{"id":871,"date":"2016-05-04T06:30:16","date_gmt":"2016-05-04T09:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=871"},"modified":"2016-05-04T08:24:44","modified_gmt":"2016-05-04T11:24:44","slug":"um-pais-em-coma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/um-pais-em-coma\/","title":{"rendered":"UM PA\u00cdS EM COMA"},"content":{"rendered":"<p>O segundo trimestre do ano est\u00e1 quase na metade e a \u00fanica certeza que se tem neste momento \u00e9 que a atividade continua afundando. N\u00e3o h\u00e1, entre o empresariado, nenhuma disposi\u00e7\u00e3o em falar em amplia\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios sem que se tenha um horizonte claro. A economia real depende de um ativo que desapareceu h\u00e1 tempos do Brasil: previsibilidade. O pa\u00eds tem hoje dois governos, um que pode ser apeado do poder em pouco mais de uma semana; outro, que opera \u00e0 margem, \u00e9 visto como salva\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o manda em nada. Nesse ambiente t\u00e3o confuso e in\u00e9dito, qualquer passo em falso \u00e9 preju\u00edzo na certa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o entre os empres\u00e1rios de dar um voto de confian\u00e7a a Michel Temer, que pode ser al\u00e7ado ao Pal\u00e1cio do Planalto caso o Senado aprove o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas, diante do estrago na economia e do fato de uma penca de empresas estarem \u00e0 beira da fal\u00eancia, muitos t\u00eam d\u00favidas se o vice-presidente da Rep\u00fablica ser\u00e1 capaz de dar a virada que o pa\u00eds precisa e no tempo que o capital necessita. Dois ou tr\u00eas meses a mais de paralisia na atividade levar\u00e3o muitas companhias a fecharem as portas. O prazo de validade do peemedebista, portanto, \u00e9 curto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva \u00e9 de que, mesmo com Temer no comando do pa\u00eds, o Produto Interno Bruto (PIB) caia at\u00e9 o \u00faltimo trimestre do ano. Na melhor das hip\u00f3teses, o resultado pode ser positivo entre outubro e dezembro, representando o ponto de virada que todos esperam. Para isso, por\u00e9m, ser\u00e1 importante que a equipe econ\u00f4mica de um eventual governo do vice esteja preparada para anunciar medidas que, a m\u00e9dio prazo, possam tirar o Brasil do atoleiro. N\u00e3o haver\u00e1 espa\u00e7o para paliativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Pacote de fim<\/b> <b>de festa<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quase nomeado ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, j\u00e1 tomar\u00e1 posse devendo. Um pequeno desvio de rota far\u00e1 com que toda a poss\u00edvel retomada da confian\u00e7a vire fuma\u00e7a. O ex-presidente do Banco Central vem falando como chefe da equipe econ\u00f4mica, mas tanto empres\u00e1rios quanto investidores cobram a\u00e7\u00f5es concretas e plaus\u00edveis. N\u00e3o querem que se repita a frustra\u00e7\u00e3o com Joaquim Levy, que surgiu, no in\u00edcio do mandato de Dilma, como salvador da p\u00e1tria, prometeu arrumar a casa e, em pouco mais de seis meses, j\u00e1 estava completamente esvaziado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro se agrava porque Dilma j\u00e1 preparou sua vingan\u00e7a. Com todas as medidas anunciadas nos \u00faltimos dias e o que ela promete dar de benef\u00edcios dentro do pacote de fim festa, ou de \u201cbondades\u201d, como preferem seus aliados, h\u00e1 uma bomba fiscal de pelo menos R$ 10 bilh\u00f5es. Como Temer se sentir\u00e1 intimidado a reverter parte das medidas, que t\u00eam muito apelo popular, Meirelles ter\u00e1 que anunciar um corte dr\u00e1stico de despesas, o que muitos consideram imposs\u00edvel, ou assumir que o rombo nas contas deste ano ser\u00e1 muito maior do que os R$ 96,6 bilh\u00f5es estimados pelo atual chefe da Fazenda, Nelson Barbosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Temer e Meirelles t\u00eam a vantagem de todos darem 2016 como perdido. Quer dizer: o que importa \u00e9 a partir do ano que vem. O futuro governo ter\u00e1 que dar garantias de que a sa\u00edda do atoleiro ser\u00e1 poss\u00edvel. Por enquanto, tudo s\u00e3o promessas e desejos. Pior: o minist\u00e9rio que se est\u00e1 desenhando para a gest\u00e3o do peemedebista tende a repetir a mediocridade que prevaleceu nas administra\u00e7\u00f5es de Dilma, por estar contaminado por interesses pol\u00edticos \u2014 cargos distribu\u00eddos em troca de votos sem que os ocupantes tenham capacidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ru\u00eddos estat\u00edsticos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que o Brasil precisa neste momento \u00e9 de metas realistas e cr\u00edveis, ainda que a travessia seja longa e dolorosa. H\u00e1 um dado relevante, no entender do presidente da consultoria Macrom\u00e9trica, Chico Lopes: mesmo com toda a desastrosa pol\u00edtica econ\u00f4mica dos \u00faltimos anos, o pa\u00eds est\u00e1 com seus sinais vitais preservados. Para ele, o paciente est\u00e1 em coma, come\u00e7ando a esbo\u00e7ar rea\u00e7\u00e3o. Nada que seja motivo de comemora\u00e7\u00e3o, mas alguns indicadores mostram que \u00e9 poss\u00edvel preparar a retomada para 2017 se nenhuma surpresa negativa surgir no meio do caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lopes, que presidiu o Banco Central, reconhece que os sinais vitais observados em alguns segmentos podem ser apenas ru\u00eddos estat\u00edsticos. \u201cMas para um paciente em estado comatoso, qualquer sinal vital \u00e9 \u00f3tima not\u00edcia\u201d, assinala. Nesse contexto, a responsabilidade de Temer fica maior. Se ele errar na m\u00e3o, o pa\u00eds que respira por aparelhos ir\u00e1 \u00e0 fal\u00eancia total. E tudo de ruim que prevalece agora \u2014 desemprego, infla\u00e7\u00e3o alta e restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito \u2014 se tornar\u00e1 brincadeira de crian\u00e7a. O vice que Dilma chama de traidor poder\u00e1 ter o mesmo destino que ela: a porta dos fundos do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 06h30min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O segundo trimestre do ano est\u00e1 quase na metade e a \u00fanica certeza que se tem neste momento \u00e9 que a atividade continua afundando. N\u00e3o h\u00e1, entre o empresariado, nenhuma disposi\u00e7\u00e3o em falar em amplia\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios sem que se tenha um horizonte claro. 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