{"id":839,"date":"2016-04-27T11:36:43","date_gmt":"2016-04-27T14:36:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=839"},"modified":"2016-04-27T11:36:43","modified_gmt":"2016-04-27T14:36:43","slug":"fim-da-criatividade-na-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fim-da-criatividade-na-economia\/","title":{"rendered":"FIM DA CRIATIVIDADE NA ECONOMIA"},"content":{"rendered":"<p>PAULO SILVA PINTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da passagem de Dilma Rousseff pela Presid\u00eancia, ser\u00e1 dif\u00edcil para economistas heterodoxos emplacaram suas ideias nas grandes decis\u00f5es nacionais, mesmo as que tenham potencial de, eventualmente, proporcionar avan\u00e7os mais r\u00e1pidos no processo de desenvolvimento do pa\u00eds. A heterodoxa Dilma abusou da interfer\u00eancia na economia, por meio de desonera\u00e7\u00f5es, empr\u00e9stimos subsidiados e populismo tarif\u00e1rio que destru\u00edram as contas p\u00fablicas. Para muitos juristas e pol\u00edticos, essa imper\u00edcia n\u00e3o \u00e9 motivo para ela perder o mandato. Mas \u00e9 imposs\u00edvel impedir que a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u2014 a maior depress\u00e3o registrada at\u00e9 hoje \u2014\u00a0 tenha algum n\u00edvel de interfer\u00eancia no que o Legislativo vier a decidir sobre o destino da chefe de Estado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se Michel Temer substituir Dilma a partir de meados do pr\u00f3ximo m\u00eas, cen\u00e1rio que hoje se desenha como praticamente irrevers\u00edvel, dever\u00e1 apostar em um governo sem surpresas, de cunho eminentemente ortodoxo. Apontam para isso as indica\u00e7\u00f5es emitidas por ele de que seu ministro da Fazenda ser\u00e1 Henrique Meirelles. Isso se soma ao documento Uma ponte para o futuro, produzido pelo PMDB no ano passado e endossado pelo atual vice-presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a radical na pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 vista com otimismo pelos mercados. Ontem, o Ibovespa, principal \u00edndice da Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo, subiu 2,35% e o d\u00f3lar recuou 0,83%, para R$ 3,52. S\u00e3o sinais de que agrada aos analistas um governo que atue sem surpresas quando o assunto \u00e9 dinheiro. N\u00e3o se trata de uma simples mensagem. \u00c9 uma aposta de que a recess\u00e3o vai acabar mais rapidamente com a atua\u00e7\u00e3o do ex-presidente do Banco Central (BC).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Infla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles conduziu a autoridade monet\u00e1ria nos oito anos em que Luiz In\u00e1cio Lula da Silva esteve no poder. N\u00e3o se furtou a elevar a Selic a 26,5% para trazer a infla\u00e7\u00e3o, que estava em dois d\u00edgitos, de volta \u00e0 meta. Conseguiu conduzir mais tarde o juro ao que era, at\u00e9 ent\u00e3o, a menor taxa da hist\u00f3ria. Atuou com dois ministros da Fazenda; primeiro, em total conson\u00e2ncia, o ortodoxo Ant\u00f4nio Palocci, depois, em conflito com o heterodoxo Guido Mantega, que cobrava em p\u00fablico um afrouxamento da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que demonstrar a prefer\u00eancia por Meirelles, Temer procurou indicar que o senador Jos\u00e9 Serra (PSDB-SP) n\u00e3o ir\u00e1 para a Fazenda \u2014 embora a linguagem prudentemente enigm\u00e1tica do vice deixe espa\u00e7o para qualquer decis\u00e3o futura. Essa informa\u00e7\u00e3o foi crucial para o otimismo do mercado. Serra teve uma das atua\u00e7\u00f5es de maior destaque at\u00e9 hoje ao ocupar a pasta da Sa\u00fade no governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi tamb\u00e9m ministro do Planejamento, prefeito e governador. Provavelmente estar\u00e1 no gabinete de Temer em um cargo dos mais importantes. Mas sua eventual condu\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as p\u00fablicas \u00e9 vista com desconfian\u00e7a pelo mercado, ou com menos confian\u00e7a do que a de Meirelles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Serra foi professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na qual Dilma come\u00e7ou, mas n\u00e3o concluiu, o curso de doutorado. Muitos analistas acham injusto chamar o senador de heterodoxo. Argumentam que ele defenderia, sim, juros mais baixos, mas n\u00e3o sem construir um ambiente que permitisse isso, por meio de uma forte redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos. Do ponto de vista fiscal, \u00e9, portanto, um ortodoxo. O problema \u00e9 que isso n\u00e3o \u00e9 suficiente, dizem outros. Depois de um governo que promoveu rombos crescentes nas contas p\u00fablicas, enviando um in\u00e9dito or\u00e7amento com deficit ao Congresso, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para qualquer hesita\u00e7\u00e3o. A expectativa \u00e9 de um Estado que caiba dentro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 11h36min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULO SILVA PINTO &nbsp; Depois da passagem de Dilma Rousseff pela Presid\u00eancia, ser\u00e1 dif\u00edcil para economistas heterodoxos emplacaram suas ideias nas grandes decis\u00f5es nacionais, mesmo as que tenham potencial de, eventualmente, proporcionar avan\u00e7os mais r\u00e1pidos no processo de desenvolvimento do pa\u00eds. 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