{"id":727,"date":"2016-04-06T23:36:33","date_gmt":"2016-04-07T02:36:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=727"},"modified":"2016-04-06T23:36:33","modified_gmt":"2016-04-07T02:36:33","slug":"bancos-medios-sentem-efeito-da-crise-prejuizos-dao-as-caras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bancos-medios-sentem-efeito-da-crise-prejuizos-dao-as-caras\/","title":{"rendered":"BANCOS M\u00c9DIOS SENTEM EFEITO DA CRISE. PREJU\u00cdZOS D\u00c3O AS CARAS"},"content":{"rendered":"<p>\u00bb ANTONIO TEM\u00d3TEO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os bancos parecem o melhor neg\u00f3cio do Brasil, sobretudo em tempo de crise. Em muitos casos, s\u00e3o mesmo. Mas n\u00e3o em todos. A fraqueza da atividade econ\u00f4mica, o aumento da infla\u00e7\u00e3o e a alta do desemprego atingiram em cheio quase metade das institui\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio porte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levantamento da ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Austin Rating, a pedido do <b>Correio<\/b>, aponta que, de um grupo significativo de 45 institui\u00e7\u00f5es financeiras nessa categoria, houve problemas em quase a metade: 14 tiveram queda de lucro e cinco registraram preju\u00edzo l\u00edquido em 2015. Outras duas n\u00e3o registraram crescimento \u2014 o que, com a infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos, significa andar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os 24 bancos restantes tiveram eleva\u00e7\u00e3o de lucros. Os dados ainda apontam que a carteira de cr\u00e9dito desse segmento encolheu 0,9% em rela\u00e7\u00e3o a 2014 \u2014 passou de R$ 176,8 bilh\u00f5es para R$ 175,1 bilh\u00f5es \u2014, enquanto as provis\u00f5es para perdas cresceram 9,2% e totalizaram R$ 8,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco analisou os n\u00fameros dos bancos que publicaram os balan\u00e7os do ano passado at\u00e9 31 de mar\u00e7o de 2016 e que tinham ativos entre R$ 2 bilh\u00f5es e R$ 20 bilh\u00f5es. Os resultados negativos contrastam com os lucros registrados pelas cinco maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras brasileiras, que tampouco navegam em \u00e1guas tranquilas. As provis\u00f5es para perdas de Bradesco, Ita\u00fa, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal tiveram expans\u00e3o de 26,6%, bem superior \u00e0 dos ganhos. O aumento dos recursos reservados para cobrir calotes est\u00e1 atrelado \u00e0 possibilidade de preju\u00edzo nas grandes empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Oferta<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse risco de inadimpl\u00eancia levou os bancos m\u00e9dios a reduzir a oferta de cr\u00e9dito e aumentar a seletividade na hora de emprestar. Eles trabalham exclusivamente com linhas de financiamento para consumidores e empresas, e por isso viram os ganhos minguarem. As maiores institui\u00e7\u00f5es faturam tamb\u00e9m com tarifas cobradas por servi\u00e7os, com os resultados de seguradoras, planos de sa\u00fade e outras atividades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista Lu\u00eds Miguel Santacreu, analista s\u00eanior da Austin Raiting para institui\u00e7\u00f5es financeiras, explica que muitos dos bancos m\u00e9dios atuam em nichos espec\u00edficos. Ele detalha que, dos 45 bancos analisados, 15 s\u00e3o nacionais, 13 s\u00e3o estrangeiros, 12 de fabricantes de ve\u00edculos e m\u00e1quinas agr\u00edcolas, e cinco s\u00e3o p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estoque de financiamentos das institui\u00e7\u00f5es controladas por brasileiros encolheu 8,5% e passou de R$ 56,5 bilh\u00f5es em 2014 para R$ 51,6 bilh\u00f5es no ano passado. As provis\u00f5es tamb\u00e9m diminu\u00edram: 9,2% no mesmo per\u00edodo. \u201cCom a desacelerac\u00e3o, a carteira diminui\u201d, comentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O especialista ressalta que apesar da retra\u00e7\u00e3o, duas institui\u00e7\u00f5es desse grupo t\u00eam se destacado: os bancos Original e Intermedium. O primeiro, da holding J&amp;F que tamb\u00e9m \u00e9 dona da JBS, tem forte liga\u00e7\u00e3o com o agroneg\u00f3cio e recentemente ampliou suas opera\u00e7\u00f5es para o varejo, como atua\u00e7\u00e3o totalmente digital. A carteira de cr\u00e9dito da institui\u00e7\u00e3o cresceu 68,6% em 2015 e chegou a R$ 4,2 bilh\u00f5es. Com isso, o lucro subiu 51,1%, para R$ 111 milh\u00f5es, mas as provis\u00f5es mais que dobraram de tamanho, para R$ 139 milh\u00f5es. O segundo, criado pelos controladores da construtora MRV, \u00e9 um banco m\u00faltiplo e possui forte atua\u00e7\u00e3o no setor imobili\u00e1rio. O estoque de financiamentos cresceu 42% e chegou a R$ 2,1 bilh\u00f5es, enquanto a lucratividade atingiu R$ 32 milh\u00f5es, uma eleva\u00e7\u00e3o de 44,3%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Montadoras<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os 12 bancos de montadoras de ve\u00edculos e de fabricantes de m\u00e1quinas agr\u00edcolas viram a carteira de cr\u00e9dito encolher 5,2%, de R$ 65 bilh\u00f5es para R$ 61,6 bilh\u00f5es. \u201cOs estoques est\u00e3o altos. Muitas f\u00e1bricas deram f\u00e9rias coletivas aos trabalhadores, postergaram ou suspenderam investimentos\u201d, destacou Santacreu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com estrat\u00e9gias diversificadas e distintas, os bancos m\u00e9dios estrangeiros tiveram alta no estoque de cr\u00e9dito de 14,2%, que passou de R$ 33,6 bilh\u00f5es para R$ 38,4 bilh\u00f5es. J\u00e1 as institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas registraram aumento de 8,1% no total de opera\u00e7\u00f5es de financiamentos, mas as provis\u00f5es para perda cresceram ainda mais: 24,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Jos\u00e9 Luiz Rodrigues, s\u00f3cio da JL Rodrigues, Carlos \u00c1tila &amp; Consultores Associados, os bancos m\u00e9dios est\u00e3o ainda seletivos e com dinheiro parado em caixa. \u201cA instabilidade pol\u00edtica carrega a crise econ\u00f4mica. Mais pessoas est\u00e3o desempregadas e os financiamentos despencam. Isso precisa ser resolvido\u201d, comentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Procurado, o Banco Central (BC) n\u00e3o quis comentar o assunto. Entretanto, t\u00e9cnicos da autoridade monet\u00e1ria ouvidos reservadamente afirmaram que n\u00e3o h\u00e1 risco de insolv\u00eancia para os bancos m\u00e9dios, que est\u00e3o bem capitalizados e bom n\u00edvel de provis\u00f5es. A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (ABBC) tampouco se manifestou sobre os resultados de 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 23h34min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00bb ANTONIO TEM\u00d3TEO &nbsp; Os bancos parecem o melhor neg\u00f3cio do Brasil, sobretudo em tempo de crise. Em muitos casos, s\u00e3o mesmo. Mas n\u00e3o em todos. 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