Antes mesmo da estreia, Insatiable já havia causado na internet. A produção foi acusada de gordofobia e gerou até uma petição pedindo o cancelamento. Assistimos ao primeiro episódio e entramos na polêmica!
Costumo evitar me deixar levar pelas polêmicas da internet, principalmente, se elas forem baseadas em algo que as pessoas não viram, não leram, não tiveram conhecimento de causa. Até por isso não falei nada de Insatiable até assistir ao primeiro episódio da série da Netflix. E agora digo: não dá para defender Insatiable.
A polêmica envolvendo a produção é real. Talvez, se a série tivesse sido lançada há uns 10 anos não tivesse o mesmo barulho. A questão é que o humor de depreciação não tem mais vez e tem cada vez menos espaço — que bom! — no mundo de hoje. Grande parte dos espectadores não quer mais ver uma produção que faz chacota de pessoas acima do peso ou de qualquer minoria. E para entender isso basta ver o sucesso do stand-up Nanette, disponível no mesmo serviço de streaming, em que a humorista Hannah Gadsby questiona exatamente esse tipo de humor.

Insatiable resolveu apostar na depreciação da protagonista Patty, vivida pela atriz Debby Ryan, uma adolescente obesa, que após se envolver em uma briga com um mendigo quebra a mandíbula, passa a se alimentar apenas de comidas líquidas e perde muito peso. Dentro do padrão estético tradicional, Patty passa a usar da sua beleza para se vingar de todos que fizeram bullying com ela quando era gorda.
Para contar essa história, a série aposta em piadas em relação ao peso de Patty e a quem ela era quando estava gorda, muitas delas feita pela própria personagem. Há um momento em que ela diz a seguinte frase: “eu era gorda, eu era descontrolada”. Demonstrando que apenas agora, magra, consegue ser uma pessoa normal. E vem das declarações da protagonista, o título da série “insaciável”, também uma referência a como ela era antes.

E não é só Patty que sofre com a desvalorização de sua figura, outros personagens passam por situações grotescas também. A mãe da protagonista, Angie Bladell (Sarah Colonna), faz piada com a melhor amiga da filha, a jovem Nonnie Thompson (Kimmy Shields), que nutre uma paixão secreta por Patty. Ainda tem a relação entre Bob Amstrong (Dallas Roberto) e Patty. Treinador de concurso de beleza, ele começa a preparar a jovem para participar das disputas e ela se apaixona por ele. Sem falar nas situações bizarras em que a série faz piada de coisas sérias, como câncer e pedofilia.
Já não bastasse tudo isso, a verdade é que Insatiable é uma série boba. A história não se sustenta e a decisão de ter dois narradores, tanto Patty quanto Bob, torna tudo extremamente didático e sem graça. E, por mais que muita gente justifique a série alegando que o que ela faz é “humor negro e ironia”, a escolha da comédia pelas piadas de depreciação não condiz com o momento atual do mundo.


9 thoughts on “Não dá para defender a comédia Insatiable, da Netflix”
Pior é pensar que ainda tem público para isso.
Não sou a favor de nenhum tipo de discriminação, e fica aqui um questionamento sobre os críticos dessa série: será que essas pessoas também criticam as marcas que só vendem roupas até o tamanho 44 e algumas até o 46? Será que essas pessoas criticam as empresas áereas e rodoviárias que não oferecem assentos especiais para pessoas obesas? Fica aqui a dúvida porque essa série não é o único sinal de uma sociedade gordofóbica, aliás, os sinais estão aí faz tempo mas as pessoas só vêem aquilo que querem ver.
Vocês são péssimos quando se apegam ao politicamente correto. A série mostra exatamente como são. Incomoda quando a coisa sai do que vcs acreditam ser o ideial, né? Bem vindo a vida real! As pessoas tem consequências pelos atos. Patty erra o tempo todo. E a mensagem é justamente essa: o agredido vira agressor. Ela era uma pessoa má gorda e continua uma pessoa má magra. O problema dela não era peso e sim carater! Mostra problemas com alimentação, impulsividade, sexualidade…,. É reclamar por reclamar, né? Sua opinião é rasa e sem a menor reflexao…
Acho complicado emitir uma opinião baseada em um episódio. Realmente há pontos desnecessários na série e a abordagem nem sempre é feita da maneira correta, mas ela mostra a coisa como realmente é e que precisa ser melhorado, como o bullying que ocorre com Patty, a “descrença” em bissexualidade, a não aceitação da orientação sexual. Tudo isso acontece em grande escala, em maioria podemos dizer. Nosso sonho é um mundo totalmente politicamente correto, mas infelizmente não é realidade. E a realidade precisa ser mostrada justamente pra chocar, para as pessoas verem o quão ridículas são quando tem esse tipo de pensamento ou comportamento.
Sem falar no ponto importante que mostra o que muitos pensam, que basta melhorar seu exterior que está tudo ok, quando na verdade o problema está em seu caráter.
A série não é tão ruim quanto pintam.
Não é mesmo.
Pior: a série é bem alinhada com o que os progressistas da moda defendem. Só cometeu o erro de passar a mensagem abusando do humor negro, esquecendo-se que SJW não são conhecidos pela inteligência e capacidade de interpretação.
Bem feito. 😀
Eu gostei bastante da série.
Sim, ela é boba, mas também é engraçada e nonsense,
A parte do “eu era gorda, eu era descontrolada” eu li de outra maneira: mesmo magra, ela segue descontrolada.
Ela é uma pessoa descontrolada, só ver o último episódio. rs
Achei que a série trata mais sobre quem sofre bullying por estar fora dos padrões, como naquela cena linda dela com uma jovem trans na frente de um espelho.
Não vi essa gordofobia toda. E olha que sou ex-obeso. rs
Mas cada um, cada um.
Eu gostei da série, achei bem divertida e estava até mesmo adorando a atriz principal, porém o último episódio me decepcionou!
Esperava que a série mostrasse meio de resgatar um adolescente confuso
sufocado pela figura paterna perfeita.
E nesse mundo desumano esperava que a série ensinasse algo de bom,
não que uma menina mata o adolescente que está confuso e perdido
mas que a amava, com quem teve um relacionamento.
Fiquei perplexa com tanta frieza, finalizando não recomendo a série, é algo
para deixar os adolescentes empiores.
Meuuu deuus vocês querem para de criticar a série , se não gosta dela é só não assisti porraa