{"id":8,"date":"2015-01-02T14:25:00","date_gmt":"2015-01-02T16:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pequeno_sim_e_dai\/"},"modified":"2015-01-02T14:25:00","modified_gmt":"2015-01-02T16:25:00","slug":"pequeno_sim_e_dai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pequeno_sim_e_dai\/","title":{"rendered":"PEQUENO, SIM. E DA\u00cd?"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00bb VICENTE NUNES\u00bb DIEGO AMORIM\u00bb ANTONIO TEM\u00d3TEO  <\/p>\n<p>No mundo dos neg\u00f3cios, ser pequeno sempre foi motivo de constrangimento. N\u00e3o \u00e0 toa, muita gente meteu os p\u00e9s pelas m\u00e3os a fim de se afastar desse estigma. Hoje, por\u00e9m, ser pequeno virou motivo de orgulho. Nada de estruturas inchadas, filiais e batalh\u00e3o de empregados que possam levar ao fracasso. \u201cTrata-se de uma importante mudan\u00e7a de mentalidade\u201d, diz Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). \u201c\u00c9 essa vis\u00e3o que est\u00e1 fazendo com que um n\u00famero maior de neg\u00f3cios sobreviva aos dois primeiros anos de vida\u201d, acrescenta.  <\/p>\n<p>Juntos, por\u00e9m, os pequenos t\u00eam tamanho de gigante. S\u00e3o 9,5 milh\u00f5es de firmas registradas no pa\u00eds, o correspondente a 99% do total de empresas, que respondem por 27% do Produto Interno Bruto (PIB). No varejo, informa Roque Pellizzaro, presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Lojistas (CNDL), 86% s\u00e3o considerados pequenos. T\u00eam apenas um ponto de venda, com, no m\u00e1ximo, 100 metros quadrados e nove funcion\u00e1rios. \u201cEstamos falando de uma tropa que s\u00f3 tem empurrado o Brasil para a frente, apesar de a conjuntura econ\u00f4mica nem sempre ajudar\u201d, afirma.  <\/p>\n<p>Para o estilista J\u00f4 Pires, a liberdade de tocar sua empresa sozinho elimina a preocupa\u00e7\u00e3o com a burocracia e estimula a criatividade. \u201cN\u00e3o h\u00e1 a menor possibilidade de querer ser maior do que eu sou\u201d, enfatiza. \u201cEssa convic\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de sucesso\u201d, ressalta Ant\u00f4nio Valdir Oliveira Filho, diretor superintendente do Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Distrito Federal. \u201cSe ele se satisfaz com o tamanho que tem, n\u00e3o h\u00e1 por que querer inventar. Em muitos casos, quando se busca a expans\u00e3o, o modelo de neg\u00f3cios se perde\u201d, explica. \u201cSer pequeno \u00e9 o segredo do sucesso de muitos empreendedores\u201d, emenda.  <\/p>\n<p>Na marcenaria que toca h\u00e1 duas d\u00e9cadas, Francisco das Chagas Ferreira de Sousa, conhecido como Careca, sente arrepios quando algu\u00e9m lhe prop\u00f5e aumentar os neg\u00f3cios. \u201cMinha estrutura \u00e9 pequena por convic\u00e7\u00e3o. O importante para o sucesso \u00e9 a qualidade do produto. E isso eu tenho de sobra\u201d, garante. Para Fillipe Morales, dono de uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o, ser pequeno permite oferecer atendimento personalizado. O resultado, diz, \u00e9 o crescimento consistente das vendas. Aos que desdenham dos neg\u00f3cios de menor porte, Wandler da Cunha, fabricante de instrumentos musicais, dispara: \u201cPequeno, sim. E da\u00ed?\u201d.&nbsp;=======&nbsp;Poucos clientes, qualidade garantida  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/b88ac9c351a1391586694a7bd0e54bef.jpg\">Foto: Antonio Cunha\/CBPress  <\/p>\n<p>A oficina de marcenaria do seu Careca nem letreiro tem. O galp\u00e3o abarrotado de madeiras e ferramentas fica diante de um terreno abandonando, longe das ruas mais movimentadas da cidade, em uma zona sem glamour algum. H\u00e1 duas d\u00e9cadas, Francisco das Chagas Ferreira de Sousa \u2014 o nome de batismo do seu Careca \u2014 vive do pr\u00f3prio neg\u00f3cio, sempre pequeno. Os tr\u00eas telefones celulares enfileirados sobre uma pe\u00e7a de arm\u00e1rio n\u00e3o param de tocar. A procura \u00e9 tanta que, muito a contragosto, o marceneiro se v\u00ea obrigado a, vez ou outra, dispensar clientes. Nada, por\u00e9m, que enfraque\u00e7a nele a convic\u00e7\u00e3o de continuar longe dos holofotes.  <\/p>\n<p>Seu Careca \u2014 chamado assim desde que, certa vez, raspou a cabe\u00e7a, embora os cabelos tenham voltado a crescer \u2014 trabalha pelo menos seis dias por semana, das 8h \u00e0s 18h. Tem dois funcion\u00e1rios fixos e um terceiro que aparece quando a demanda exige. S\u00e3o, em m\u00e9dia, tr\u00eas projetos grandes por semana. H\u00e1 seis meses, ele alugou um segundo espa\u00e7o com a inten\u00e7\u00e3o de ampliar a capacidade de atendimento da demanda, mas j\u00e1 esbo\u00e7a arrependimento. \u201cN\u00e3o sei se vai dar certo, porque d\u00e1 muita dor de cabe\u00e7a. Gosto de ter controle de tudo o que est\u00e1 sendo feito, de acompanhar o trabalho de perto. Por isso, n\u00e3o quero crescer\u201d, comenta, enquanto lixa uma porta de guarda-roupa e, ao mesmo tempo, mostra-se atento aos ajudantes.  <\/p>\n<p>Homem de poucas palavras e muito trabalho, seu Careca estudou at\u00e9 a 5\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental. Nascido em Parna\u00edba, no min\u00fasculo litoral piauiense, onde, ainda pequeno, aprendeu a arte da marcenaria, pisou na capital federal pela primeira vez em 1978, \u201cem busca de aventuras\u201d, como ele explica. A aposta deu certo. \u201cHoje, n\u00e3o preciso ter inveja de ningu\u00e9m\u201d, diz, aos 56 anos.  <\/p>\n<p>O marceneiro empres\u00e1rio chega \u00e0 casa dos interessados com bloquinho amassado e caneta em m\u00e3os. Sai com a promessa de entregar o pedido em at\u00e9 15 dias. Seu Careca faz quest\u00e3o do contato direto com cada um dos clientes e atribui a essa proximidade os pagamentos em dia. \u201cJ\u00e1 demoraram a pagar, mas n\u00e3o me lembro de ter levado calote, algo comum em grandes empresas\u201d, compara.  <\/p>\n<p>Seu Careca \u00e9 rigoroso consigo e com os funcion\u00e1rios. N\u00e3o por acaso, quem pediu demiss\u00e3o nos \u00faltimos anos o fez para abrir a pr\u00f3pria oficina e colocar em pr\u00e1tica os ensinamentos do ex-patr\u00e3o. \u201cEsse homem n\u00e3o para. Gosta do que faz e n\u00e3o quer enricar por enricar. A gente percebe que o pre\u00e7o que ele cobra \u00e9 justo\u201d, conta Eugenier Salvador, 30 anos, que h\u00e1 tr\u00eas se aperfei\u00e7oa sob os comandos de Francisco. \u201cSeu Careca \u00e9 um pequeno grande empres\u00e1rio\u201d, emenda o funcion\u00e1rio.  <\/p>\n<p>&nbsp;=======&nbsp;Reservas s\u00f3 com anteced\u00eancia  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/076978d2099899efa99920cf01239753.jpg\">Carlos Vieira\/ CBpress  <\/p>\n<p>O restaurante do chef Emerson Mantovani n\u00e3o tem card\u00e1pio. Entrada, prato principal e sobremesa do dia \u2014 no almo\u00e7o ou no jantar \u2014 s\u00e3o escolhidos por ele mesmo, antes da degusta\u00e7\u00e3o pelos 12 clientes \u2014 14, no m\u00e1ximo \u2014 que se sentam ao redor da \u00fanica mesa retangular do estabelecimento. Em quase tr\u00eas anos de hist\u00f3ria, ele garante n\u00e3o ter repetido menus. Para participar da experi\u00eancia gastron\u00f4mica, n\u00e3o basta chegar e ocupar um dos lugares, como em qualquer outro restaurante. S\u00f3 entra quem reservou com anteced\u00eancia. Tudo na pequena cozinha \u00e9 devidamente planejado.  <\/p>\n<p>Formado em direito, Mantovani, hoje com 42 anos, cansou de advogar. Chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que queria mesmo era cozinhar profissionalmente e ousar, fazer diferente. Primeiro, chefiou a cozinha de um badalado restaurante da cidade, mas o pouco contato com os clientes o incomodava. H\u00e1 tr\u00eas anos, ele convenceu a mulher a, no lugar da loja de roupas infantis gerenciada por ela, arriscar um conceito diferente. No subsolo de uma comercial, ap\u00f3s uma caprichada reforma, surgiu o refinado e pequeno ambiente.  <\/p>\n<p>O Trio Gastronomia \u2014 nome escolhido em homenagem aos tr\u00eas filhos do casal \u2014 nasceu sem pretens\u00f5es de ser grande. E assim, sustenta o dono, vai continuar. \u201cSe, por acaso, eu n\u00e3o continuasse pequeno, o neg\u00f3cio perderia a ess\u00eancia\u201d, comenta ele, refor\u00e7ando que, dessa maneira, consegue manter a qualidade do servi\u00e7o e do atendimento. S\u00e3o apenas quatro funcion\u00e1rios, uma conta impens\u00e1vel em um restaurante comum. No Trio, o desperd\u00edcio de comida, problema cr\u00f4nico dos empres\u00e1rios do segmento, n\u00e3o chega a 5%.  <\/p>\n<p>\u00c9 o pr\u00f3prio Mantovani quem faz as compras, gerencia a prepara\u00e7\u00e3o dos pratos e est\u00e1 na linha de frente da opera\u00e7\u00e3o. \u201cQuero que meus funcion\u00e1rios e meus clientes se sintam bem. Com uma estrutura enxuta, isso fica muito mais f\u00e1cil\u201d, sublinha. Por ser um pequeno empres\u00e1rio assumido, o chef diz priorizar os tamb\u00e9m pequenos produtores e importadores na hora de negociar. Nada no dia a dia dele \u00e9 grandioso ou extravagante.  <\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o do conceito do Trio, lembra Mantovani, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Nos primeiros meses, a ideia parecia boa, mas faltavam clientes. Era precisa chamar os amigos para preencher a mesa. Hoje, o restaurante se firmou. Vive cheio, com lista de espera principalmente \u00e0s sextas-feiras e aos s\u00e1bados. Nem o sucesso indiscut\u00edvel, por\u00e9m, leva Mantovani a pensar em expandir o neg\u00f3cio. O m\u00e1ximo a que ele se rendeu foi \u00e0 vontade de montar um emp\u00f3rio, tamb\u00e9m pequeno, no andar de cima. Em poucas prateleiras, o chef p\u00f5e \u00e0 venda produtos exclusivos e diferenciados, muitos deles usados na cozinha. Apenas um funcion\u00e1rio cuida do local.  <\/p>\n<p>&nbsp;=======&nbsp;Gest\u00e3o inspirada na dona de casa <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/00168190bc5daa7dad80faa8000826a9.jpg\">Foto: Antonio Cunha\/ CBpress <\/p>\n<p>Wandler Pereira da Cunha, 66 anos, administra, como uma dona de casa, a pequena oficina na qual fabrica e conserta instrumentos musicais. N\u00e3o deixa escapar um detalhe que seja das receitas e das despesas, para n\u00e3o ter surpresas desagrad\u00e1veis. \u201c\u00c9 quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 como um neg\u00f3cio dar certo se as contas n\u00e3o estiverem em dia. Isso vale para tudo\u201d, aconselha.  <\/p>\n<p>No caso de Wandler, foi preciso, desde o in\u00edcio, manter os p\u00e9s bem fincados no ch\u00e3o. A raz\u00e3o: decidiu montar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio com base em um sonho de menino. \u201cSempre desejei ter uma guitarra como a de George Harrison, dos Beatles. Por um bom tempo, tentei de tudo, mas n\u00e3o consegui\u201d, conta. O desejo s\u00f3 come\u00e7ou a se tornar realidade aos 52 anos, quando passou a estudar com um luthier, como s\u00e3o chamados os que fabricam e consertam instrumentos musicais.  <\/p>\n<p>Foram quatro anos de curso, conciliados com as fun\u00e7\u00f5es de servidor p\u00fablico. \u201cEu me dediquei ao m\u00e1ximo. Primeiro, fabriquei um viol\u00e3o. Ao final, surgiu aquela que tanto ansiava, a guitarra igual \u00e0 de Harrison\u201d, relata. A pe\u00e7a est\u00e1 \u00e0 mostra para toda a clientela na oficina na qual ele d\u00e1 expediente todas as manh\u00e3s.  <\/p>\n<p>\u201cAntes de decidir por eu mesmo fazer o instrumento, vasculhei o Brasil para tentar comprar a guitarra. N\u00e3o achei. Descobri que o local mais perto em que poderia encontr\u00e1-la era a Argentina. Mas custava US$ 4 mil (R$ 10,8 mil, a valores de hoje). Recorri, ent\u00e3o, a v\u00e1rios luthiers, mas nenhum topou fabricar. O jeito foi continuar acalentando o sonho\u201d, diz.  <\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, por\u00e9m, ele faz a alegria, sobretudo de jovens m\u00fasicos que sonham com o primeiro viol\u00e3o, o primeiro cavaquinho, a primeira guitarra. Mas \u00e9 preciso ter paci\u00eancia, avisa Wandler. Como ainda n\u00e3o se aposentou e o tempo para tocar a oficina \u00e9 limitado, as encomendas levam tempo para ficar prontas. \u201cA cada dia, chegam dois ou tr\u00eas servi\u00e7os. S\u00e3o, principalmente, consertos de instrumentos\u201d, destaca. \u201cS\u00f3 consigo dar conta de dois ou tr\u00eas por semana. Quanto \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de qualquer pe\u00e7a, s\u00e3o apenas duas por ano\u201d, complementa.  <\/p>\n<p>O luthier n\u00e3o tem empregados. Conta apenas com a ajuda de um amigo, advogado, que dedica o tempo livre para fazer o que gosta: recuperar pe\u00e7as musicais. Ele ganha uma comiss\u00e3o sobre cada servi\u00e7o prestado. \u201cAl\u00e9m de consertos e fabrica\u00e7\u00e3o, dou aulas das sete \u00e0s nove da manh\u00e3 para aqueles que querem se tornar luthiers. O curso dura, em m\u00e9dia, cinco anos\u201d, frisa Wandler.  <\/p>\n<p>Ele espera se aposentar em breve para ampliar o funcionamento da oficina. Para isso, preparou-se para o futuro que escolheu. \u201cA oficina ser\u00e1 a minha terceira fonte de ganho. Terei a pens\u00e3o da Previd\u00eancia do setor p\u00fablico, a previd\u00eancia complementar e os ganhos da profiss\u00e3o dos meus sonhos\u201d, diz. Wandler nasceu em Manaus e se mudou para Bras\u00edlia aos 40 anos. Nem pensa em deixar a cidade. Acredita que poder\u00e1 conciliar a boa qualidade de vida que a capital oferece com a clientela que construiu em uma d\u00e9cada como empreendedor. \u201cEstou com a vida ganha e convencido de que continuarei como pequeno empres\u00e1rio. Crescer para qu\u00ea?\u201d indaga.  <\/p>\n<p>&nbsp;=======&nbsp;Sem medo da concorr\u00eancia  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/786df1106b8fa95afd2625a19abb274a.jpg\">Foto: Antonio Cunha\/ CBpress  <\/p>\n<p>Aos 69 anos, J\u00f4 Pires \u00e9 s\u00f3 alegria. E o motivo: seu neg\u00f3cio, mesmo com tantos problemas na economia do pa\u00eds, se mant\u00e9m firme e forte. \u201cTenho uma clientela cativa, que me prestigia h\u00e1 anos\u201d, diz. J\u00f4 \u00e9 estilista das antigas. Daqueles que t\u00eam prazer em pegar um peda\u00e7o de pano e, como ressalta, \u201ctransform\u00e1-lo em obra de arte\u201d. O costureiro n\u00e3o tem s\u00f3cios nem empregados fixos. \u00c9 o \u00fanico respons\u00e1vel por tocar a empresa. \u201cNem me passa pela cabe\u00e7a ser maior do que sou\u201d, enfatiza.  <\/p>\n<p>Nem sempre foi assim. Natural de Ipameri, no interior de Goi\u00e1s, J\u00f4 mudou-se para Bras\u00edlia aos 23 anos atra\u00eddo por uma proposta de sociedade. Uma conhecida da cidade dele ficou encantada pelo trabalho que ele fazia e o convidou para montarem um ateli\u00ea na capital do pa\u00eds, que, \u00e0 \u00e9poca, \u201cfervilhava de glamour\u201d. Aceitou na hora. \u201cJ\u00e1 nascemos grandes para a \u00e9poca. Fabric\u00e1vamos, no m\u00ednimo, seis vestidos por dia\u201d, conta. \u201cT\u00ednhamos seis costureiras, ajudantes, uma tropa para dar conta de tantas encomendas\u201d, relembra.  <\/p>\n<p>Com o sucesso dos neg\u00f3cios, vieram as cobran\u00e7as. A s\u00f3cia passou a se preocupar demais com os lucros, que acabaram minguando n\u00e3o por falta de pedidos, mas pelo custo da estrutura montada. Em um ano, a parceria se desfez. J\u00f4 continuou com uma boa carteira de clientes. Naquele per\u00edodo, vestia quatro das 10 mulheres consideradas as mais elegantes de Bras\u00edlia. Tamb\u00e9m era ele quem cuidava dos trajes das misses do Distrito Federal. \u201cQuase n\u00e3o tinha tempo para nada, nem para minha fam\u00edlia\u201d, admite.  <\/p>\n<p>Construiu um bom patrim\u00f4nio. Mas, aos poucos, foi reduzindo o ritmo de trabalho, at\u00e9 decidir que estava na hora de ser s\u00f3 ele a tocar o neg\u00f3cio. \u201cN\u00e3o me arrependo. Continuo trabalhando muito, das sete da manh\u00e3 \u00e0s oito da noite, de segunda a s\u00e1bado. Mas, em vez de ficar me preocupando com burocracia, dezenas de impostos, em administrar um pelot\u00e3o de funcion\u00e1rios, canalizo minhas energias para a criatividade. At\u00e9 agora, est\u00e1 dando certo\u201d, ressalta. \u201cE como fa\u00e7o um produto diferenciado, n\u00e3o sofro com a concorr\u00eancia, sobretudo das roupas que v\u00eam de fora, que t\u00eam boa qualidade e pre\u00e7os baixos\u201d, emenda.  <\/p>\n<p>Recentemente, J\u00f4 recebeu propostas para ampliar o ateli\u00ea por meio de sociedade com algumas clientes. \u201cPensei, pensei, mas conclu\u00ed que s\u00f3 teria problemas. N\u00e3o daria certo e ainda perderia parcela importante da minha clientela\u201d, avalia. Hoje, o costureiro faz, em m\u00e9dia, um vestido por dia. Se for para noiva, um modelo exclusivo n\u00e3o sai por menos de R$ 30 mil. As pe\u00e7as para festas variam, cada uma, entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. \u201cLido com tecidos especiais, que custam caro. E tem todo o processo criativo\u201d, destaca.  <\/p>\n<p>J\u00f4 nem pensa em se aposentar. J\u00e1 disse aos dois filhos \u2014 Carlos Eduardo, 32 anos, e Maria Carolina, 22 \u2014 que, enquanto estiver com a cabe\u00e7a fervilhante e as m\u00e3os firmes para manejar as tesouras que trouxe, ainda jovem, de Ipameri, continuar\u00e1 na ativa. \u201cMinha vida est\u00e1 no meu trabalho. Independentemente de ter um neg\u00f3cio pequeno, \u00e9 o que me permite contribuir para gerar riqueza para o pa\u00eds. Em casa, viveria basicamente \u00e0s custas do Estado. N\u00e3o nasci para isso. Sou empreendedor\u201d, sentencia.  <\/p>\n<p>&nbsp;=======&nbsp;Metas para estimular as vendas  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/8bb9d826a35f040d52cb20c60e0cb640.jpg\">Foto: Carlos Vieira\/ CBpress  <\/p>\n<p>Conhecer os clientes pelo nome, dar aos mais antigos o luxo de levar a mercadoria em um dia e acertar a conta no outro s\u00e3o algumas das regalias oferecidas pela loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o administrada por Fillipe de Matos Morales. Ele pertence \u00e0 terceira gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia a tocar o neg\u00f3cio aberto no Lago Norte, bairro nobre do Distrito Federal, pelo av\u00f4 materno Oldemar h\u00e1 22 anos. A gest\u00e3o da empresa \u00e9 dividida com a m\u00e3e dele, Christianne, e com a tia Alessandra.  <\/p>\n<p>O jovem de 25 anos explica que a fam\u00edlia sempre teve esp\u00edrito empreendedor, com foco no neg\u00f3cio de bairro, montado para atender \u00e0s necessidades dos moradores da regi\u00e3o. Quem precisa comprar uma escada, trocar uma l\u00e2mpada ou pintar o port\u00e3o recorre \u00e0 loja de Fillipe. \u201cNossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 oferecer um atendimento personalizado. Por isso, estamos satisfeitos com o nosso porte. Temos 16 funcion\u00e1rios, mantemos a estrutura enxuta e n\u00e3o pretendemos mudar\u201d, afirma.  <\/p>\n<p>Apesar de gerenciar uma estrutura simples, Morales diz que o grande desafio \u00e9 continuar inovando. Ele, que passou a dividir as tarefas com a m\u00e3e e a tia h\u00e1 um ano, criou um sistema de metas e bonifica\u00e7\u00f5es para os empregados: quem atinge os objetivos \u00e9 recompensado com remunera\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis. Al\u00e9m disso, trocou os caminh\u00f5es de entrega por modelos novos para reduzir custos com a manuten\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos.  <\/p>\n<p>Morales ressalta que manter um pequeno neg\u00f3cio tamb\u00e9m \u00e9 vantajoso pelo regime tribut\u00e1rio simplificado. Mas reclama que os impostos recolhidos n\u00e3o s\u00e3o reinvestidos em melhorias para cidad\u00e3os e comerciantes. \u201cOs mecanismos de controle est\u00e3o cada vez mais sofisticados para coibir a sonega\u00e7\u00e3o. Emitimos notas fiscais, fazemos o recolhimento. O retorno, contudo, n\u00e3o existe\u201d, reclama.  <\/p>\n<p>Mesmo com os problemas comuns a quem resolve empreender, Morales avalia que h\u00e1 mais o que comemorar. Entre os principais benef\u00edcios, ele enumera o fato de morar perto do trabalho e o de ter rotina definida. \u201cNos anos de est\u00e1gio e de trabalho em outras companhias, ficava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos chefes e tinha pouca qualidade de vida. Empreender n\u00e3o significa abrir m\u00e3o da vida.\u201d (AT)&nbsp;=======&nbsp;Dois anos de aprendizado  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/28c3836c3093fe3610e76ee4eedc0bcc.jpg\">Foto: Marcelo Ferreira\/ CBpress  <\/p>\n<p>Completar o ciclo de teorias em sala de aula e, em seguida, decidir montar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o simples. Mas os resultados superam os transtornos. As publicit\u00e1rias Fernanda Mujica, 25 anos, e Alessandra Cavendish, 25, se formaram na Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e seguiram para especializa\u00e7\u00e3o na Espanha e nos Estados Unidos. O produto final foi a cria\u00e7\u00e3o de uma ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o e design.  <\/p>\n<p>O conceito do projeto passava pelo desenvolvimento de marcas para organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais ligadas ao desenvolvimento sustent\u00e1vel. Todos os processos foram feitos para que o neg\u00f3cio proporcionasse maior intera\u00e7\u00e3o e deixasse de lado a formalidade entre clientes e prestador de servi\u00e7o. Na volta para o Brasil, h\u00e1 dois anos, Fernanda, apaixonada pela cria\u00e7\u00e3o, reencontrou a amiga Alessandra, obcecada por planejamento.  <\/p>\n<p>Profissionais que se complementam, as duas tiraram o projeto do papel. A burocracia para abrir uma pequena empresa atrapalhou o in\u00edcio. Com pouco capital, elas aderiram ao programa microempreendedor individual. Outra dificuldade surgiu no contato com o p\u00fablico-alvo. Conforme Fernanda, as ONGs brasileiras s\u00e3o atendidas por grandes ag\u00eancias e n\u00e3o se interessam em criar identidade visual pr\u00f3pria.  <\/p>\n<p>Para driblar mais esse problema, passaram a atender micro e pequenas empresas interessadas em criar marca pr\u00f3pria. As duas levam entre 30 e 90 dias para realizar cada trabalho. \u201cJ\u00e1 fizemos mais de 30 projetos em dois anos. Com o aumento da demanda, contratamos dois estagi\u00e1rios. Agora, vamos migrar para o Simples Nacional, mas queremos continuar com o neg\u00f3cio pequeno\u201d, detalha Alessandra.  <\/p>\n<p>Para elas, manter a empresa como est\u00e1 ajuda a oferecer atendimento personalizado, em que o contato com o cliente \u00e9 determinante para a entrega de um produto diferenciado. \u201cNa faculdade, n\u00e3o nos ensinam a abrir uma empresa, mas aprendemos muito nesses poucos dois anos. Seremos pequenas, mas com um trabalho cada vez melhor\u201d, diz Fernanda.  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00bb VICENTE NUNES\u00bb DIEGO AMORIM\u00bb ANTONIO TEM\u00d3TEO No mundo dos neg\u00f3cios, ser pequeno sempre foi motivo de constrangimento. N\u00e3o \u00e0 toa, muita gente meteu os p\u00e9s pelas m\u00e3os a fim de se afastar desse estigma. Hoje, por\u00e9m, ser pequeno virou motivo de orgulho. Nada de estruturas inchadas, filiais e batalh\u00e3o de empregados que possam levar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}