A decisão, confirmaram fontes, é do embaixador José Estanislau do Amaral Souza Neto, que assumiu em outubro de 2016 a direção-geral do Instituto, como aval do Itamaraty. Segundo informações que circulam pelos corredores do Ministério de Relações Exteriores (MRE), ele decidiu tornar o curso menos autorreferente e dar mais ênfase a política e a economia internacional.
Houve muito reboliço e suspeitas de ingerência política, pelo fato de disciplinas como direitos humanos e desenvolvimento sustentável terem sido excluídas, dando lugar a assuntos mais voltados aos interesses do mercado financeiro, como técnicas de negociação, segurança e política externa e defesa.
No currículo de Amaral, constam passagens em cargos importantes em grandes companhias e associações patronais. Entre 1998 e 2003, em licença do Itamaraty, ocupou, simultaneamente, cargos na iniciativa privada (Unilever), na diretoria de entidades de classe (Abia e Abipla) e no conselho de entidades sociais (AACD e Care Brasil).
Ele nasceu em São Paulo, em 1956, é graduado pela Escola de Administração de Empresas de S. Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV). Entrou no Instituto Rio Branco em 1982. Passou por diversos cargos na Secretaria de Estado e em outras agências governamentais, como adjunto da Assessoria Diplomática da Presidência da República (1995-97) e assessor do ministro da Fazenda (1994).
No exterior, foi embaixador na Tunísia (2015-16) e encarregado de negócios em Damasco (2013-15). Serviu na Delegação Permanente do Brasil em Genebra (duas vezes) e nas Embaixadas do Brasil em Buenos Aires, Copenhague e México. Foi também professor de História das Relações Diplomáticas no Brasil no Instituto Rio Branco e na FAAP (São Paulo).


2 thoughts on “Mudança na grade curricular do Instituto Rio Branco”
Tá mais do que certo. Diplomatas tem que trazer novos negócios para o país e representar nossos interesses comerciais lá fora. Essa brincadeira de bancar embaixadas em lugares inóspitos, para fazer média e caridade, já deu. São bilhões de dinheiro público jogados fora. Se não cortar gastos e aumentar o PIB, vão criar novos impostos. Daqui uns anos vamos trabalhar de graça pro Governo (não mais 5 meses por ano). É a escravidão moderna no Estado máximo.
Gostaria muito que a colunista explicasse como que técnicas de negociação, segurança e política externa e defesa se relacionam com “os interesses do mercado financeiro”.
Eu, hein.