Um candidato com paralisia cerebral foi eliminado na prova discursiva do concurso aberto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no qual concorria ao cargo de analista administrativo. Por causa de um ponto, que foi tirado da apresentação do texto, Carlos Henrique não conseguiu a nota mínima para se classificar. O problema, segundo o candidato, é que o texto foi transcrito por um funcionário da própria banca organizadora, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe, denominado Cespe).
“Tirei 19.42 e a nota mínima deveria ser 20. Quando saiu o espelho, para minha surpresa, fui penalizado em um ponto de apresentação, sendo que utilizo transcritor fornecido pelo Cespe”, reclama Carlos.
Não satisfeito, o candidato entrou com recurso, mas foi indeferido. A justificativa da banca foi que “a legibilidade do texto tem relação com o grau de facilidade ou dificuldade que a caligrafia oferece para a leitura. É importante ter clareza de que o que se pretende não é uma caligrafia impressionante pela beleza, mas clara, de modo que uma letra [ou grafema] não se confunda com outra, mantendo traços distintivos.”
Pelas contas de Carlos, se ele tivesse conseguido o ponto, sua posição na seleção seria aproximadamente a 13ª entre os candidatos com deficiência. “A explicação deixa claro que eu perdi nota por causa da letra, chega a ser cômico”. Além de auxílio no preenchimento da folha de respostas, Carlos solicitou ao Cebraspe auxílio na leitura da prova (ledor), mesa e cadeira separadas, mesa para cadeira de rodas, sala individual e térrea.
Este não é o primeiro concurso de Carlos Henrique, que tem 23 anos. Como o Correio noticiou, apesar da paralisia cerebral, que comprometeu a fala e o movimento dos braços e pernas desde o nascimento, ele ultrapassou as expectativas e foi aprovado para técnico administrativo da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). O servidor também já passou no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região e ao longo de sua jornada nos concursos públicos sempre usou de transcritor para redigir as redações.
Segundo a assessoria técnica do Cespe, “quando solicitado e deferido, é disponibilizado um profissional para auxílio no preenchimento da prova discursiva, devidamente capacitado e certificado. Nestes casos, o candidato deve ditar os textos para este colaborador, especificando oralmente a grafia das palavras e os sinais gráficos de pontuação. Ainda de acordo com a banca, os candidatos são avaliados de acordo com o conhecimento sobre o tema, a capacidade de expressão na modalidade escrita e o uso das normas do registro formal culto da língua portuguesa. Neste sentido, a prova discursiva, no que se refere à apresentação e à estrutura do texto, pode ser apenada não só pela falta de legibilidade, respeito às margens e indicação de parágrafos, mas também pela falta de organização ou pela organização deficiente das ideias e/ou pela articulação precária dos argumentos nela expostos”.


10 thoughts on “Candidato tem auxílio da banca para redigir texto e acaba reprovado”
Supremo Tribunal de Justiça?
Obs: Superior Tribunal de Justiça
Carlos, você não precisa provar nada para o CESPE, pois você já provou para todos que é muito mais capaz do que os que se dizem “normais”. Parabéns cara!
Uma barbaridade! A língua portuguesa está a toda hora passando por reformulações. O que era errado anteriormente, hoje é correto. Vão reprovar o rapaz, apesar de ele não ter escrito a prova? O importante é a comunicação e concatenação de ideias. Paisinho bem chulé, este Brasil! Da próxima vez, ele deverá pedir que o transcritor tenha feito um curso de caligrafia.
Se o candidato não ditar “ponto final” não será transcrito (.). Não tem que ter esse alvoroço todo! É assim pra todo mundo!
Quando o texto diz que o candidato foi reprovado por causa de “um ponto”, não se referia aos sinais de pontuação da gramática, mas sim à nota do candidato, já que ele perdeu um ponto por causa da caligrafia do próprio funcionário do Cespe.
Aprenda a ler analfabeta.
Esse seu comentário, sim, é cômico…rindo até 20XX….KKKK
Carlos, você foi reprovado na prova discursiva devido ao rigor do CESPE na correção do conteúdo da sua redação, pois se você tivesse tirado acima de 21,00 no conteúdo, esse pontinho não faria falta a você. Eu imagino como deve ser a dificuldade de articular um texto e ditar para um examinador do CESPE. Carlos, você já é um vencedor.
Acho o nosso idioma uma mistura de hipocrisia regada a prepotência e com cheiro forte de naftalina. Por isso seremos eternamente terceiro mundo. Não acredito que saber escrever muito bem com , . “” : ? e etc vai me tornar um servidor público melhor. Se escrever algo muito errado iremos aprender com os erros. NAO PRECISAMOS DE ACENTOS EM MUITAS DAS NAS NOSSAS PALAVRAS. Precisamos e de educacao para mudar nosso Pais e nao de conhecimento. MUDA BRASIL! PARABENS CARLOS VOCE E MAIS QUE VENCEDOR!
Que situação absurda, caro Carlos, tirarem um ponto por erro do transcrevente da própria banca. Já é um absurdo eles avaliarem a apresentação do texto nesses casos. Entre com processo judicial que isso é causa ganha pra você.