{"id":7191,"date":"2018-02-10T06:25:17","date_gmt":"2018-02-10T08:25:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7191"},"modified":"2018-02-10T12:37:02","modified_gmt":"2018-02-10T14:37:02","slug":"correio-economico-previc-impediu-serpros-de-impor-perdas-de-r-200-mi-associados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-previc-impediu-serpros-de-impor-perdas-de-r-200-mi-associados\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Previc impediu Serpros de impor perdas de R$ 200 mi a associados"},"content":{"rendered":"<h2>A farra com dinheiro dos trabalhadores no Postalis, o fundo de pens\u00e3o dos Correios, levou a Superintend\u00eancia Nacional de Previd\u00eancia Complementar (Previc) a ligar o sinal de alerta. A meta \u00e9 evitar que mais dinheiro dos poupadores escorra pelo ralo da corrup\u00e7\u00e3o. Segundo o diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Monitoramento do \u00f3rg\u00e3o, Sergio Djundi Taniguchi, 25 funda\u00e7\u00f5es est\u00e3o hoje sob supervis\u00e3o permanente. Juntas, representam quase 80% do patrim\u00f4nio do sistema fechado de previd\u00eancia complementar, de mais de R$ 800 bilh\u00f5es.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por meio desse monitoramento, a Previc coloca dois fiscais em cada fundo, que passam a acompanhar todas as opera\u00e7\u00f5es da entidade. Nenhum investimento \u00e9 realizado sem que tenha sido submetido ao crivo deles. Foi assim que os fiscais conseguiram abortar um preju\u00edzo de R$ 200 milh\u00f5es do Serpros, o fundo dos empregados do Serpro, empresa de tecnologia controlada pelo Minist\u00e9rio da Fazenda. O Serpros, pelo que levantou a Previc, estava repetindo todas as opera\u00e7\u00f5es que levaram o Postalis a acumular preju\u00edzos superiores a R$ 6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando chegaram ao Serpros, os fiscais da Previc perceberam que a ent\u00e3o diretoria, indicada por partidos pol\u00edticos, estava metendo o dinheiro dos trabalhadores em neg\u00f3cios sem retorno. Para tentar estancar a roubalheira, a Previc interveio na funda\u00e7\u00e3o. Durante mais de um ano, houve um processo de saneamento na entidade. Poucos meses depois de ser devolvido aos gestores, por\u00e9m, o Serpros sofreu nova interven\u00e7\u00e3o. A Previc constatou que todos os malfeitos haviam voltado com for\u00e7a. Ao retomarem a gest\u00e3o do fundo, os fiscais brecaram um investimento milion\u00e1rio no antigo Porc\u00e3o, que quebrou e foi um dos piores neg\u00f3cios feitos pelo Postalis. Mesmo com todo o trabalho da Previc, o Serpros acumular\u00e1 preju\u00edzos de R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Reputa\u00e7\u00e3o ilibada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que chama a aten\u00e7\u00e3o nesse grupo de 25 fundos de pens\u00e3o que est\u00e3o sob supervis\u00e3o permanente da Previc \u00e9 que a maioria absoluta \u00e9 ligada a empresas estatais, e acabam sendo usadas como barganha pol\u00edtica. Taniguchi diz que o rigor maior na sele\u00e7\u00e3o dos administradores dos fundos \u00e9 recente. Para se ter uma ideia, at\u00e9 o fim de 2017, n\u00e3o estava previsto em lei a necessidade dos dirigentes de funda\u00e7\u00f5es terem reputa\u00e7\u00e3o ilibada, um requisito primordial. Qualquer um, mesmo com a ficha suja, poderia comandar um fundo de pens\u00e3o. Agora, h\u00e1 um filtro maior feito pela Previc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fim dos anos 1990, depois de sucessivos esc\u00e2ndalos, houve uma tentativa de moralizar a gest\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es com a aprova\u00e7\u00e3o, pelo Congresso, da Lei Complementar 109. Mas n\u00e3o se previu a reputa\u00e7\u00e3o ilibada. Os congressistas, muito espertamente, deixaram as portas abertas para indicar seus apadrinhados, encarregados de surrupiarem o dinheiro poupado para complementar a aposentadoria dos trabalhadores. Antecessora da Previc, a Secretaria de Previd\u00eancia Complementar (SPC) pouco p\u00f4de fazer para barrar a farra de indica\u00e7\u00f5es. Foi preciso anos e anos de irregularidades para se impor limites.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Previc ressalta que, al\u00e9m do maior rigor na sele\u00e7\u00e3o de dirigentes de fundos de pens\u00e3o, h\u00e1 uma integra\u00e7\u00e3o maior entre os \u00f3rg\u00e3os reguladores e fiscaliza\u00e7\u00f5es. Foi por meio de um amplo trabalho realizado pelo \u00f3rg\u00e3o que o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a Pol\u00edcia Federal detonaram a Opera\u00e7\u00e3o Pausare, que desvendou irregularidades no Postalis, e a Opera\u00e7\u00e3o Greenfield, que combateu fraudes na Funcef, a funda\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios da Caixa Econ\u00f4mica Federal, e na Petros, dos empregados da Petrobras. Em outros tempos, todo o trabalho da Previc, certamente, iria para o lixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Taniguchi reconhece que ainda h\u00e1 muito a avan\u00e7ar na regula\u00e7\u00e3o e na fiscaliza\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o. Hoje, por exemplo, a Previc s\u00f3 consegue ter acesso a todas as opera\u00e7\u00f5es das entidades que n\u00e3o est\u00e3o sob supervis\u00e3o permanente um m\u00eas depois de realizadas. O ideal \u00e9 que esse acompanhamento passe a ser feito em tempo real. \u201cMas j\u00e1 caminhamos muito. At\u00e9 bem pouco tempo, a presta\u00e7\u00e3o de contas era trimestral, e n\u00e3o havia um detalhamento das opera\u00e7\u00f5es. Os fundos apresentavam um quadro fechado, sem explicar como o dinheiro havia sido movimentado no per\u00edodo\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele afirma ainda que a Previc est\u00e1 preparando uma minuta para aumentar a multa aplicada aos gestores de funda\u00e7\u00f5es que forem pegos desviando recursos das aposentadorias dos trabalhadores. Atualmente, a multa m\u00e1xima \u00e9 de R$ 46 mil por pessoa. O objetivo \u00e9 elevar esse valor para at\u00e9 R$ 2,6 milh\u00f5es, quantia comparada \u00e0 cobrada pela Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM) em caso de crimes no mercado de capitais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor da Previc, nem todos os problemas enfrentados pelas funda\u00e7\u00f5es devem ser atribu\u00eddos \u00e0 m\u00e1 gest\u00e3o e \u00e0 roubalheira. O pa\u00eds viveu uma crise econ\u00f4mica pesada, que afetou v\u00e1rios neg\u00f3cios nos quais os fundos t\u00eam participa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 verdade que houve muitas coisas n\u00e3o republicanas, mas a crise foi profunda\u201d, diz. Ele ressalta que, com a queda dos juros, a administra\u00e7\u00e3o dos recursos dos trabalhadores ter\u00e1 de ser ainda mais eficiente, pois os riscos assumidos v\u00e3o aumentar. Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para entregar o comando das funda\u00e7\u00f5es a pessoas cujas principais credenciais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es estreitas que mant\u00eam com pol\u00edticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pa\u00eds t\u00eam 307 funda\u00e7\u00f5es fechadas de previd\u00eancia complementar, que pagam cerca de R$ 50 bilh\u00f5es por ano em benef\u00edcios. O n\u00famero de participantes do sistema anda estagnado. Para Taniguchi, a falta de interesse dos brasileiros pelas funda\u00e7\u00f5es decorre, tamb\u00e9m, da imagem ruim que se difunde pa\u00eds afora por meio de casos como o do Postalis, da Funcef e da Petros. J\u00e1 passou da hora de p\u00f4r um ponto final nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 06h25min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A farra com dinheiro dos trabalhadores no Postalis, o fundo de pens\u00e3o dos Correios, levou a Superintend\u00eancia Nacional de Previd\u00eancia Complementar (Previc) a ligar o sinal de alerta. A meta \u00e9 evitar que mais dinheiro dos poupadores escorra pelo ralo da corrup\u00e7\u00e3o. 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