{"id":91,"date":"2015-04-17T15:08:00","date_gmt":"2015-04-17T18:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_bravata_dos_juros\/"},"modified":"2015-04-17T15:08:00","modified_gmt":"2015-04-17T18:08:00","slug":"a_bravata_dos_juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_bravata_dos_juros\/","title":{"rendered":"A BRAVATA DOS JUROS"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff se especializou em bravatas no primeiro mandato. E, sem exce\u00e7\u00e3o, meteu os p\u00e9s pelas m\u00e3os em todas elas. No pr\u00f3ximo 1\u00ba de maio, completar\u00e1 tr\u00eas anos que a petista declarou guerra aos juros altos. Num discurso exaltado, disse que n\u00e3o toleraria mais os bancos cobrarem t\u00e3o caro pelos empr\u00e9stimos concedidos aos trabalhadores. Ela n\u00e3o sossegaria enquanto o custo do dinheiro n\u00e3o ca\u00edsse para n\u00edveis civilizados. <\/p>\n<p>Pois bem. Nem os bancos p\u00fablicos obedeceram \u00e0s ordens presidenciais. A Caixa Econ\u00f4mica Federal, que ontem elevou, pela segunda vez no ano, os juros da casa pr\u00f3pria, praticamente triplicou a taxa m\u00e9dia do cheque especial desde a bravata de Dilma. No fim de abril de 2012, conforme levantamento do Banco Central, a Caixa cobrava, em m\u00e9dia, 62,80% ao ano dos consumidores que entravam no especial. Agora, s\u00e3o 152,57% anuais. No mesmo per\u00edodo, o Banco do Brasil subiu os encargos m\u00e9dios do cheque especial de 151,14% para 185,60% ao ano. <\/p>\n<p>A alta dos juros se deu em todas as linhas de cr\u00e9dito oferecidas pelos bancos, p\u00fablicos e privados. Nos empr\u00e9stimos pessoais, as taxas m\u00e9dias passaram de 79,14% para 107,02% ao ano no Bradesco. Os clientes do Banco do Brasil est\u00e3o pagando 60,80% anuais contra os 42,10% registrados em abril de 2012. No cart\u00e3o de cr\u00e9dito, citado como o principal alvo de Dilma, h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es, como a francesa Cetelem, cobrando juros de 860,19% ao ano. No HSBC, as taxas m\u00e9dias s\u00e3o de 424,61%. Tr\u00eas anos atr\u00e1s, o BC n\u00e3o se preocupava em dar publicidade aos encargos do dinheiro de pl\u00e1stico, mesmo diante de todos os abusos cometidos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras. <\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Gustavo Morelli, diretor da Consultoria Macroplan, o comportamento das taxas cobradas pelos bancos mostra que n\u00e3o se pode baixar juros por decreto. Para que os encargos financeiros ca\u00edam, \u00e9 preciso que o governo controle a infla\u00e7\u00e3o e d\u00ea maior previsibilidade \u00e0 economia. O custo de vida acumulado em 12 meses est\u00e1 acima de 8%, o que n\u00e3o se v\u00ea desde 2003, in\u00edcio do governo Lula. Por mais que o BC diga que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob controle e vai cair nos pr\u00f3ximos meses, poucos acreditam. Os empres\u00e1rios preferem fazer remarca\u00e7\u00f5es preventivas, mesmo que isso resulte em vendas menores. <\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a do empresariado est\u00e1 baseada no comportamento do BC no primeiro mandato de Dilma. Logo depois da declara\u00e7\u00e3o de guerra dela aos juros altos, a autoridade monet\u00e1ria pisou no acelerador em derrubou a taxa b\u00e1sica (Selic), mesmo com a infla\u00e7\u00e3o resistente. De abril a outubro de 2012, a Selic caiu de 9% para 7,25% ao ano, o n\u00edvel mais baixo da hist\u00f3ria. A realidade, por\u00e9m, se imp\u00f4s. E o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) teve de puxar novamente a taxa b\u00e1sica para cima. Tanto que ela est\u00e1 hoje em 12,75% e dever\u00e1 saltar para 13,25% ao ano no fim desde m\u00eas, \u00e0s v\u00e9speras do 1\u00ba de maio. <\/p>\n<p>O mais assustador foi que Dilma enganou os consumidores e os estimulou a se endividarem, vendendo um pa\u00eds de conto de fadas. Atualmente, de cada R$ 100 da renda das fam\u00edlias, R$ 46 est\u00e3o sendo destinados para o pagamento de d\u00e9bitos. Esse comprometimento recorde dos sal\u00e1rios com d\u00edvidas ocorre justamente num momento em que o desemprego d\u00e1 as caras. Num pa\u00eds s\u00e9rio, Dilma poderia ser acusada de propaganda enganosa. <\/p>\n<p>Risco de R$ 117,2 bi ao Tesouro <\/p>\n<p>\u00bb O projeto de Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) de 2016, encaminhado pelo governo ao Congresso, mostra que os processos enfrentados pela Uni\u00e3o podem custar R$ 117,2 bilh\u00f5es ao Tesouro Nacional. Desse total, a maior parte, R$ 102,8 bilh\u00f5es, se refere a subs\u00eddios \u00e0 casa pr\u00f3pria. <\/p>\n<p>Fantasmas da era Collor <\/p>\n<p>\u00bb O mesmo projeto explicita que as estatais extintas durante o governo Collor, entre 1990 e 1992, ainda s\u00e3o um fantasma para os cofres p\u00fablicos. Os passivos contabilizados at\u00e9 agora chegam a R$ 7,3 bilh\u00f5es. Ou seja, n\u00e3o faltam esqueletos para sair do arm\u00e1rio. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 15h10min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff se especializou em bravatas no primeiro mandato. E, sem exce\u00e7\u00e3o, meteu os p\u00e9s pelas m\u00e3os em todas elas. No pr\u00f3ximo 1\u00ba de maio, completar\u00e1 tr\u00eas anos que a petista declarou guerra aos juros altos. 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