{"id":678,"date":"2016-03-30T00:13:30","date_gmt":"2016-03-30T03:13:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=678"},"modified":"2016-03-30T00:13:30","modified_gmt":"2016-03-30T03:13:30","slug":"derrota-da-arrogancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/derrota-da-arrogancia\/","title":{"rendered":"DERROTA DA ARROG\u00c2NCIA"},"content":{"rendered":"<p>O pa\u00eds vai assistir, nos pr\u00f3ximos dias, a cenas de desespero de um governo que est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim. A decis\u00e3o do PMDB \u2014 tomada por aclama\u00e7\u00e3o em apenas tr\u00eas minutos \u2014 de abandonar Dilma Rousseff \u00e0 pr\u00f3pria sorte deu in\u00edcio a uma guerra cujas consequ\u00eancias s\u00e3o dif\u00edceis de prever. N\u00e3o h\u00e1 como esperar da presidente da Rep\u00fablica e do partido dela, o PT, a entrega do poder passivamente. As armas j\u00e1 foram empunhadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que Dilma e o PT partam para a batalha. Mas a presidente est\u00e1 prestes a perder o mandato n\u00e3o porque tenha sido v\u00edtima de um golpe, como ela bate no peito para bradar contra seus inimigos. A petista foi derrotada pela arrog\u00e2ncia de um governo que acreditou que poderia destruir, impunemente, as bases da economia e recorrer ao pior da pol\u00edtica, o fisiologismo, para garantir os votos que lhe conviesse no Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim que tomou posse, Dilma teve todas as chances de entrar para a hist\u00f3ria como exemplo de administrador. Logo nos primeiros meses, fez uma limpa em seu governo, afastando subordinados acusados de malfeitos. Promoveu um arrocho importante nas contas p\u00fablicas, indicando que a farra fiscal que prevaleceu nos \u00faltimos anos da gest\u00e3o Lula para eleg\u00ea-la havia acabado. Mostrou disposi\u00e7\u00e3o para desatar o n\u00f3 da infraestrutura que mantinha o Brasil com os dois p\u00e9s no atraso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a popularidade presidencial atingiu n\u00edveis recordes. Mesmo os eleitores que n\u00e3o haviam votado nela se enchiam de orgulho por ter a primeira presidente mulher, com um hist\u00f3rico de combate \u00e0 ditadura, comprometida com a \u00e9tica e disposta a ampliar as conquistas sociais que tanto orgulho deram ao pa\u00eds. Dilma era vista como o oposto dos pol\u00edticos tradicionais, corromp\u00edveis, fisiol\u00f3gicos. Era o avan\u00e7o que todos desejavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Tudo pela reelei\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo, por\u00e9m, n\u00e3o passou de um grande produto de marketing, uma propaganda enganosa que custaria muito caro ao Brasil. Confiante, a tal gerentona come\u00e7ou a desmontar as bases da estabilidade econ\u00f4mica. Obrigou o Banco Central a cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) para o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria, 7,25% ao ano, de olho em um trof\u00e9u que queria ostentar na campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Fez isso sem dar bola para a infla\u00e7\u00e3o que j\u00e1 a\u00e7oitava o or\u00e7amento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iludida de que o Estado pode tudo, passou a distribuir dinheiro p\u00fablico como se n\u00e3o houvesse amanh\u00e3. Ampliou os subs\u00eddios criados no governo Lula para setores espec\u00edficos; beneficiou, por meio dos bancos p\u00fablicos, empresas amigas do Pal\u00e1cio do Planalto, escolhidas como campe\u00e3s nacionais; reduziu, sem nenhum crit\u00e9rio t\u00e9cnico, os pre\u00e7os da energia el\u00e9trica, passando a conta para o Tesouro Nacional; e segurou, o quanto p\u00f4de, os reajustes da gasolina, destruindo, de vez, o caixa da Petrobras, que vinha sendo surrupiada pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso, claro, \u00e0 base de maquiagens cont\u00e1beis. Como o objetivo era a reelei\u00e7\u00e3o, a petista, o ent\u00e3o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secret\u00e1rio do Tesouro \u00e0 \u00e9poca, Arno Augustin, trataram de pedalar os gastos, usando, em muitos casos, os bancos estatais. Fizeram todo tipo de manobra, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), para mostrar uma sa\u00fade que as contas p\u00fablicas n\u00e3o tinham. A farra, por\u00e9m, foi descoberta. E \u00e9 ela que pode custar o mandato de Dilma, ao dar sustenta\u00e7\u00e3o ao pedido de impeachment.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Equ\u00edvocos continuam<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dilma ainda teve chance de se redimir no in\u00edcio do segundo mandato. Demitiu Mantega e Augustin e convocou, para o comando da economia, Joaquim Levy, comprometido com um ajuste fiscal consistente. O voto de confian\u00e7a foi imediato. As perspectivas de infla\u00e7\u00e3o ca\u00edram, a bolsa de valores subiu e o d\u00f3lar cedeu. Com o aval da chefe, Levy elaborou uma s\u00e9rie de medidas que garantiriam superavits prim\u00e1rios por anos seguidos e interromperiam o processo de alta da d\u00edvida p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais uma vez, descobriu-se que tudo era jogo de cena. Em pouco mais de seis meses \u00e0 frente da Fazenda, Levy passou a ser desrespeitado. O ent\u00e3o ministro do Planejamento e atual comandante da equipe econ\u00f4mica, Nelson Barbosa, come\u00e7ou a dar as cartas. A farra fiscal voltou \u00e0 cena por meio do envio, ao Congresso, de uma proposta or\u00e7ament\u00e1ria para 2016 com previs\u00e3o de deficit nas contas de R$ 30,5 bilh\u00f5es. Ficou claro, naquele momento, que Dilma nunca teve um compromisso real com o equil\u00edbrio das finan\u00e7as do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir daquele momento, a crise econ\u00f4mica ganhou contornos assustadores. A recess\u00e3o se aprofundou, a desconfian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos atingiu n\u00edveis alarmantes, o desemprego deu as caras e a infla\u00e7\u00e3o disparou. O estrago foi t\u00e3o forte que as taxas futuras de juros, que servem de par\u00e2metro para a forma\u00e7\u00e3o dos custos dos empr\u00e9stimos, aumentaram cinco pontos percentuais. Houve um estrangulamento do cr\u00e9dito. Empresas passaram a lidar com escassez de financiamentos. O setor real da economia afundou, o que se p\u00f4de ver pela queda de 3,8% do PIB em 2015 e pela previs\u00e3o de tombo de mais de 4% neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 assustador perceber que, a despeito de estar pr\u00f3xima de ser deposta, Dilma ainda continua acreditando que a sua vis\u00e3o de pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 correta. O pensamento dela foi expresso, sem retoques, por Nelson Barbosa em depoimento ontem na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos do Senado. Ele disse que o terceiro ano seguido de rombo nas contas p\u00fablicas \u2014 R$ 96,6 bilh\u00f5es ou 1,55% do PIB \u2014 \u00e9 vital para reativar a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante desse discurso, fica a certeza: o governo n\u00e3o aprendeu com seus erros. Equil\u00edbrio fiscal, como defendia Levy, n\u00e3o prejudica a economia. Na verdade, d\u00e1 a certeza de compromisso com os pilares que permitiram ao pa\u00eds agregar mais de 40 milh\u00f5es de pessoas no mercado de consumo em tempo recorde. Essas pessoas s\u00e3o hoje as que mais sofrem com os equ\u00edvocos de Dilma. Podem n\u00e3o estar nas ruas gritando contra a presidente e a corrup\u00e7\u00e3o, como alega o PT, mas t\u00eam a exata no\u00e7\u00e3o do que representa abrir m\u00e3o de conquistas. Elas, certamente, querem mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h13min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00eds vai assistir, nos pr\u00f3ximos dias, a cenas de desespero de um governo que est\u00e1 pr\u00f3ximo do fim. A decis\u00e3o do PMDB \u2014 tomada por aclama\u00e7\u00e3o em apenas tr\u00eas minutos \u2014 de abandonar Dilma Rousseff \u00e0 pr\u00f3pria sorte deu in\u00edcio a uma guerra cujas consequ\u00eancias s\u00e3o dif\u00edceis de prever. 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