CBNFOT291120160188 Credito: Netflix/Divulgacao. Cena da série Love, da Netflix, com Gilian Jacobs e Paul Rust.

Love: a série que só deveria ter tido uma temporada

Publicado em Séries

A nova temporada de Love estreou na Netflix na sexta-feira (10/3), mas a gente podia ter ficado sem essa…

Love é uma daquelas séries que promete ser completamente diferente das outras, mas na realidade seu público segue com a mesma inquietação que o de todas as outras comédias/dramas românticos: “quando é que eles vão ficar juntos?”. Pois o que eu penso é: “quando é que eles vão terminar?”. E gostaria muito de encontrar pessoas que pensam como eu, para a gente se sentar junto em um barzinho e falar mal pra caramba da série. Cadê vocês, amigos? Se apresentem!

Agora, falando sério, se você não viu a primeira temporada de Love, eis o que precisa saber: a série acompanha um relacionamento turbulento, tóxico, desajustado e muito complexo de duas pessoas que aparentemente não tem nada em comum. Durante dez episódios nós ficamos sabendo um pouco sobre Mickey e Gus, e como eles se conheceram e iniciaram um relacionamento. A coisa toda, é claro, é cheia de drama e reviravoltas. No último episódio, Mickey conta que é dependente de drogas, álcool, sexo/amor, e diz que quer passar um ano sozinha para se conhecer melhor e tratar seus vícios. Nisso, Gus a beija em uma das cenas mais egoístas de toda a história da TV e a temporada acaba.

Segunda temporada

A segunda temporada recomeça exatamente onde a primeira terminou: na hora do beijo. Mickey insiste em seguir seu plano de ficar um ano sozinha para se cuidar, mas obviamente não consegue. Sendo assim, durante 12 episódios acompanhamos a tentativa patética e dramática dos protagonistas de tentarem construir um relacionamento.

Nessa temporada fica claro que eles são exatamente aquelas pessoas que nos foram apresentadas na primeira fase da série. Gus se faz de bonzinho, mas no fundo é egoísta e absurdamente metódico. E Mickey, por todas as suas dependências, continua fazendo péssimas escolhas de vida (e Gus definitivamente é uma delas). A trama é movimentada por todos esses problemas, que uma hora ou outra explodem em cima dos personagens, e eles sempre lidam da pior maneira possível: com gritos, xingamentos… Enfim, mais drama.

A primeira temporada foi interessante, por nos apresentar personagens complexos, e uma história de amor aparentemente fadada ao fracasso (até chegar o último episódio e estragar tudo). Já a segunda temporada é apenas irritante. A impressão é que, se Mickey fosse nossa amiga e começasse a desabafar sobre esse relacionamento confuso que ela está tendo, talvez a gente ouvisse. Uma ou duas vezes. E em todas iríamos falar: “Cara, cai fora. Por que você ainda está fazendo isso?”. Mas sinceramente, depois disso, a gente ia parar de ouvir ela. A gente ia parar de atender as ligações dela. A gente ia ignorar todas as mensagens. Porque sério, é uma história chata para caramba, com um cara mais chato ainda.

Pontos positivos

Mas nem tudo está perdido. Existem alguns pontos positivos em Love. Gillian Jacobs e Paul Rust são incríveis como protagonistas. Eles funcionam muito bem, tanto como casal, quanto em suas histórias independentes. Gillian Jacobs em especial merece ser ovacionada. Ela assume muito bem o papel da garota que luta para superar seus vícios, e de vez em quando acaba cedendo às tentações.

Os personagens secundários são incríveis. Tudo o que o casal principal tem de irritante, Bertie (a australiana que mora com Mickey), Dr. Greg, Truman, e Allan tem de divertidos. E olha que eu só citei alguns dos vários coadjuvantes maravilhosos que esta série tem.

Bem, no fundo, se você gosta das coisas que Judd Apatow fez, como Superbad, O virgem de 40 anos ou Ligeiramente Grávidos, você provavelmente vai gostar de Love. Mas se você quiser uma série que realmente fale sobre o lado obscuro de um relacionamento e ainda por cima te faça dar uma boas gargalhadas (não risadinhas, como Love), então fica aqui a indicação: assista You’re the worst.

E Netflix, chega de Love!

11 thoughts on “Love: a série que só deveria ter tido uma temporada

  1. Critica muito ruim, primeiro de tudo que o relacionamento deles não é tóxico e desajustado. Até pelo contrário. Todo relacionamento tem problemas, Mickey e Gus crescem um com o outro e esse é o ponto da série. O senhor não entende nada sobre amor e relacionamentos e quer vir criticar uma série sobre o assunto..

  2. Sei que faz um ano que esse texto foi publicado, mas eu queria agradecer à pessoa que escreveu esse texto, pela visão crítica sobre essa série emocionalmente nociva, e, sobretudo, pela postura empática com relação à protagonista feminina dessa série. Eu não consegui assistir a esse embuste em forma de seriado (acho que desisti no 3º episódio), e me entristece muito o fato de que as produções de Judd Apatow continuem “punindo” as personagens femininas obrigando-as a se relacionarem com esses personagens repulsivos, que são os típicos nerds quadrados, tediosos, egocêntricos e machistas, que vestem a carapuça de “cara legal”, mas na verdade se sentem no direito de controlar as vontades e passar por cima das escolhas individuais da mulher que eles desejam. E infelizmente, na vida real, mulheres maravilhosas ou apenas livres, como a Mickey, são pressionadas pelos outros, ou por pressão social para ficarem com esses “caras bonzinhos”, que de fato não passam de babacas inseguros e superficiais. Desculpe pelo textão, mas eu teria muito mais a dizer pessoalmente, caso a gente pudesse compartilhar uma mesa e tomar umas num bar por aí. Mas por enquanto, agradeço pela dose de crítica daqui! (Obs, Mickeys da vida real, não fiquem com esses embustes por pena ou por achar que vocês não têm opção, são apenas manipuladores sentimentais!)

    1. moça. se vc continuasse vendo a série, teria visto que não é nada disso q vc pensou… que a série faz uma crítica pesada aos caras com cara de bonzinhos mas que acaba sufocando o outro lado. Inclusive um dos momentos mais legais é quando o Gus percebe isso e vê que a melhor forma de ajudar a Mickey é dar espaço a ela. Você viu uma amostra da série e tirou mil conclusões a partir disso, que pena.

  3. Nossa achar que a Mickey apesar de seus problemas fica com o cara pq ele a manipula é demais. Vc acha mesmo que pq o cara dá um beijo nela qd ela diz q quer ficar sozinha, pronto ele dominou uma pessoa tão espontânea como ela? Durante a série toda a gente vê a Mickey em várias situações que mostram que ela não é manipulável. E essa critica é ruim mesmo. É de alguém que espera o óbvio e acha que a ficção existe pra mostrar só o q é certo. Eles tem um relacionamento mega conturbado, mas a serie ganha justamente por mostrar isso que pessoas que não tem nada a ver às vezes ficam bem juntas e se gostam, pessoas q tem uma vida super normal ou são “losers” existem. Eu acho que o cara desenvolveu a história um pouco rápido demais. Nossa… por tratar da vida diária de um casal, poderia ter rendido muitos outros episódios. Essa é uma crítica que eu faria. Mas falar que a série é ruim pq mostra um relacionamento de duas pessoas que nao tem nada a ver (a princípio não têm mesmo), descontroladas ( a princípio sao mesmo), cara, só posso te dizer “welcome to real world!”, isso acontece o tempo todo… E porque não ter uma série que mostra isso?!

  4. Melhor crítica que já li! Concordo com tudo, mas acho que tudo o que você falou talvez tenha sido o propósito da série (assim espero eu). Porque quando assisto a série a impressão que eu tenho é que todos os personagens são meio irritantes, o relacionamento deles é péssimo e confuso. Fico me perguntando “cara, para de fazer isso, que desnecessário”. Fico constrangida. É tudo meio tóxico, meio impulsivo, mas que ao mesmo tempo que a gente acha irritante, a gente não deixa de assistir. Acho que os relacionamentos de hoje em dia são um pouco disso, sabe? Muito jovem não sabe ter um relacionamento de respeito mútuo. Os personagens são muito bem desenvolvidos e os atores são incríveis.

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