f3rf\u00e3o do PT e do PSDB. Pesquisas qualitativas realizadas por diversas institui\u00e7\u00f5es financeiras indicam que Bolsonaro tem chances de cativar eleitores descrentes com os partidos tradicionais e que desejam melhorais, sobretudo, em temas relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 sa\u00fade. \u201cMuita gente admite que ele est\u00e1 no p\u00e1reo. Outro que assusta o mercado \u00e9 o ex-presidente Lula. De todos, \u00e9 o mais inteligente\u201d, afirma um analista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lula tem reduzido o n\u00edvel dos ataques e se diz disposto a conversar com o empresariado. O petista sabe que precisar\u00e1 de apoio do mercado se chegar ao Pal\u00e1cio do Planalto. Acalmar os investidores ser\u00e1 essencial para que o pa\u00eds volte a crescer. \u201cO PMDB n\u00e3o tem candidato, o (Henrique) Meirelles ainda n\u00e3o decolou e os tucanos est\u00e3o se bicando. N\u00e3o temos bons candidatos no p\u00e1reo. Esse \u00e9 o grande problema\u201d, diz o mesmo analista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ritmo modesto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Otimista com o processo de queda de juros, o economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, Mario Mesquita, projeta a Selic em 6,5% em 2018. Para ele, com a recupera\u00e7\u00e3o da economia em ritmo modesto, o maior risco para este cen\u00e1rio est\u00e1 atrelado ao c\u00e2mbio. A elei\u00e7\u00e3o de um candidato extremista pressionaria o pre\u00e7o do d\u00f3lar e provocaria uma fuga de recursos do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, a piora do ambiente internacional afetaria o valor da divisa norte-americana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A forte recupera\u00e7\u00e3o da economia dos Estados Unidos, com a taxa de desemprego comportada e dados de atividade surpreendendo positivamente, pode pressionar os \u00edndices de pre\u00e7os da maior economia do mundo. O risco \u00e9 de que o Federal Reserve (FED) esteja atr\u00e1s da curva de juros, o que evidenciaria a necessidade de aumentar a taxa mais r\u00e1pido do que o esperado anteriormente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos deve voltar em algum momento e, se houver alguma surpresa, o FED teria de tomar medidas para evitar que a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os seja superior \u00e0 sua meta. No Brasil, novamente, os impactos seriam sobre o d\u00f3lar. Com alta de juros na maior economia do mundo, os investidores procuram prote\u00e7\u00e3o nos t\u00edtulos do Tesouro norte-americano. A aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia mitigaria esses efeitos, j\u00e1 que o pa\u00eds\u00a0sinalizaria concretamente ao mercado que est\u00e1 comprometido com o reequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por enquanto, as perspectivas ainda s\u00e3o favor\u00e1veis para a economia brasileira, diante do cen\u00e1rio internacional benigno. Entretanto, ningu\u00e9m sabe afirmar at\u00e9 quando o ambiente externo favorecer\u00e1 o Brasil. Por isso, \u00e9 fundamental que o Congresso Nacional aprove a reforma da Previd\u00eancia. As negocia\u00e7\u00f5es t\u00eam sido intensas e, mesmo com a materializa\u00e7\u00e3o de parte desses riscos, a aprova\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia garantiria ao pa\u00eds mais seguran\u00e7a para enfrentar turbul\u00eancias. O BC j\u00e1 deixou claro que deve reduzir os juros em 0,25 ponto percentual na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). Por\u00e9m, a garantia de juros baixos por um bom tempo depende do ajuste fiscal, que ainda n\u00e3o saiu do papel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h36min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANTONIO TEM\u00d3TEO O Relat\u00f3rio Trimestral de Infla\u00e7\u00e3o (RTI) divulgado ontem refor\u00e7ou o otimismo do mercado em rela\u00e7\u00e3o ao processo de queda de juros e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o do crescimento. Nas contas do Banco Central (BC), a infla\u00e7\u00e3o do ano terminar\u00e1 2018 em 2,8%, em 2019, chegar\u00e1 a 4,2% e, em 2020, alcan\u00e7ar\u00e1 4,1%. 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