Mariana Areias – Especial para o Correio
O funcionalismo custará mais caro aos cofres públicos neste ano. Segundo o ministro do Planejamento, Valdir Simão, a fatura com os servidores chegará a R$ 255,3 bilhões, superando em R$ 1,3 bilhão o total previsto no Orçamento aprovado pelo Congresso (R$ 244 bilhões). A despesa extra é resultado dos reajustes maiores de salários concedidos às carreiras de Estado. A maior parte delas recebeu 27,9% divididos em quatro anos.
Na avaliação dos especialistas, isso mostra que o governo não está fazendo o ajuste prometido na máquina pública. Em vez de enxugamento no quadro de pessoal, o que se vê é o aumento de gastos. A presidente Dilma Rousseff havia prometido cortar mais de 3 mil cargos comissionados, diante da redução do número de ministérios. Mas quase pouco se avançou nesse quesito, devido aos acordos políticos.
Segundo Simão, a reforma administrativa está em curso. “A nossa meta é alcançar a extinção dos três mil cargos nas próximas semanas. Estamos com 25% desse objetivo atingido”, garantiu. No entender dele, esse esforço está inserido em um contexto de reforma de Estado baseado em quatro grandes pilares: a desburocratização para facilitar a vida do cidadão; a reorganização administrativa; a qualidade do gasto; e o aperfeiçoamento da gestão e do controle da máquina.
Torneiras
Para compensar a frustração dos investidores com o aumento das despesas com pessoal, o governo promete manter fechadas as torneiras dos concursos públicos. A maior parte das seleções previstas para este ano será postergada. Mas nada impede que, mais à frente, pressionado, o Ministério do Planejamento reabra as seleções e as contratações. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no entanto, é enfático: “Estão suspensas as realizações de concurso, a contratação e a criação de cargos”.
De acordo com o Planejamento, a suspensão dos concursos foi decidida em setembro do ano passado. Portanto, só serão realizados os certames que já estavam autorizados até aquele momento. Na visão de Max Kolbe, especialista em seleções públicas, é compreensível que, com as dificuldades para o ajuste das contas públicas, os concursos sejam interrompidos temporariamente. “Mas o governo deve nomear quem já foi aprovado. Há recursos para isso”, frisou.
Na opinião de Geraldo Biasoto, professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) e ex-coordenador de política fiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o governo deveria aproveitar a suspensão de concursos para mudar o sistema atual, que permite aos aprovados entrarem no serviço público com salários muito altos. “Isso é uma política suicida, pois consolida gastos imensos”, disse. Não é só: os salários altos em início de carreira desincentivam o aprimoramento dos servidores. O ideal seria que prevalecesse a meritocracia. Os rendimentos iriam aumentando conforme a produtividade e o tempo de carreira do funcionário.
Segundo Biasoto, os gastos totais do governo atingiram nível alarmantes. “As contas públicas precisam passar por um ajuste profundo. Isso se refere apenas às despesas com o funcionalismo”, destacou. “O desequilíbrio fiscal está trazendo danos enormes para o país, como o aprofundamento da recessão”, emendou.


15 thoughts on “Gasto com servidor cresce e concursos são suspensos”
Isso é um grande papo-furado. O Governo vai gastar o triplo dessa despesa com servidores em juros da dívida pública. Reduza os juros da Selic e haverá recursos. Ninguém vive gastando metade do seu salário com juros do cheque especial.
“Jênio”! Reduza os juros da Selic e a inflação passa pra dois dígitos na hora! Você poderia ser nomeado Ministro da Fazenda da Dilma!
Ele está falando de déficit nominal e está correto!
O governo finge que faz alguma coisa para a população mas tudo que faz é contra. O que o governo deveria fazer era acabar com os cargos comissionados que são ferramentas eleitorais para colocarem quem quiser no setor público. Concurso público é democracia verdadeira.
Com 22 mil cargos comissionados só no Executivo federal, o problema dos gastos com servidores que estouram o malfadado ajuste fiscal é dos concursados?
Esse argumento é tão frágil quanto dizer que a culpa da superlotação dos presídios é dos criminosos, que não param de cometer crimes.
Eu acho isso LINDO! Muito concurseiro cabeça oca que votou na Dilma, só porque achava que ela “faria mais concursos”. BEM FEITO! Agora toma! Vai lá entregar currículo no Mc Donald´s.
E se AécioNever tivesse ganhado teríamos demissão!
Sim, o PSDB congeloou salários onde assumiu…em Mato rgosso do sul quiseram até cortar salários de alguns órgãos! Sim, meus caros, gratificação seja lá do que for pode sim ser cortada!!!
Aécio já teria congelado o salário por 4 anos!
Bora trabalhar gente. Deixa essa conversa fiada de concurso pra lå. Vamos aproveitar que não tem concurso e para parar de sugar e trabalhar de verdade.
O gasto com funcionalismo no Brasil comparado com gigantes liberais como os EUA, França e Alemanha é baixo! Só se pode falar que gastamos muito em comparação com algo e, neste caso, é pura falácia. Quem tiver curiosidade, busquem os índices. Querem menos servidores para poupar e pagar os parasitas do sistema financeiro mundial. A população precisa de atendimento público e para isso precisamos de servidores! Esses “analistas” são como papagaios, só repetem o discurso oficial. Procurem se informar sobre déficit nominal.
Você poderia citar ao menos uma fonte dessa informação, de que no Brasil se gasta relativamente pouco com funcionalismo público? Eu não consegui achar nenhuma fonte.
Lembrando que deve-se comparar de país para país, sim. Mas não só isso. Deve-se comparar também o gasto do país com a sua própria arrecadação frente ao seu PIB. Daí concordo que se teria parâmetros adequados de comparação.
A população não precisa de atendimento público, que tende sempre a ser ruim em comparação com o privado em livre mercado. A população precisa é de impostos baratos, ficando com sua renda no bolso para poder ter o direito de escolher uma empresa privada que melhor lhe atenda. A maioria das pessoas com boa renda no Brasil prefere buscar serviços particulares. Por que será?
O Estado tende a fornecer serviços como monopólio, principalmente para os mais pobres. Daí você tem de aceitar um mau serviço, goste ou não.
O Estado retira impostos à força da população, não os bancos (os “parasitas financeiros” que você diz). Os bancos simplesmente oferecem serviços de depósitos, aplicações e empréstimos ao mercado. Usa quem quer. Não é justo que sejam remunerados pelo serviço que prestam? Agora, se os bancos lucram muito com os juros, lembre-se de que é o Estado quem fixa os juros, não os bancos.
NOtícia mentirosa e com pouco zelo! O gasto REDUZIRÁ esse ano ! Engraçado que quando convém à imprensa deflacionam os valores..e quando não convém…o reajuste em Agosto será pago somente em setembro!!! ou seja serão apenas 4 meses esse ano… e 5,5% pra maioria com uma inflação de janeiro de 2015 a agosto de 2016 passando dos 15% o gasto está sendo reduzido e muito!!! Sem contar aposentadorias e exonerações que certamente serão maiores que as nomeações este ano! O valor gasto ano passado tem que ser corrigido, coisa que a imprensa só faz com outros gastos quando lhes convém!
Quanto aos salários em início de carreira serem altos demais, concordo plenamente! Seria pura preguiça de sindicatos e do governo em mudar isso? Fazem reajustes lineares quando na verdade deveriam dar 0% pra quem tá na classe A 1 e ir aumentando conforme vai progredindo… pra pessoa que tá entrando agora, vai se esforçar e estudar do mesmo jeito pra passa rnumc concurso com salário de 5mil ou 6mil… mas pra permanecer no órgão o salário tem que melhorar. Na iniciativa privada os salários em início de carreira são menores, mas no fim são muito maiores!
Os parasitas das carreiras que mais ganham, são os que tiveram o maior aumento. É isso que a petralhada suja defende.