Aeroportuários contra a privatização da Infraero – Carta Aberta aos Brasileiros

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Aeroviários de todo o país fazem atos de protesto desde as 10 horas da manhã contra a privatização da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), administradora de 60 aeroportos no país. Em Brasília, o Sindicato Nacional do Aeroviários (Sina) iniciou uma manifestação no Aeroporto Juscelino Kubitschek, e, em seguida, uma passeata até a sede da administradora, com manifestações em frente ao prédio da diretoria. O movimento “Luto pela Infraero”  foi inaugurado, ontem, em Congonhas, e se ampliou, hoje,  para todos os aeroportos da Infraero no país.

Em carta aberta, o Sina explica as razões da indignação:

“Diante do anúncio do governo Temer de que pretende privatizar a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, administradora de 60 aeroportos no país), os trabalhadores da estatal e o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) vêm a público manifestar sua indignação e luto perante essa proposta.

O Sina e os aeroportuários também pedem aos cidadãos brasileiros que avaliem atentamente essa iniciativa e tomem uma posição, pois o assunto interessa a todos, uma vez que os aeroportos, a segurança de voo e o acesso a um transporte aéreo de qualidade são essenciais para o desenvolvimento e soberania do Brasil.

A sociedade brasileira precisa saber que:

1. Desde 2011, os aeroportos concedidos pelo governo à iniciativa privada têm sido maquiados com muito granito, mas tendo reduzida, gradativamente, a sua eficiência. Operacionalmente, eles são classificados abaixo dos administrados pela Infraero.

2. O preço das tarifas aeroportuárias disparou depois das concessões, e ainda foi criada uma tarifa nova de conexão. As concessionárias privadas foram favorecidas no aumento das tarifas, muito acima do permitido à Infraero.

3. Os maiores aeroportos do país, concedidos à iniciativa privada, são os que mais recebem recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), criado com o objetivo de garantir que os aeroportos deficitários, localizados em regiões de menor demanda, continuem existindo, para que a população possa ser atendida no transporte aéreo.

4. O apartheid social também deve ser levado em consideração nesse processo. A população das classes C e D, que vinha utilizando o transporte aéreo de forma regular antes das concessões, está sendo empurrada de volta para as rodoviárias. Isto porque o aumento das tarifas impactou no preço das passagens, além do aumento de outras taxas, como os estacionamentos nos aeroportos.

5. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a SAC (Secretaria de Aviação Civil) privilegiam as concessionárias privadas descaradamente, indo na contramão do que foi anunciado no começo do processo de concessões, quando diziam que elas aumentariam a competitividade no setor. O Aeroporto de Confins é um exemplo claro disso: o interesse comercial da BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto de Belo Horizonte, vem impedindo a reabertura do Aeroporto da Pampulha para voos regulares, em detrimento do interesse da população.

6. O calote dado ao BNDES pelas concessionárias, compostas por grupos privados que pegaram dinheiro a juros muito baixos para executar as obras de ampliação e modernização dos terminais, põe em risco o êxito dessas melhorias. Além disso, o rombo provocado no banco, responsável por fomentar o desenvolvimento do país, prejudica todos os brasileiros. Esses grupos que assumiram os aeroportos concedidos são integrados por empresas arroladas na Lava Jato, tendo vários executivos presos nessa operação.

7. As concessionárias privadas que assumiram a administração dos aeroportos de Guarulhos, Brasília, Campinas (Viracopos), São Gonçalo do Amarante (Natal), Belo Horizonte (Confins) e Rio de Janeiro (Galeão) já estão em crise, devendo outorgas (aluguéis pagos à União em troca da concessão), demitindo trabalhadores em massa, precarizando as condições de trabalho e até a higiene nos banheiros dos terminais, e reduzindo o efetivo de segurança aeroportuária (prato cheio para roubos e assaltos nos estacionamentos e outras áreas dentro e no entorno dos aeroportos). Tudo isso precariza a segurança de voo e operacional, colocando milhares de vidas em risco. Há aeroportos concedidos, inclusive, já com dificuldades para pagar a folha dos funcionários.

8. Todos sabem que os aeroportos são áreas de entrada e saída de pessoas que podem ser fugitivas ou estar envolvidas com tráfico de drogas, armas de fogo, terrorismo. Os aeroportos também são essenciais para o desenvolvimento regional e do país como um todo, uma vez que a maior parte do seu público viaja a trabalho ou negócios. Dessa forma, em defesa da soberania, da economia e da segurança nacional, assim como do direito de ir e vir da população, num país continental como o Brasil, os aeroportos precisam contar com uma administração sólida, capacitada, zelosa em toda as suas operações, focada no interesse da nação e não no lucro. Vender os aeroportos brasileiros, privatizar a Infraero, como um ativo qualquer do governo, revela um total desprezo pelas conseqüências a longo prazo dessa iniciativa.

9. A Infraero tem 44 anos de existência e é responsável pela construção de praticamente toda a infraestrutura aeroportuária do país. É uma empresa reconhecida por sua excelência e porte, internacionalmente, atuando numa área técnica de extrema complexidade e grande capacidade de arrecadação de recursos. Os problemas financeiros que a Infraero vem enfrentando estão relacionados à má gestão e falta total de planejamento do governo visando sua saúde financeira. Na verdade, o que vemos é um governo que faz de tudo para destruir a empresa e então entregá-la de bandeja ao capital privado nacional e internacional.

10. É uma irresponsabilidade sem tamanho tomar a decisão de privatizar a Infraero a toque de caixa, sem estudos aprofundados de impacto, em meio a uma crise institucional política sem precedentes, com centenas de políticos envolvidos em investigações de corrupção, vários deles ligados a área dos Transportes e ao centro do poder em Brasília. A Infraero conta com 10 mil trabalhadores orgânicos e outros 11 mil terceirizados, e tem todas as condições de existir e continuar servindo à nação se os governantes colocarem acima dos seus interesses pessoais os interesses do povo.

AEROPORTOS DO BRASIL, DOS BRASILEIROS

Somos contra a privatização da Infraero porque não interessa nem aos aeroportuários, nem aos brasileiros

Aeroportuários de LUTO e na LUTA!

Luto pelo emprego    Luto pelos direitos e conquistas    Luto pela soberania ”

14 thoughts on “Aeroportuários contra a privatização da Infraero – Carta Aberta aos Brasileiros

  1. Quanta asneira…quem que esse sindicato pensa que engana com esse papo de que privatizar vai contra o “interesse do Brasil e dos brasileiros” ? Ora, vão plantar batatas !! VENDE TUDO !

    1. Primeiro, a privatização está sendo comandada pelo Sr. Moreira franco “Gato Angorá” e ela está sendo planejada e estruturada desde o primeiro governo Lula. Os primeiros pacotes de concessão foram todos ganhos por Empreiteiras como Odebrecht, fizeram obras com dinheiro público e sem orçamento e fiscalização, com custo 4x maior do que o correto.
      Só por este fato já é do interesse dos brasileiros, fora que a Infraero era lucrativa até o início do governo lula.

      1. Daniel, bom dia. Primeiro, parabéns por você ser educado e saber argumentar. Mesmo discordando de seus argumentos, por si só, nos tempos de hoje, argumentar já é algo louvável. De qualquer forma, Daniel, infelizmente, nossos estatais só servem para ser ralos de dinheiro público e corrupção. É o que demonstram fartamente os fatos. Abraços.

    2. Querido, se fosse você funcionário da Infraero, não estaria com esse discursozinho besta de vender tudo….

        1. Sim, sim…. claro! Mesmo não sendo o discurso de alguém que pense na coletividade ou de alguém que não está vivenciando o inferno que nós, funcionários, estamos vivendo, tem todo o direito de expressar o que pensa!

          1. Eu penso na coletividade de 200.000.000 de brasileiros que sustentam estatais incompetentes. Não penso na coletividade dos funcionários dessas estatais. Abraços.

    3. Rogério, você lê jornal e deve ser uma pessoa que valoriza a informação correta e por consideração à presunção de boa fé que tenho de você, peço que analise os fatos e não se apegue ao fato de vir da voz de um sindicato, pois no Brasil, a representação dos trabalhos é legitimamente vinda de um sindicato, goste ou não. As concessões tinham como viés ideológico a melhoria na prestação dos serviços, mas isso não ocorreu. Os concedidos não pagaram as outorgas, o dinheiro veio do BNDES (nosso), os contratos já foram refeitos, os aportes da infraero no privado foram pelo ralo, então o seu dinhero, o nosso dinheiro, esta sendo usado pra bancar a falta de competência do privado. Observe que os melhores aeroporto do Brasil, por pesquisa da SAC são da empresa. Então não só vende tudo, por que o sistema é concorrência e não temos medo de nada disso. Nosso regime é a CLT, o mesmo de um trabalhador privado comum. Temos metas e planejamentos, mas o governo esta quebrando a empresa, pois ainda assim, tem a responsabilidade de manter aeroporto de fronteira e de integração nacional, todo o sistema de navegação aérea e ainda assim dar lucro. Pense bem e nao seja leviano com o povo brasileiro, os leitores deste jornal e com você mesmo.

      1. Caro Manoel, bom dia. Antes de qq coisa, parabéns pela sua educação e saber argumentar com fatos. Mesmo que eu não concorde com eles. O debate faz parte e, nos dias de hoje, os debates foram jogados para escanteio. De qualquer forma continuo sendo a favor de “zero” de estado nas estatais. É só roubalheira em cima do povo. Abraços.

        1. Tive uma boa educação! É simples. Eu creio em eficiência, economicidade e creio em política de Estado. Sou um Administrador de Empresas, com a cabeça arejada e sem viés político, eu não tenho medo de perder minha empregabilidade, mas penso no Brasil, pois o privado quer lucrar, quer a efetiva mais valia, tirar o maior proveito possível. Te faço um convite construtivo, se pergunte quem bancou as concessões? Quem são os políticos que estão praticando? São investigados? Obtiveram vantagens pessoais? O estado está sendo perdulário ? O Estado esta protegendo o privado? E a mão invisível do mercado que regula tudo? Por que a empresa era a terceira maior operadora do mundo, os principais mercado do mundo são estatais e agora mesmo deficitária, sem os aeroportos lucrativos, ainda tem que manter 60 deficitários? Quem irá bancar Tabatinga? Carajás? Uruguaiana? A torres de Navegação Aérea que mantém um dos espaços aéreos mais seguros do mundo? Se questione. Eu sou totalmente a favor de tirar o Estado de setores onde o privado pode perfeitamente absorver e manter a população bem servida, onde existe ineficiência, mas não é o caso. O melhor aeroporto do Brasil, o de Curitiba, é da Infraero. Mesmo cheia de desmando políticos, mesmo sem receita! Se profissional é de nível técnico excelente. Profissional valorizado e de formação específica. Se faça esses questionamentos e veja se as passagem diminuíram, se melhorou e se o processo foi bem feito ou teve roubo, políticos que lucraram, se alguém levou uma boquinha. Se questione.

          1. Caro Manoel. Até a segunda linha eu sou exatamente o que vc é. Tive boa educação e tb sou administrador de empresa e sem viés político. Quanto ao setor privado querer lucrar, aí começam nossas diferenças – as quais respeito – evidentemente. Quero que o setor privado lucre bastante, cresça bastante, gere muito emprego pros 14.000.000 de desempregados e gere bastante imposto pro cofres públicos. De resto, to escaldado. Zero de estado em QUALQUER estatal.

  2. Boa tarde,
    Hoje pela manhã estivemos (empregados da Infraero) em uma mobilização não apenas por nossos empregos, mas principalmente por acreditar que o nosso trabalho (que não é divulgado) é de suma importância para a sociedade brasileira.
    A Infraero integra o Brasil de norte a sul, de leste a oeste, dando tratamento aos aeroportos, em especial quanto à segurança de voo, da mesma forma, independente do tamanho do Aeroporto. Nossos aeroportos recebem com certa frequência visitas de inspeções feitas pela Agência Nacional de aviação Civil – ANAC e somos rigidamente cobrados e prontamente mantemos as operações e a segurança aeroportuárias em níveis internacionais, reconhecidamente.
    Com a privatização, a tendência é que os terminais aeroportuários que não tem um resultado superavitário (não são lucrativos) recebam menos investimentos, inclusive de segurança, e isso pode aumentar o risco de acidentes, como afastar as grandes companhias aéreas, prejudicando as pessoas que moram longe dos grandes centros.
    Estamos vivendo um momento em que taxamos como um antro de corrupção ou de ineficiência todo órgão ou empresa pública, porém, na Infraero, como em outras empresas/órgãos têm pessoas muito comprometidas e a corrupção acaba sendo um ponto fora da curva, normalmente, capitaneada por pessoas de fora, indicadas por políticos, sem nenhum comprometimento com a Empresa e muito menos com a sociedade.
    Então a solução seria privatização? Entendemos que não, o país deu um grande salto de governaça com a promulgação da Lei das Estatais, que, sendo cumprida na íntegra, teremos uma gestão eficiente e mais protegida de “aventureiros”.
    Contamos com a opinião pública para reverter essa situação e preservar a Infraero do escárnio anunciado pelo Governo Federal.
    A Infraero é dos brasileiros.

    #orgulhodeserInfraero

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