{"id":986,"date":"2016-05-16T12:59:05","date_gmt":"2016-05-16T15:59:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=986"},"modified":"2016-05-16T18:28:49","modified_gmt":"2016-05-16T21:28:49","slug":"mansueto-ja-fala-como-integrante-da-equipe-de-meirelles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mansueto-ja-fala-como-integrante-da-equipe-de-meirelles\/","title":{"rendered":"Mansueto j\u00e1 fala como integrante da equipe de Meirelles"},"content":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O roteiro \u00e9 sempre o mesmo. Primeiro, nega-se o convite. Depois, escreve-se algo na linha do pensamento do governo. Foi assim com Tony Volpon antes de ele assumir a diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central, ser\u00e1 assim com o economista Mansueto Almeida, que integrar\u00e1 a equipe de Henrique Meirelles no Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na sexta-feira, em seu Blog, Mansueto negou o convite de Meirelles. Hoje, publicou, no mesmo espa\u00e7o, uma an\u00e1lise sobre a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e a import\u00e2ncia de uma agenda que contemple o ajuste fiscal. Na vis\u00e3o dele, a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, que pode registrar rombo de at\u00e9 R$ 150 bilh\u00f5es neste ano, passa, necessariamente, por mudan\u00e7as a serem aprovadas pelo Congresso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o estivermos como sociedade dispostos a revisar regras do crescimento da despesa p\u00fablica, isso significa que a \u00fanica forma de se fazer o ajuste e evitar o agravamento da crise fiscal ser\u00e1 via aumento da carga tribut\u00e1ria\u201d, diz Mansueto. Ele pergunta: &#8220;E se a sociedade n\u00e3o quiser pagar mais impostos?&#8221;. E acrescenta: &#8220;Se n\u00e3o quisermos controlar o crescimento da despesa nem aumentar a carga tribut\u00e1ria para pagar esse crescimento de receita, o ajuste ser\u00e1 feito de forma desorganizada, pela infla\u00e7\u00e3o e com o aprofundamento da crise\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mansueto est\u00e1 cotado para a Secretaria do Tesouro Nacional. Para ele, &#8220;se o governo Temer n\u00e3o tiver sucesso, todos n\u00f3s perderemos&#8221;. Sobre o tema, ele \u00e9 enf\u00e1tico. Diz &#8220;estranhar&#8221; ler na imprensa a express\u00e3o &#8220;o ajuste de Temer&#8221;. Para o economista, o presidente em exerc\u00edcio come\u00e7ou o seu governo deixando muito clara a necessidade de uma pauta dif\u00edcil de reformas para que o Brasil consiga fazer o ajuste fiscal e retomar o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Mansueto, se esse plano falhar, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que sair\u00e1 perdendo. &#8220;O governo pode ajudar nesse processo, mas, em uma democracia com 90% do or\u00e7amento consumido por despesas obrigat\u00f3rias, ajuste fiscal envolve, necessariamente, a aprova\u00e7\u00e3o de medidas no Congresso Nacional&#8221;, diz. Segundo ele, a sociedade ter\u00e1 que fazer escolhas se quiser sair da crise. &#8220;H\u00e1 anos falo isso para desespero daqueles que acreditam que existe ajuste f\u00e1cil ou que tecnocratas sozinhos podem resolver o problema fiscal. N\u00e3o podem\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender de Mansueto, o ajuste a ser feito hoje \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que o realizado por Lula em 2003. Naquele ano, a meta de superavit prim\u00e1rio foi elevada em 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 30 bilh\u00f5es em valores atuais, enquanto o governo Temer come\u00e7a com um buraco fiscal de R$ 140 bilh\u00f5es, deficit acumulado nos 12 meses at\u00e9 mar\u00e7o. \u201cO esfor\u00e7o fiscal necess\u00e1rio \u00e9 muito maior e em circunst\u00e2ncias muito mais adversas\u201d, ressalta. \u2018Mas que fique a li\u00e7\u00e3o para todos que discursos e ideologia n\u00e3o promovem crescimento. O Brasil, para sair da crise, precisar\u00e1 de um debate profundo sobre o que fazer. Um debate transparente que passa, necessariamente, pelo Congresso Nacional\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele destaca ainda que o ajuste fiscal implica em retomar a agenda de reformas. \u201cEssa \u00e9 uma agenda necessariamente longa. N\u00e3o h\u00e1 como em pouco mais de dois anos desfazer os sucessivos erros econ\u00f4micos que come\u00e7aram em 2008\/2009 e foram intensificados no primeiro governo de Dilma Rousseff. Mas dois anos \u00e9 tempo suficiente para se fazer muita coisa e colocar o Brasil de volta nos trilhos\u201d, afirma. Para Mansueto, se a sociedade n\u00e3o quiser fazer ajuste fiscal algum com mudan\u00e7as de regras, como as de acesso \u00e0 Previd\u00eancia, ser\u00e1 necess\u00e1ria uma carga tribut\u00e1ria crescente. &#8220;Se aumentos de impostos forem igualmente repudiados, o ajuste ser\u00e1 desorganizado, passando pela acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e o aprofundamento da crise&#8221;, sentencia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 12h59min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POR ROSANA HESSEL &nbsp; O roteiro \u00e9 sempre o mesmo. Primeiro, nega-se o convite. Depois, escreve-se algo na linha do pensamento do governo. 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