{"id":71,"date":"2015-03-25T16:18:00","date_gmt":"2015-03-25T19:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pib_do_desastre\/"},"modified":"2015-03-25T16:18:00","modified_gmt":"2015-03-25T19:18:00","slug":"pib_do_desastre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pib_do_desastre\/","title":{"rendered":"PIB DO DESASTRE"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo j\u00e1 preparou o discurso para a sexta-feira, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1 os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e de todo o ano de 2014. A ordem, no entorno da presidente Dilma Rousseff, \u00e9 minimizar os n\u00fameros, que devem mostrar queda de at\u00e9 0,4% no Produto Interno Bruto (PIB) entre outubro e dezembro e varia\u00e7\u00e3o positiva pr\u00f3xima de zero em 12 meses. Na avalia\u00e7\u00e3o do governo, o importante ser\u00e1 olhar para a frente, para as medidas de ajustes que est\u00e3o sendo tomadas e que v\u00e3o resultar na retomada do crescimento sustentado da economia em 2016. <\/p>\n<p>Os dados do ano passado ser\u00e3o emblem\u00e1ticos, pois v\u00e3o coroar o desastre que foi o primeiro mandato de Dilma. Quando tomou posse, a presidente prometeu chegar ao fim dos quatro anos de governo com o PIB avan\u00e7ando pr\u00f3ximo de 5%. Ostentando um discurso ufanista, baseado em um marketing poderoso que criou a imagem da gerentona implac\u00e1vel com a corrup\u00e7\u00e3o, a petista conseguiu convencer muita gente de que era a pessoa certa para tocar o pa\u00eds. Os n\u00edveis de popularidade batiam recorde. Dilma dominava a cena. N\u00e3o havia espa\u00e7o para ningu\u00e9m. <\/p>\n<p>Bastaram, por\u00e9m, pouco mais de seis meses para que a realidade se impusesse. A gerentona se mostrou um fiasco do ponto de vista administrativo. Cercou-se de um grupo de ministros incompetentes, que conseguiram piorar o que j\u00e1 estava ruim. A presidente implac\u00e1vel com a corrup\u00e7\u00e3o virou p\u00f3. Sem constrangimento, cercou-se novamente das pessoas e dos partidos que haviam sido pegos desviando, descaradamente, dinheiro p\u00fablico. Preferiu sacrificar a biografia para garantir o apoio necess\u00e1rio que lhe garantiria tempo suficiente na televis\u00e3o durante a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&nbsp;Em meio \u00e0 incompet\u00eancia e aos desmandos que prevaleceram na Esplanada, Dilma decidiu adotar o que chamou de nova matriz econ\u00f4mica. Com o apoio do ent\u00e3o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do ent\u00e3o secret\u00e1rio do Tesouro Nacional, Arno Augustin, adotou a m\u00e1xima de que um pouco mais de infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o faria mal ao pa\u00eds. Pelo contr\u00e1rio, impulsionaria o crescimento econ\u00f4mico. <\/p>\n<p>N\u00e3o satisfeita, a presidente obrigou o Banco Central a reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) ao piso hist\u00f3rico de 7,25% ao ano. Segurou os pre\u00e7os dos combust\u00edveis, reduziu \u00e0 for\u00e7a as tarifas de energia el\u00e9trica e abriu os cofres p\u00fablicos para engordar o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), cuja miss\u00e3o principal foi favorecer grupos empresariais amigos do Pal\u00e1cio do Planalto. Dilma rasgou todos os manuais da boa governan\u00e7a. <\/p>\n<p>A presidente teve todo o tempo do mundo para tirar o Brasil do caminho do desastre. Mas, por arrog\u00e2ncia e vis\u00e3o equivocada, n\u00e3o s\u00f3 manteve o modelo como aprofundou muitas das medidas. Mesmo com a confian\u00e7a de empres\u00e1rios e consumidores despencando, insistiu nos erros. Preferiu atacar os cr\u00edticos, gritar contra os pessimistas, a mudar. A cada n\u00famero ruim da economia, arrumava culpados, em especial, a crise internacional. Durante a campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, j\u00e1 com o pa\u00eds mergulhando na recess\u00e3o e o desemprego batendo \u00e0 porta, preferiu recorrer \u00e0 mentira e a campanhas para destruir quem se pusesse no caminho. N\u00e3o economizou no marketing. <\/p>\n<p>O resultado colhido por Dilma foi o pior poss\u00edvel. O PIB de 2014 e o resultado j\u00e1 contratado para este ano explicitam o quanto escolhas erradas podem destruir uma economia do porte da brasileira. Agora, amea\u00e7ada pelo impeachment e com a popularidade no ch\u00e3o, a presidente tenta se salvar justamente pela economia. Abriu m\u00e3o de convic\u00e7\u00f5es, afastou-se de aliados de primeira hora e se entregou ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, respons\u00e1vel por tocar um doloroso ajuste fiscal. <\/p>\n<p>A nova Dilma ainda n\u00e3o convence a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o. Ela sequer tem o apoio de seu partido, o PT. A base aliada no Congresso est\u00e1 esfacelada. Mas, para o bem do pa\u00eds, tomara que, desta vez, a presidente esteja convencida de que a sua cota de erros extrapolou h\u00e1 tempos. Somente o fato de se manter distante do dia a dia da economia ser\u00e1 suficiente para que, aos poucos, \u00e0 medida que os resultados do ajuste forem aparecendo, a confian\u00e7a volte e o Brasil se livre das amarras do atraso. <\/p>\n<p>Investimentos em queda <\/p>\n<p>\u00bb Se as contas dos especialistas estiverem certas, os investimentos produtivos ca\u00edram 7% no quatro trimestre de 2014. \u00c9 poss\u00edvel que tamb\u00e9m o consumo das fam\u00edlias venha negativo, se levado em conta que o Natal passado foi o pior em uma d\u00e9cada para o varejo. <\/p>\n<p>Cr\u00e9dito escasso&nbsp;\u00bb T\u00e9cnicos do governo admitem que a economia se ressentir\u00e1 muito neste ano do encolhimento do cr\u00e9dito. Apesar de estarem com o caixa abarrotado, o que tem obrigado o Banco Central a intervir diariamente no mercado para retirar o excesso de dinheiro em circula\u00e7\u00e3o, os bancos n\u00e3o se animam a emprestar. <\/p>\n<p>Temor de quebradeira <\/p>\n<p>\u00bb O temor maior das institui\u00e7\u00f5es financeiras \u00e9 com o calote de empresas. Com a economia fraca e o risco de fal\u00eancia de grandes empreiteiras pegas no esquema de corrup\u00e7\u00e3o da Petrobras, a determina\u00e7\u00e3o \u00e9 manter o p\u00e9 fundo no freio. <\/p>\n<p>Financiamento \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>\u00bb A boa not\u00edcia no mercado de cr\u00e9dito \u00e9 que a demanda por financiamentos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es voltou a crescer. Com o d\u00f3lar mais alto, as companhias que vendem para o exterior voltaram a bater \u00e0s portas dos bancos. Pode ser um al\u00edvio em meio ao mar de m\u00e1s not\u00edcias. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 16h20min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo j\u00e1 preparou o discurso para a sexta-feira, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgar\u00e1 os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre e de todo o ano de 2014. 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