{"id":8324,"date":"2018-06-09T06:57:07","date_gmt":"2018-06-09T09:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=8324"},"modified":"2018-06-09T11:05:12","modified_gmt":"2018-06-09T14:05:12","slug":"correio-economico-queda-do-dolar-e-apenas-uma-pausa-no-panico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/correio-economico-queda-do-dolar-e-apenas-uma-pausa-no-panico\/","title":{"rendered":"Correio Econ\u00f4mico: Queda do d\u00f3lar \u00e9 apenas uma pausa no p\u00e2nico"},"content":{"rendered":"<h2>O governo respirou aliviado ontem com a queda de mais de 5% do d\u00f3lar \u2014 a maior em um dia desde 2008 \u2014, mas nem de longe baixou a guarda. Tanto o Pal\u00e1cio do Planalto quanto a equipe econ\u00f4mica sabem que os mercados est\u00e3o muito longe de darem tr\u00e9gua. Os investidores responderam favoravelmente \u00e0 interven\u00e7\u00e3o feita pelo Banco Central. Contudo, deixaram claro que seus movimentos ser\u00e3o guiados por dois eventos importantes. Um, interno, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Outro, externo, o aumento dos juros nos Estados Unidos. H\u00e1 muita incerteza nos dois campos.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para integrantes do governo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ter\u00e1 que suar muito a camisa. Se as pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de votos continuarem mostrando Jair Bolsonaro e Ciro Gomes na lideran\u00e7a, a muni\u00e7\u00e3o do BC ter\u00e1 que aumentar. Por enquanto, o arsenal de US$ 20 bilh\u00f5es foi suficiente para espantar o p\u00e2nico dos mercados. No entanto, o descompromisso desses dois candidatos com reformas como a da Previd\u00eancia Social tende a enlouquecer os donos do dinheiro. Nesse quadro, combinado a um aumento mais forte dos juros nos EUA, o d\u00f3lar pode ir a R$ 5 e o BC seria obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 6,50% ao ano. Seria \u201co beijo da morte\u201d, como diz um integrante do governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise dentro do governo e no mercado \u00e9 a de que o BC teria dois caminhos a percorrer ante o nervosismo que levou o d\u00f3lar a flertar com R$ 4, um convencional, outro n\u00e3o convencional. A autoridade monet\u00e1ria optou pela primeira op\u00e7\u00e3o. Dentro do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o e com os \u00edndices de pre\u00e7os controlados, interveio no c\u00e2mbio, mas manteve a taxa de juros inalterada. O BC s\u00f3 subiria a Selic se as proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) desandassem, indicando sinais de descontrole. N\u00e3o \u00e9 o caso. Pelos modelos do BC, mesmo com o d\u00f3lar a R$ 3,80, a infla\u00e7\u00e3o deste ano ficaria abaixo do centro da meta, de 4,5%. Em 2019, se situaria ligeiramente acima do objetivo definido em lei, de 4,25%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caminho n\u00e3o convencional, o BC seguiria a rota tomada pela Turquia. Para conter o ataque \u00e0 lira turca e evitar a disparada da infla\u00e7\u00e3o, a autoridade monet\u00e1ria daquele pa\u00eds elevou os juros para 17,75% ao ano, um baque. Por enquanto, acredita Ilan Goldfajn, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de se mexer na Selic. Isso n\u00e3o quer dizer, entretanto, que o BC brasileiro n\u00e3o possa elevar os juros j\u00e1 na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), marcada para 19 e 20 de junho. Ilan deixa claro que usar\u00e1 todos os instrumentos dispon\u00edveis para conter movimentos de p\u00e2nico. Mas, neste momento, prefere apostar na fragilidade da economia para segurar os repasses da alta do d\u00f3lar para os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pedido de Temer<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas conversas que manteve com Ilan, o presidente Michel Temer pediu que o BC evite qualquer tentativa de desestabiliza\u00e7\u00e3o da economia. Para o governo, o pior que pode acontecer neste momento, de total fragilidade pol\u00edtica, \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o disparar, os juros subirem e o pa\u00eds mergulhar novamente na recess\u00e3o. \u201cSeria uma derrota enorme\u201d, reconhece um integrante do Planalto. \u201cMas temos confian\u00e7a de que o Banco Central ser\u00e1 bem-sucedido. Se precisar, poder\u00e1 ofertar mais de US$ 110 bilh\u00f5es em contratos de swap ao mercado. Quem est\u00e1 disposto a encarar isso?\u201d, indaga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Carlos Thadeu Filho, economista s\u00eanior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), se o quadro internacional ajudar e o d\u00f3lar estacionar em, no m\u00e1ximo, R$ 3,80, o servi\u00e7o realizado pelo Banco Central ser\u00e1 mais tranquilo. Caso, por\u00e9m, os Estados Unidos aumentem os juros al\u00e9m da conta e Bolsonaro ou Ciro ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es, o pa\u00eds deve se preparar para conviver com a moeda norte-americana cotada entre R$ 4,50 e R$ 5. \u201cDiante de tais possibilidades, o mercado testou o BC at\u00e9 onde p\u00f4de. Veio a interven\u00e7\u00e3o mais pesada. Num ambiente totalmente hostil, o BC ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es, no m\u00e1ximo, de suavizar os movimentos dos mercados. A interven\u00e7\u00e3o de US$ 20 bilh\u00f5es ser\u00e1 pequena\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thadeu ressalta que, por conta dos \u00faltimos acontecimentos, como a greve dos caminhoneiros, a alta dos combust\u00edveis e o salto do d\u00f3lar, elevou as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para este ano e o pr\u00f3ximo. Agora, estima 4,2% e 4,3%, respectivamente. Somente para o m\u00eas de junho, que deve pegar o grosso do estrago provocado pela paralisa\u00e7\u00e3o dos transportadores de cargas, ele prev\u00ea IPCA de 0,98%. \u00c9 quase quatro vezes a m\u00e9dia de 0,26% observada nos cinco primeiros meses do ano. A proje\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico, por sua vez, est\u00e1 mais pr\u00f3xima de 1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista do Ibre, se for computado apenas o estresse no mercado externo, um d\u00f3lar de R$ 3,80 parece bastante justo. Quando inclu\u00edda a disputa eleitoral entre dois candidatos descompromissados com o ajuste das contas p\u00fablicas, certamente o d\u00f3lar mais condizente seria acima de R$ 4. Em rela\u00e7\u00e3o aos juros, ele afirma que, dada a fragilidade da economia, a taxa ideal seria pr\u00f3xima de 5% ao ano. Se, nos c\u00e1lculos forem adicionados os riscos pol\u00edticos, a Selic teria de ser de 14% anuais. \u201cTudo isso mostra o quanto o pa\u00eds errou ao n\u00e3o aprovar a reforma da Previd\u00eancia. Certamente, o Brasil n\u00e3o estaria ao lado da Turquia e da Argentina como os emergentes mais vulner\u00e1veis do momento\u201d, afirma. Fica a li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 06h57min<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo respirou aliviado ontem com a queda de mais de 5% do d\u00f3lar \u2014 a maior em um dia desde 2008 \u2014, mas nem de longe baixou a guarda. 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