{"id":706,"date":"2016-04-05T06:52:26","date_gmt":"2016-04-05T09:52:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=706"},"modified":"2016-04-05T07:16:29","modified_gmt":"2016-04-05T10:16:29","slug":"verdade-em-numeros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/verdade-em-numeros\/","title":{"rendered":"A VERDADE EM N\u00daMEROS"},"content":{"rendered":"<p>N\u00fameros n\u00e3o t\u00eam ideologia. Nem colora\u00e7\u00e3o. Pode-se, sim, l\u00ea-los de acordo com a conveni\u00eancia, mas, com o tempo, a realidade sempre falar\u00e1 mais alto. A recente hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil mostra bem como manipular n\u00fameros custa caro. A presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff, corre o risco de perder o mandato justamente porque maquiou as contas p\u00fablicas, pedalando d\u00edvidas para mostrar uma sa\u00fade que as contas p\u00fablicas n\u00e3o tinham. A contabilidade criativa quebrou o pa\u00eds e hipotecou o futuro. N\u00e3o h\u00e1 justificativa da petista que a perdoe de todos os pecados que cometeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A realidade em n\u00fameros do que tem sido a gest\u00e3o de Dilma est\u00e1 expl\u00edcita nas estat\u00edsticas do pr\u00f3prio governo. N\u00e3o foi nenhum cr\u00edtico da atual administra\u00e7\u00e3o que colocou as informa\u00e7\u00f5es l\u00e1. Qualquer que seja o dado usado como par\u00e2metro, n\u00e3o h\u00e1 sequer um que n\u00e3o espelhe o desastre que vive o pa\u00eds. Mesmo os indicadores que poderiam dar algum alento est\u00e3o contaminados pelo estrago provocado pela chefe do Executivo. \u00c9 o caso das contas externas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre dezembro de 2014 e fevereiro deste ano, o rombo em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB) desabou de 4,3% para 2,8%. Isso ocorreu, basicamente, por causa da recess\u00e3o e da alta do d\u00f3lar, que inibiram as importa\u00e7\u00f5es. Se o pa\u00eds estivesse crescendo e a desconfian\u00e7a n\u00e3o tivesse empurrado a moeda americana para cima, o buraco continuaria aumentando, deixando a economia mais vulner\u00e1vel \u00e0s tempestades vindas de fora. O ideal seria que o ajuste viesse do incremento das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Licen\u00e7a para gastar<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o governo apresentou sua defesa para tentar derrubar o impeachment de Dilma. Todas as justificativas mostraram uma vis\u00e3o equivocada e desconectada da verdade. A destrui\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas foi deliberada, com um \u00fanico objetivo: garantir a reelei\u00e7\u00e3o da petista. Por ordem do Pal\u00e1cio do Planalto, o Tesouro Nacional gastou o que n\u00e3o tinha. A farra foi tamanha que, ano ap\u00f3s ano, o superavit previsto em lei se transformou em deficit.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, com os cofres escancarados e as pedaladas fiscais a pleno vapor, o rombo superou os R$ 32 bilh\u00f5es. Em 2015, foram mais R$ 111 bilh\u00f5es no vermelho. Neste ano, diante da licen\u00e7a para gastar pedida pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, o buraco ser\u00e1 de, no m\u00ednimo, R$ 96,6 bilh\u00f5es. A ordem \u00e9 usar R$ 120 bilh\u00f5es como se fossem abatimentos do superavit prim\u00e1rio para seduzir aliados a votarem pela continuidade do mandato de Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pedido feito ao Congresso por Barbosa revela o quanto o governo n\u00e3o tem apre\u00e7o pela boa gest\u00e3o dos recursos que a sociedade recolhe todos os anos aos cofres do Tesouro. O descompromisso atinge n\u00edveis alarmantes porque, se o volume de tributos n\u00e3o for suficiente para cobrir todas as despesas, recorre-se ao endividamento. Quando Dilma tomou posse, a d\u00edvida bruta correspondia a 52% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds. Agora, est\u00e1 em 67% e pode terminar o ano acima de 71%, como prev\u00ea a Fazenda \u2014 isso, na melhor das hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa gastan\u00e7a desenfreada produziu o pior imposto que um pa\u00eds pode ter: a infla\u00e7\u00e3o. Dilma nunca conseguiu entregar o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) no centro da meta, de 4,5%, como manda a lei. No ano passado, o custo de vida registrou alta de aproximadamente 11%. A carestia afeta, sobretudo, os mais pobres, pois n\u00e3o t\u00eam como se protegerem. A infla\u00e7\u00e3o desestruturou a economia de uma tal forma que o desemprego, que j\u00e1 encosta nos 10%, pode saltar para 15%. Estamos falando de uma perspectiva de 15 milh\u00f5es de desocupados (hoje, s\u00e3o 9,6 milh\u00f5es). O PIB, que tombou 3,8% em 2015, deve recuar mais 4% neste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Perplexidade<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que deixa o pa\u00eds mais perplexo \u00e9 o fato de n\u00e3o haver, dentro do governo, pelo menos nos c\u00edrculos mais pr\u00f3ximos de Dilma, uma pessoa que clame por um basta nas aberra\u00e7\u00f5es. Mesmo com a petista amea\u00e7ada de perder o mandato, o Banco Central expressou o desejo de voltar a emitir t\u00edtulos, como mostrou o <i>Valor Econ\u00f4mico<\/i>. Essas opera\u00e7\u00f5es est\u00e3o proibidas desde a edi\u00e7\u00e3o da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em 2000. \u00c0 \u00e9poca, o objetivo foi p\u00f4r fim \u00e0 rela\u00e7\u00e3o incestuosa entre BC e Tesouro, cujos custos foram pesad\u00edssimos. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, enquanto n\u00e3o rasgar de vez a LRF, o governo n\u00e3o sossegar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No discurso, o BC se mostra todo preocupado com a farra fiscal. Em seus documentos, atribui a alta da infla\u00e7\u00e3o \u00e0 gastan\u00e7a do governo. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 fechada com o descalabro da administra\u00e7\u00e3o de Dilma. Tanto que sempre foi leniente no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Se realmente cumprisse a sua miss\u00e3o b\u00e1sica, a de manter o poder de compra da moeda, n\u00e3o teria se rendido \u00e0s ordens da petista para reduzir juros apesar da infla\u00e7\u00e3o alta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC de Dilma j\u00e1 se movimenta, inclusive, para dar uma m\u00e3ozinha ao ministro da Fazenda a fim de mudar a contabilidade da d\u00edvida p\u00fablica e, assim, estampar nas estat\u00edsticas n\u00fameros mais favor\u00e1veis. Est\u00e1 trabalhando para a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de conta remunerada na qual ficariam os recursos excedentes dos bancos. Hoje, o dinheiro \u00e9 retirado do mercado por meio de t\u00edtulos de emiss\u00e3o do Tesouro que est\u00e3o na carteira da autoridade monet\u00e1ria. As opera\u00e7\u00f5es representam quase 16% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Num pa\u00eds com um governo confi\u00e1vel, a medida seria at\u00e9 aceit\u00e1vel \u2014 muitos bancos centrais operam com essas contas remuneradas. Mas numa administra\u00e7\u00e3o que pedalou d\u00edvidas e maquiou contas, \u00e9 dif\u00edcil acreditar em boas inten\u00e7\u00f5es. As manobras que prevaleceram nos \u00faltimos anos foram embaladas por um marketing enganoso. Quando a verdade dos n\u00fameros prevaleceu, descortinou-se um Brasil de joelhos. J\u00e1 se pagou um pre\u00e7o alto demais pela irresponsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h52min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00fameros n\u00e3o t\u00eam ideologia. Nem colora\u00e7\u00e3o. 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