{"id":70,"date":"2015-03-24T00:01:00","date_gmt":"2015-03-24T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/so_para_respirar\/"},"modified":"2015-03-24T00:01:00","modified_gmt":"2015-03-24T03:01:00","slug":"so_para_respirar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/so_para_respirar\/","title":{"rendered":"S\u00d3 PARA RESPIRAR"},"content":{"rendered":"\n<p>A faca continua no pesco\u00e7o, mas a Standard and Poor\u2019s (S&amp;P) deu ontem um refresco ao governo ao manter o pa\u00eds como porto seguro para o capital. Havia um temor generalizado no Pal\u00e1cio do Planalto de que, depois de recente passagem pelo pa\u00eds, t\u00e9cnicos da principal ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco do mundo retirassem o grau de investimento do Brasil, o que empurraria a economia mais rapidamente pelo precip\u00edcio no qual se encontra. Mas a amea\u00e7a de rebaixamento continua latente. Bastar\u00e1 um passo em falso da presidente Dilma Rousseff na condu\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal para que o pa\u00eds entre na lista das na\u00e7\u00f5es especulativas, com acesso restrito a cr\u00e9dito no mercado internacional. <\/p>\n<p>A S&amp;P, como o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sabe que a meta de superavit prim\u00e1rio de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) \u00e9 insuficiente para estabilizar a d\u00edvida bruta, que est\u00e1 encostando nos 64% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds. O importante, por\u00e9m, \u00e9 a trajet\u00f3ria, o comprometimento com a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Ou seja, o governo precisa mostrar que meta \u00e9 para ser cumprida, sem os truques ou as maquiagens que se tornaram rotina no primeiro mandato de Dilma. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos da S&amp;P, para que a d\u00edvida bruta parasse de crescer em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, o Brasil teria que fazer superavits prim\u00e1rios entre 3% e 3,5% do PIB por ano. Contudo, com a economia em retra\u00e7\u00e3o \u2014 a ag\u00eancia prev\u00ea queda de 1% em 2015 \u2014, seria necess\u00e1rio um arrocho brutal da atividade, o que tornaria a recess\u00e3o estimada pelo mercado em brinquedo de crian\u00e7a. O desemprego explodiria. Assim, no entender dos t\u00e9cnicos da Standard &amp; Poor\u2019s, na atual conjuntura, a economia para o pagamento de juros da d\u00edvida deve aumentar gradualmente, para 2% em 2016 e, quem sabe, para 2,5% do PIB em 2017. <\/p>\n<p>A expectativa da Fazenda \u00e9 de que, a partir de agora, os mercados sa\u00edam da situa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico e botem os p\u00e9s na realidade. No in\u00edcio da pr\u00f3xima semana, ser\u00e1 divulgado o superavit prim\u00e1rio de fevereiro, n\u00famero que deve surpreender os investidores positivamente, pois a arrecada\u00e7\u00e3o foi melhor do que a esperada \u2014 os dados oficiais saem hoje. N\u00e3o se pode esquecer, por\u00e9m, de que o trabalho de Levy s\u00f3 est\u00e1 come\u00e7ando. O cr\u00e9dito da S&amp;P que ele tanto contava foi dado. Agora, precisa que o Congresso Nacional, que anda refrat\u00e1rio ao Planalto, lhe estenda as m\u00e3os. <\/p>\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a situa\u00e7\u00e3o da economia brasileira \u00e9 dram\u00e1tica. A infla\u00e7\u00e3o deste ano deve ficar entre 8% e 9%, n\u00edvel sem precedente desde 2003, quando Lula tomou posse pela primeira vez. O rombo nas contas externas continua muito pr\u00f3ximo de 4% do PIB, independentemente da alta do d\u00f3lar, que deveria estimular as exporta\u00e7\u00f5es. Nas contas p\u00fablicas, quando se incluem os juros da d\u00edvida, o buraco corresponde a quase 7% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds. A desconfian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores \u00e9 enorme. Com os investimentos travados e a demanda das fam\u00edlias em baixa, a retomada do crescimento, se vier, s\u00f3 ocorrer\u00e1 em 2016. <\/p>\n<p><b>\u00c0 espera da racionalidade<\/b> <\/p>\n<p>Um t\u00e9cnico do Banco Central lembra que, al\u00e9m da ajuda da Standard &amp; Poor\u2019s, o governo est\u00e1 recebendo total apoio do Federal Reserve (Fed), o BC dos Estados Unidos. Diante da sinaliza\u00e7\u00e3o de que a institui\u00e7\u00e3o norte-americana n\u00e3o subir\u00e1 os juros t\u00e3o r\u00e1pido, a tend\u00eancia \u00e9 de se amenizar o processo de valoriza\u00e7\u00e3o de d\u00f3lar, um foco de press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o. Ele lembra ainda que mais analistas t\u00eam demonstrado confian\u00e7a na perman\u00eancia de Joaquim Levy \u00e0 frente da Fazenda. Para completar, parece que a presidente Dilma compreendeu a import\u00e2ncia de reconstruir sua base pol\u00edtica. \u201cAos poucos, a racionalidade voltar\u00e1 aos mercados\u201d, diz. <\/p>\n<p><b>O surto de Tombini<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Assessores mais pr\u00f3ximos de Dilma classificam como, no m\u00ednimo, desastrada a decis\u00e3o do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de bater boca publicamente com o ex-presidente da institui\u00e7\u00e3o Affonso Celso Pastore. <\/p>\n<p><b>Tempos distintos<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O ex-BC disse, na quinta-feira passada, que Tombini sempre promete, mas nunca entrega a meta de 4,5% de infla\u00e7\u00e3o. Tombini contra-atacou e afirmou que, na gest\u00e3o de Pastore \u00e0 frente da autoridade monet\u00e1ria, entre agosto de 1983 e agosto de 1985, a infla\u00e7\u00e3o passou de 134,69% para 224,60%. <\/p>\n<p><b>Apoio a Pastore<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O bate-boca causou tanto burburinho no mercado que Tombini se disse arrependido do confronto e afirmou respeitar o trabalho e as opini\u00f5es do ex-presidente do BC. Pastore, no entanto, manteve a declara\u00e7\u00e3o, recebendo apoio maci\u00e7o de economistas de todas as matizes. <\/p>\n<p><b>Ela s\u00f3 pensa naquilo<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Com a popularidade no ch\u00e3o, Dilma inicia, amanh\u00e3, uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es com governadores. Os primeiros a visitarem o Planalto v\u00eam do Nordeste, regi\u00e3o que concentra os eleitores que garantiram a reelei\u00e7\u00e3o da presidente. No card\u00e1pio: ajuste fiscal. <\/p>\n<p><b>Fora do tiroteio<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Em encontro corporativo do Banco do Brasil, o ex-senador e atual vice-presidente de Agroneg\u00f3cio da institui\u00e7\u00e3o, Osmar Dias, disse a uma plateia de 2,7 mil l\u00edderes BB estar aliviado por n\u00e3o participar do atual tiroteio pol\u00edtico. \u201cEnquanto l\u00e1 fora os outros est\u00e3o se apunhalando pelas costas, aqui no BB me sinto seguro.\u201d <\/p>\n<p><b>Sorte a Abreu<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Em outro momento do evento, o presidente do BB, Alexandre Abreu, foi interrompido para a exibi\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo de Paulo Rog\u00e9rio Caffarelli, que chegou a ser cotado para o comando da institui\u00e7\u00e3o. Caffarelli negou qualquer diverg\u00eancia com Abreu, a quem desejou sorte.<i> <\/p>\n<p><\/i><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A faca continua no pesco\u00e7o, mas a Standard and Poor\u2019s (S&amp;P) deu ontem um refresco ao governo ao manter o pa\u00eds como porto seguro para o capital. 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