Simone Kafruni, Do Correio Braziliense – O governo deu o primeiro passo para privatizar as estatais do setor elétrico e tentou blindar os gastos da União com a Eletrobras com a Medida Provisória 735, publicada ontem pelo presidente interino, Michel Temer. A nova norma altera trechos de diversas leis e regulamentações, limita o aporte do Tesouro em R$ 3,5 bilhões até 2017 na Eletrobras e retira da estatal a gestão dos recursos de dois fundos setoriais. A medida facilita a transferência do controle de empresas elétricas para a iniciativa privada. A desestatização deve começar pela Celg, na qual o governo federal é sócio do estado de Goiás.
A MP 735 corrige regras da MP 706/2015 que foram vetadas na quarta-feira passada. Como estava, a 706 beneficiaria apenas as concessionárias da Eletrobras localizadas no Norte do país, que usam energia termelétrica. Antes, o socorro previsto às distribuidoras era de R$ 10 bilhões. Com o novo texto, o governo limita o aporte na Eletrobras em R$ 3,5 bilhões até 2017 para cobrir gastos com combustível. Os repasses, segundo a MP, estão “sujeitos à disponibilidade orçamentária e financeira”.
Para o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello, o governo blindou os gastos da União com o setor elétrico. “Limita o valor de repasse e determina que, se os custos com combustível das subsidiárias do Norte passarem de R$ 3,5 bilhões, o resto vai para a tarifa”, explicou.
A MP ainda tira da Eletrobras a responsabilidade pelos recursos de dois fundos e determina que, a partir de 1º de janeiro de 2017, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) ficará responsável pela gestão da Reserva Global de Reversão (RGR) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). Claudio Sales, presidente do instituto Acende Brasil, considerou a medida necessária. “Há muitos anos, isso gerava um conflito de interesses gigantesco. Manter a Eletrobras como gestora dos fundos, sendo ela a principal beneficiária, era inadequado. Tirando a gestão da estatal, os fundos ficam distantes do uso político”, destacou.
Alexei Vivan, presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), compartilha da mesma opinião, de que a retirada da gestão dos fundos da Eletrobras foi uma medida altamente positiva. “Isso é coerente, porque a Eletrobras tem que focar nas suas operações. A obrigação passa para outra entidade. É bom separar quem arrecada, quem recebe e quem gere”, comentou.
A MP 735 também determinou que a CCEE, e não mais a Eletrobras, fará a análise de projetos e contratos de fontes eólica, termossolar, fotovoltaica, pequenas centrais hidrelétricas, biomassa, gás natural e carvão mineral nacional que poderão receber recursos. João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, avaliou a mudança como positiva. “A CCEE é uma organização autônoma, com gestão mais transparente”, disse.
Flexibilização
O texto ainda flexibiliza metas para facilitar a privatização de distribuidoras da Eletrobras, como a Celg, cujo leilão deve ocorrer em agosto ou setembro. A ideia é tornar o negócio mais atrativo e reduzir a percepção de risco do investidor. Contudo, o preço mínimo de venda da Celg, de R$ 2,8 bilhões, não deve ser alterado. “O desafio da privatização é enorme. A Celg não vale R$ 2,8 bilhões. O governo terá que garantir mais segurança ao investidor. As estatais foram destruídas, vai ser difícil estabelecer um valor para elas”, alertou Sales, do Acende Brasil.


7 thoughts on “Após aprovação de MP, Governo facilita privatização e dá primeiro passo com Eletrobras”
Isso é mais um crime contra o povo brasileiro, não se pode permiitir que o primónio brasileiro seja entregue a empresários incompetentes que não sabem trabalhar e por sua incompetencia querem atacar o setor público para gerar desemprego pagar salarios baixíssimos e acima de tudo dilapidar o patrímônio brasileiro e destruir nossas riquezas!! Essa é a verdade!!!
Disse tudo Marcos. Concordo c vc.
Mais uma vez o governo vai entregar uma estatal. A conversa é sempre a mesma, deixam a empresa “à beira do colapso” para poder privatizar. O resto da história todos já conhecem, terceirização em massa, redução de salários e benefícios e lucros para os empresário lá em cima. A mesma coisa que aconteceu com a Eletrosul Geração, Cesp, etc…
Verdade Rafael.
Isso mesmo, foi igualzinho fizeram com o sistema Telebrás nos anos 90. A partir do Collor, o sucateamento foi tão grande que o povo teve que implorar pela privatização. Por sucateamento, leia-se a proibição de investir os lucros da empresa em si mesma. Proibir empresas de telecomunicações de se reinvestirem é o mesmo que matá-las com golpe baixo.
Está mais do que certo. Estado dá conta nem dos serviços básicos, por que deveria se meter dando uma de empresário? Empresas para empresários.
Além de pagar o lucro dos empresários, você pagará também o preço da distorção de mercado que um monopolista ou oligopolista vai impor a você, pobre consumidor. No final, vai pagar várias vezes mais do que o Estado pode proporcionar, mesmo contando com a menor eficiência gerencial do poder público.