{"id":83,"date":"2015-04-08T00:01:00","date_gmt":"2015-04-08T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/senhora_inflacao\/"},"modified":"2015-04-08T00:01:00","modified_gmt":"2015-04-08T03:01:00","slug":"senhora_inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/senhora_inflacao\/","title":{"rendered":"SENHORA INFLA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p>A carestia que faz estrago no or\u00e7amento das fam\u00edlias dar\u00e1 as caras hoje com toda a sua feiura. Se a maior parte dos analistas estiver correta, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou, em mar\u00e7o, alta de 1,39%. Com isso, no acumulado do primeiro trimestre, a infla\u00e7\u00e3o medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) atingiu 3,90%, taxa sem precedentes para o per\u00edodo desde 2003, in\u00edcio do governo Lula. Em 12 meses, o salto do custo de vida ser\u00e1 de 8,20%, o equivalente a 60% do teto da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), de 6,5%. <\/p>\n<p>Qualquer que seja a compara\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros s\u00e3o de assustar. Ser\u00e1 a primeira vez, em 12 anos, que o IPCA ficar\u00e1 acima de 1% por tr\u00eas meses seguidos. Somente a energia el\u00e9trica subiu mais de 30%, aumento que foi engrossado pela alta dos combust\u00edveis e pelos reajustes dos alimentos. O Banco Central vem pregando que a carestia dar\u00e1 tr\u00e9gua a partir de agora. Mas, no entender dos analistas, ser\u00e1 um al\u00edvio moment\u00e2neo. Mesmo com taxas menores em abril (0,7%), maio (0,5%) e junho (0,3%), a senhora infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 acima de 7% em 12 meses, podendo atingir seu \u00e1pice em agosto, ao bater em 8,4%. <\/p>\n<p>Nada do que estamos vendo hoje foi obra do acaso. O custo de vida t\u00e3o elevado reflete as escolhas erradas feitas pela presidente Dilma Rousseff nos quatro primeiros anos de governo. Apesar de a infla\u00e7\u00e3o ter ficado no teto da meta ou acima dele constantemente, pouco foi feito de efetivo para conter os reajustes. O que se viu foi um Banco Central subordinado ao Pal\u00e1cio do Planalto, assistindo pass\u00edvel \u00e0 carestia aumentar, e um Minist\u00e9rio da Fazenda especializado em maquiagens cont\u00e1beis e tarif\u00e1rias. Sob as ordens de Guido Mantega, fez-se o diabo para encobrir a gastan\u00e7a desenfreada e segurou-se, o quanto p\u00f4de, as tarifas de energia el\u00e9trica e os pre\u00e7os dos combust\u00edveis. <\/p>\n<p>O estrago foi tamanho que, mesmo com a economia em recess\u00e3o \u2014 estima-se tombo de pelo menos 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano \u2014, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o cedeu. Pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 subiu. Nem mesmo o forte aumento das taxas de juros desde 2013 pelo BC \u2014 foram 5,5 pontos percentuais, para 12,75% ao ano \u2014 conseguiu reverter os reajustes disseminados. Estima-se que, de cada 10 produtos e servi\u00e7os pesquisados pelo IBGE, em m\u00e9dia, sete v\u00eam tendo os pre\u00e7os aumentados constantemente. <\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o elevada agrava a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias endividadas, que, desde o in\u00edcio do ano, t\u00eam se deparando com o desemprego. Nos c\u00e1lculos do BC, quase metade da renda mensal dos lares est\u00e1 sendo usada para o pagamento do principal e dos juros de d\u00edvidas. Os efeitos dessa combina\u00e7\u00e3o perversa s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o piores porque, nos \u00faltimos anos, criou-se uma importante rede de prote\u00e7\u00e3o social, lembra o economista Pedro Paulo Silveira, da TOV Corretora. Mas at\u00e9 aqueles que recebem benef\u00edcios do governo, sobretudo os mais pobres, est\u00e3o pagando caro pela fatura acumulada por Dilma no primeiro mandato. <\/p>\n<p><b>Sensa\u00e7\u00e3o de empobrecimento<\/b> <\/p>\n<p>T\u00e9cnicos do Banco Central reconhecem que n\u00e3o h\u00e1 como o governo pensar em recuperar a popularidade com a infla\u00e7\u00e3o t\u00e3o alta. \u00c9 poss\u00edvel que, com os alimentos subindo menos at\u00e9 junho ou julho, o mau humor diminua um pouco. Mas nada que mude a percep\u00e7\u00e3o do grosso da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o da presidente Dilma. A carestia se prolongou por tempo demais e a queda real na renda se consolidou. A sensa\u00e7\u00e3o de empobrecimento ganhou for\u00e7a. E levar\u00e1 tempo para que ela se dilua no tempo, pois n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de retomada do crescimento. <\/p>\n<p><b>Consumo esgotado<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb As vendas de eletrodom\u00e9sticos devem cair neste ano pela primeira vez desde 2003, preveem os economistas F\u00e1bio Silveira e Amabile Ferrazoli, da consultoria GO Associados. O recuo deve ser de 2%. Al\u00e9m dos juros altos, v\u00e3o contribuir para esse resultado a redu\u00e7\u00e3o da massa salarial e o aumento de pre\u00e7os, devido \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.<b> <\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o sobre o Confaz<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A secret\u00e1ria da Fazenda de Goi\u00e1s, Ana Carla Abr\u00e3o Costa, est\u00e1 otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reuni\u00e3o do Conselho Nacional Pol\u00edtica de Fazend\u00e1ria (Confaz), organizada por ela, amanh\u00e3 e sexta-feira, em Goi\u00e2nia. O encontro ter\u00e1 como temas principais a convalida\u00e7\u00e3o de incentivos fiscais, a converg\u00eancia das al\u00edquotas do ICMS e a cria\u00e7\u00e3o do fundo para equaliza\u00e7\u00e3o das perdas dos estados. \u201cTemos tudo para anunciarmos um acordo sobre esses tr\u00eas pontos\u201d, diz. <\/p>\n<p><b>Fundo para compensa\u00e7\u00f5es<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Para Ana Carla, ser\u00e1 apresentado ao Confaz um novo estudo sobre as perdas dos estados com a unifica\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas do ICMS a fim de dar mais subs\u00eddios sobre o tamanho do fundo de compensa\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos atualizando os dados, que ser\u00e3o mais fidedignos e s\u00f3lidos do que os apresentados em 2011\u201d, afirma ela, lembrando que, naquela \u00e9poca, o valor, em torno de US$ 100 bilh\u00f5es, mostrou-se invi\u00e1vel. <\/p>\n<p><b>M\u00e3os de tesoura<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A secret\u00e1ria de Fazenda de Goi\u00e1s, que vem tocando um duro ajuste fiscal, conta ainda que n\u00e3o se incomoda com o apelido de m\u00e3os de tesoura. &#8220;Faz parte da minha atividade. Neste momento, \u00e9 quase um elogio, porque \u00e9 preciso fazer uma gest\u00e3o austera por sobreviv\u00eancia.\u201d Os estados ser\u00e3o vitais para o cumprimento da meta fiscal de 1,2% do PIB prometida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. <\/p>\n<p><b>Perd\u00e3o, leitores<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Ao contr\u00e1rio do que informou a coluna ontem, a Queiroz Galv\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o judicial. A empresa que recorreu \u00e0 Justi\u00e7a para reestruturar sua d\u00edvida \u00e9 a Galv\u00e3o Engenharia. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A carestia que faz estrago no or\u00e7amento das fam\u00edlias dar\u00e1 as caras hoje com toda a sua feiura. Se a maior parte dos analistas estiver correta, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou, em mar\u00e7o, alta de 1,39%. 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