{"id":951,"date":"2016-05-12T09:08:15","date_gmt":"2016-05-12T12:08:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=951"},"modified":"2016-05-12T09:08:15","modified_gmt":"2016-05-12T12:08:15","slug":"ou-vai-ou-racha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ou-vai-ou-racha\/","title":{"rendered":"OU VAI OU RACHA"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 duro dizer, mas a presidente Dilma Rousseff j\u00e1 virou passado. Com a decis\u00e3o do Senado de afast\u00e1-la do cargo, todas as aten\u00e7\u00f5es se voltam, agora, para Michel Temer, que ter\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o de tirar o Brasil do atoleiro. Ao chegar ao comando do governo por meio de um traum\u00e1tico processo de impeachment da chefe do Executivo, ele n\u00e3o poder\u00e1 errar. Ao menor sinal de que n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de reverter os graves problemas fiscais e de resgatar a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos, levar\u00e1 o pa\u00eds a mergulhar em uma crise muito mais profunda que a que resultou no fim da era PT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que Temer deu um passo importante ao escolher Henrique Meirelles para o Minist\u00e9rio da Fazenda e Ilan Goldfajn para o Banco Central. S\u00e3o dois nomes respeitados por empres\u00e1rios e investidores, com passagens relevantes pelo BC. Mas nomes n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir o sucesso da empreitada que est\u00e1 por vir. O Brasil est\u00e1 de joelhos. Precisa urgente de um choque de credibilidade. O setor produtivo e as fam\u00edlias necessitam ter a certeza de que as medidas a serem tomadas realmente trar\u00e3o resultados. A decep\u00e7\u00e3o com Dilma foi grande demais para haver complac\u00eancia com o peemedebista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pa\u00eds clama pela retomada do crescimento. Essa \u00e9 a chave para a solu\u00e7\u00e3o de parte dos graves problemas que o governo enfrenta. Com a atividade retomando o f\u00f4lego, a arrecada\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a crescer, ajudando a reduzir o deficit p\u00fablico, que, neste ano, encostar\u00e1 nos R$ 100 bilh\u00f5es. A economia mais forte tamb\u00e9m inibe as demiss\u00f5es e cont\u00e9m a renda dos trabalhadores. H\u00e1, atualmente, 11,1 milh\u00f5es de brasileiros desocupados \u2014 um recorde. Isso significa que 44,4 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o diretamente afetadas pela falta de emprego. N\u00e3o \u00e0 toa, a situa\u00e7\u00e3o financeira das fam\u00edlias \u00e9 desoladora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Risco de calote<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O rel\u00f3gio contra Temer j\u00e1 come\u00e7ou a correr. Ele precisa reverter as terr\u00edveis proje\u00e7\u00f5es para a economia. Depois de cair 3,8% em 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) pode encolher 4% neste ano. Em quase cem anos, nunca o pa\u00eds registrou dois anos seguidos de contra\u00e7\u00e3o. Nas contas dos analistas, o desemprego pode ir a 14%, o que ampliar\u00e1 o n\u00famero de desocupados em pelo menos 3 milh\u00f5es. A d\u00edvida p\u00fablica, que est\u00e1 em 67% do PIB, pode chegar a 80% nos pr\u00f3ximos dois anos. O risco de o governo decretar calote aumentou consideravelmente. Essa \u00e9 a heran\u00e7a maldita de Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meirelles n\u00e3o \u00e9 um especialista na \u00e1rea fiscal. Por isso, os agentes econ\u00f4micos v\u00e3o pression\u00e1-lo para agir r\u00e1pido, inclusive anunciando medidas impopulares para indicar uma revers\u00e3o a m\u00e9dio prazo dos rombos fiscais. O maior abacaxi a ser descascado pelo quase ministro da Fazenda \u00e9 a Previd\u00eancia Social, cujo rombo dobrar\u00e1 entre 2015 e 2017. Antes mesmo de tomar posse, ele j\u00e1 vem sendo bombardeado por pol\u00edticos ligados a Temer e pelas centrais sindicais. Contudo, o ex-presidente do Banco Central j\u00e1 avisou a interlocutores que est\u00e1 disposto a comprar brigas. Ele diz ter carta branca para fazer o que precisa ser feito. N\u00e3o ser\u00e1 gritaria contr\u00e1ria que vai intimid\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo Dilma cometeu grandes erros justamente porque n\u00e3o foi firme em seus prop\u00f3sitos. No mesmo dia em que prometia uma coisa, mudava de opini\u00e3o, alimentando incertezas. A pr\u00f3pria presidente tratava de desqualificar propostas e projetos. Por isso, nada andou. O pa\u00eds perdeu um tempo precioso. \u00c9 a repeti\u00e7\u00e3o desse filme que os investidores temem. Portanto, se a equipe chefiada por Meirelles n\u00e3o apresentar um plano cr\u00edvel de salva\u00e7\u00e3o do sistema previdenci\u00e1rio, corrigindo distor\u00e7\u00f5es, acabando com privil\u00e9gios e dando sustentabilidade \u00e0s contas, o fracasso ser\u00e1 a marca da gest\u00e3o de Temer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Malabarismos<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Banco Central, sob o comando de Ilan, tamb\u00e9m est\u00e1 com o destino amarrado ao ajuste fiscal. H\u00e1 um clamor do empresariado pela queda dos juros para viabilizar os investimentos que ser\u00e3o a base da recupera\u00e7\u00e3o da economia. N\u00e3o h\u00e1, por\u00e9m, como se falar em corte da taxa b\u00e1sica, de 14,25% ao ano, com a infla\u00e7\u00e3o acima de 9% sem que o governo d\u00ea a sua cota. A gastan\u00e7a desenfreada dos \u00faltimos anos jogou o custo de vida nas alturas, que resiste a cair mesmo com a profunda recess\u00e3o. Caso o BC veja realmente um compromisso consistente com o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, pode, mais \u00e0 frente, dar o al\u00edvio monet\u00e1rio que todos esperam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos dos especialistas, se Temer apresentar um plano econ\u00f4mico fact\u00edvel, o BC ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de levar a Selic para 10% ao ano at\u00e9 meados do pr\u00f3ximo ano. Com isso, as despesas com a d\u00edvida cair\u00e3o, ajudando o Tesouro Nacional na dura tarefa de tirar suas finan\u00e7as do vermelho. \u201c\u00c9 impressionante como todas as medidas nos levam ao ajuste fiscal. Est\u00e1 tudo amarrado\u201d, diz um dos mais pr\u00f3ximos auxiliares de Temer. \u201cEnt\u00e3o, \u00e9 por a\u00ed que temos que come\u00e7ar. N\u00e3o tem m\u00e1gica. Tudo est\u00e1 claro. Todos sabem o que fazer\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se conseguir passar os pr\u00f3ximos 60 dias sem recorrer a malabarismos, Temer enterrar\u00e1 de vez qualquer probabilidade de Dilma voltar ao Pal\u00e1cio do Planalto. Com isso, ampliar\u00e1 o horizonte da presid\u00eancia interina de at\u00e9 180 dias. Mas isso n\u00e3o significar\u00e1 al\u00edvio. O peemedebista venceu no Congresso, mas est\u00e1 muito longe de ter apoio popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 09h07min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 duro dizer, mas a presidente Dilma Rousseff j\u00e1 virou passado. Com a decis\u00e3o do Senado de afast\u00e1-la do cargo, todas as aten\u00e7\u00f5es se voltam, agora, para Michel Temer, que ter\u00e1 a obriga\u00e7\u00e3o de tirar o Brasil do atoleiro. 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