CBPILU060720152110(1) Arte: Caio Gomez/CB/D.A Press

Ministério Público pretende reverter declaração de inconstitucionalidade de cotas

Publicado em cadastro reserva, Concursos Públicos, cotas raciais, Tribunal do Trabalho

No que depender do Ministério Público do Trabalho da Paraíba, a decisão do juiz Adriano Mesquita Dantas, que declarou inconstitucional a Lei de cotas raciais em concursos públicos, deverá ser revertida. É o que afirmou, em entrevista ao Correio, a procuradora Edlene Felizardo. Segundo ela, devido ao interesse público que permeia a matéria, o MPT adotará as providências cabíveis com o objetivo de reverter a decisão diante o TRT. “Uma vez que o caso envolve matéria constitucional, com ampla repercussão, é possível que o caso seja levado ao Supremo. Acredito, no entanto, que a Corte manterá seu entendimento no sentido da constitucionalidade das cotas raciais”.

 

A procuradora é a favor do sistema de cotas que reserva 20% das vagas para negros e pardos em concursos públicos. “É fato que certos grupos sempre ocuparam e ainda ocupam posições privilegiadas dentro da nossa estrutura social, ao passo que outros grupos sempre estiveram e ainda estão em situação de marginalização. É o caso da relação entre brancos e negros na sociedade brasileira. Afirmar que não existe preconceito racial no Brasil ou que o preconceito sofrido por negros decorre exclusivamente de questões relacionadas à condição social é fechar os olhos para a realidade”.

 

Para Felizardo, é inadmissível que ainda se discuta o lugar do negro em nossa sociedade 128 anos após a abolição do regime escravista. “Ainda que venhamos observando uma conscientização paulatina de integrantes de grupos dominantes, não há como, diante de todos os valores que fundamentam o nosso ordenamento jurídico, esperar indefinidamente que essa transformação social ocorra de um modo, digamos, espontâneo. Daí a total necessidade e constitucionalidade das cotas raciais. Ela abre portas, possibilita que o negro esteja dentro dos centros de poder”.

 

Sobre a grande repercussão do caso, Edlene Felizardo acredita que a questão da política de cotas raciais é muito atual e sempre desperta grande interesse da população, gerando debate em razão da complexidade do tema e dos entendimentos polarizados a seu respeito. “Essa decisão, uma das primeiras, senão a primeira acerca da constitucionalidade da Lei nº 12.990/2014, acabou indo de encontro ao que a jurisprudência, inclusive do STF, tem defendido sobre as ações afirmativas. Acredito que esse ineditismo também contribuiu para a repercussão do caso”.

 

Antes mesmo da sentença, o MPT já havia se pronunciado no processo contra o pedido do candidato, que desencadeou a declaração de inconstitucionalidade do sistema de cotas. Segundo Felizardo, o reclamante participou de um concurso que se destinava apenas à formação de cadastro reserva de 15 classificados, entre eles 11 de ampla concorrência, três cotistas e um deficiente. “É importante ressaltar que apenas esses 15 candidatos seriam considerados aptos à contratação quando surgidas as vagas, sendo todos os demais desclassificados. Uma vez que o reclamante ficou na 15ª posição de ampla concorrência, não chegou a ser considerado apto, nem sequer integrou o cadastro reserva”, defende.

 

Porém, a decisão, proferida na semana passada pela 8ª Vara do Trabalho de João Pessoa, foi a favor da defesa do candidato, que sustentou que sua nomeação havia sido postergada pelos aprovados nas cotas e questionou a constitucionalidade da legislação. Segundo Max Kolbe, advogado da ação, “é visível a inconstitucionalidade da lei, até porque ela abrange os pardos, que nada mais são do que quase a totalidade da população brasileira. Por outro lado, para que o candidato seja entendido como merecedor das vantagens das cotas, basta que ele se autodeclare preto ou pardo. Ou seja, a norma é simbólica, sem nenhuma coerência metodológica ou finalidade prática”. Saiba mais em: Juiz diz que lei de cotas para negros em concursos públicos é inconstitucional 

 

Segundo a procuradora, apesar da decisão, o MPT defendeu as cotas se baseando na defesa de duas normas constitucionais: o princípio da legalidade, do qual decorre o princípio da vinculação às regras editalícias, e o direito à igualdade material, que sustenta ações afirmativas e confere plena constitucionalidade à Lei nº 12.990/2014.

 

Procurado pela reportagem, o juiz Adriano Mesquita Dantas não quis se pronunciar sobre o caso.

4 thoughts on “Ministério Público pretende reverter declaração de inconstitucionalidade de cotas

  1. COTAS, a POLÍTICA AFIRMATIVA ÀS AVESSAS!!! Todo defensor dessa tese defende o seu “monstrinho” sob o espeque do racismo. Argumento, raso e falacioso. Negros, Pardos, Mamelucos, Brancos, Índios e afins….Por quê, uns devem ter privilégios, em detrimento dos demais em CONCURSOS PÚBLICOS? A matéria cobrada não é igual para todos? E o tempo também? Não devemos confundir capacidade com a propaganda populista do governo, para se apresentar convincente aos estrangeiros. Isonomia é educação de qualidade. Concurso é dedicação específica. Política afirmativa é inserção, e não infiltração.

  2. Acho que ele e os outros 09 ministros que votaram a favor em 2012, tem mais gabarito do que qualquer um de nós sobre o assunto.

    1. tá, mas afinal, como delimitar quem é pardo ou não? Essa bagunça subjetiva ao meu ver é que é o pior dessa lei. Num caso com dois irmãos gêmeos, um foi considerado pardo e outro branco.

  3. Não acredito na “cota” com instrumento de igualdade social, pois o que precisamos é de um sistema educacional “moderno” e capaz de proporcionar “ensino de verdade” e não essa “segregação racial” autorizada por lei. É por meio de educação de qualidade que o racismo será SUPERADO DEFINITIVAMENTE… Daqui a pouco, haverá TODO o tipo de “COTA” para compensar as mazelas sofridas pelos menos “favorecidos”. É a EDUCAÇÃO DE QUALIDADE que LIBERTARÁ o nosso país dos políticos CORRUPTOS e desse modelo “PRECONCEITUOSO e ULTRAPASSADO de IGUALDADE”.

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