{"id":7986,"date":"2018-05-17T06:11:46","date_gmt":"2018-05-17T09:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=7986"},"modified":"2018-05-17T09:18:17","modified_gmt":"2018-05-17T12:18:17","slug":"correio-economico-quando-os-juros-vao-subir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-quando-os-juros-vao-subir\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Quando os juros v\u00e3o subir?"},"content":{"rendered":"<h2>A manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 6,50% ao ano pelo Banco Central reacendeu um debate que o mercado vinha mantendo adormecido h\u00e1 um bom tempo: a poss\u00edvel alta do custo do dinheiro ainda em 2018. Assim como o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) surpreendeu a maioria dos analistas ao n\u00e3o mexer agora na Selic, n\u00e3o est\u00e1 descartada a hip\u00f3tese de, mais \u00e0 frente, num quadro de piora das expectativas de infla\u00e7\u00e3o, o BC elevar a taxa b\u00e1sica. Por enquanto, ressaltam especialistas, tal probabilidade \u00e9 pequena, mas n\u00e3o desprez\u00edvel.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo vai depender do comportamento do d\u00f3lar, que vem empurrando os pre\u00e7os de v\u00e1rios produtos para cima, sobretudo os dos combust\u00edveis; do quadro externo, que, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, era apontando pelo BC como favor\u00e1vel ao Brasil; e, claro, dos rumos das elei\u00e7\u00f5es. A moeda norte-americana entre R$ 3,60 e R$ 3,70 ainda n\u00e3o provoca tanto impacto na infla\u00e7\u00e3o, por causa do fraco crescimento. Mas, se a divisa caminhar para os R$ 4, o quadro ser\u00e1 bem diferente, levando o mercado a rever para cima suas proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) e a uma onde a de repasses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Tony Volpon, economista-chefe do banco su\u00ed\u00e7o UBS, a decis\u00e3o do BC de manter os juros em 6,50% foi acertada. Contudo, \u00e9 preciso deixar claro que os tempos f\u00e1ceis para a pol\u00edtica monet\u00e1ria \u2014 a Selic registrou 12 quedas seguidas desde outubro de 2016 \u2014 ficaram para tr\u00e1s. A partir de agora, o BC ter\u00e1 de transitar por um caminho bastante complicado. Qualquer erro de comunica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 resultar em aumento de juros. \u201cO Banco Central ter\u00e1 que fazer as coisas certas para n\u00e3o ter que subir a Selic\u201d, diz. Ele recomenda que a institui\u00e7\u00e3o fa\u00e7a uma interven\u00e7\u00e3o mais forte no c\u00e2mbio, com a venda de pelo menos US$ 5 bilh\u00f5es em contratos de swap, nos quais aposta na baixa do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon ressalta que, em tempos de crise, n\u00e3o se pode seguir \u00e0 risca o livro-texto de economia. Por isso, o BC n\u00e3o s\u00f3 mudou a sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Selic \u2014 uma semana atr\u00e1s, o presidente do banco, Ilan Goldfajn, disse que o Copom continuaria cortando os juros \u2014, como poder\u00e1 ser mais agressivo se a infla\u00e7\u00e3o amea\u00e7ar sair da meta. Pelos c\u00e1lculos do pr\u00f3prio BC, com a Selic mantida em 6,50% por todo o ano, a proje\u00e7\u00e3o do IPCA est\u00e1 em 4% para este ano e o pr\u00f3ximo. N\u00e3o se pode esquecer que o centro da meta de 2019 \u00e9 de 4,25%, ou seja, a margem de manobra da institui\u00e7\u00e3o para acomodar eventuais choques ficou menor. \u201cPor isso, o BC ter\u00e1 de acompanhar muito de perto o repasse do c\u00e2mbio para os pre\u00e7os\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Prud\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC diz que, por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 por que se preocupar com eventuais transmiss\u00f5es da disparada do d\u00f3lar para os pre\u00e7os, devido \u00e0 fragilidade da economia. Nas contas do banco, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda de 0,13% no primeiro trimestre do ano. Nesse contexto, \u00e9 dif\u00edcil para a ind\u00fastria e o com\u00e9rcio reajustarem os valores de mercadorias. Por esse prisma, os juros at\u00e9 deveriam cair. Mas, na avalia\u00e7\u00e3o do Copom, o quadro externo se tornou mais desafiador, com aumento da volatilidade e redu\u00e7\u00e3o do apetite de risco por economias emergentes, como o Brasil. Isso exige prud\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, o agravante de o Congresso n\u00e3o ter aprovado nenhuma das medidas apontadas como vitais para o ajuste fiscal. A perda de poder do governo fez com que deputados e senadores enterrassem as 12 medidas apresentadas pela equipe econ\u00f4mica como priorit\u00e1rias para a redu\u00e7\u00e3o do deficit p\u00fablico depois da derrota da reforma da Previd\u00eancia. Essa vulnerabilidade se agiganta em um mundo mais hostil, no qual o capital prefere se alojar em na\u00e7\u00f5es menos arriscadas, como os Estados Unidos, onde os juros est\u00e3o em alta \u2014 a diferen\u00e7a das taxas entre os dois pa\u00edses est\u00e1 cada vez menor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nessas justificativas, diz um integrante da equipe econ\u00f4mica, o certo \u00e9 que o BC n\u00e3o vai tolerar infla\u00e7\u00e3o acima da meta. Independentemente do ritmo da atividade, os juros v\u00e3o subir para manter os pre\u00e7os sob controle. A institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o vai aceitar ser testada pelo mercado. Qualquer movimento considerado anormal ser\u00e1 combatido com rigor. Isso vale, inclusive, para o c\u00e2mbio. \u201cN\u00e3o descartamos que, na abertura dos mercados nesta quinta-feira, os operadores forcem uma alta do d\u00f3lar e criem distor\u00e7\u00f5es nos contratos de juros futuros. Se fizerem isso, ter\u00e3o que aguentar a resposta do BC\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Quando 2019 chegar<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Carlos Thadeu Filho, economista s\u00eanior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o BC foi muito claro no comunicado p\u00f3s-reuni\u00e3o do Copom: sua grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com os riscos de dissemina\u00e7\u00e3o da alta do d\u00f3lar para os pre\u00e7os. Ele n\u00e3o acredita, por\u00e9m, que a autoridade monet\u00e1ria esteja cogitando subir a Selic ainda neste ano. \u201cAumento de juros significa mais desemprego e redu\u00e7\u00e3o do consumo. N\u00e3o h\u00e1 por que reduzir ainda mais o ritmo da economia, que est\u00e1 com uma ociosidade gigantesca\u201d, assinala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dele, o aumento de juros s\u00f3 entrar\u00e1 no radar em 2019, j\u00e1 com o pr\u00f3ximo presidente da Rep\u00fablica empossado. Se nada for feito para equilibrar as contas p\u00fablicas, a\u00ed, sim, uma onda de desconfian\u00e7a tender\u00e1 a varrer o pa\u00eds, com reajustes preventivos de pre\u00e7os. Por enquanto, com um BC respons\u00e1vel, os riscos de descontrole da infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o praticamente inexistentes. A manuten\u00e7\u00e3o da Selic em 6,50% ajuda a afastar incertezas. O rel\u00f3gio, por\u00e9m, est\u00e1 correndo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 6,50% ao ano pelo Banco Central reacendeu um debate que o mercado vinha mantendo adormecido h\u00e1 um bom tempo: a poss\u00edvel alta do custo do dinheiro ainda em 2018. 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