Reparou? Há uma praga teimosa na praça. Como quem não quer nada, ela foi avançando e ganhando espaço. Hoje aparece em frases a torto e a direito. Trata-se de advérbios terminados em –mente. Cortados, não fazem falta. Melhor: deixam a frase mais leve e elegante. Quer ver?
João deve sair (provavelmente) ao meio-dia.
Cumpriu a ordem (exatamente) como o diretor determinou.
(Atualmente) todo mundo tem celular.
A reclamação era (completamente) inoportuna.
Disse (exatamente) isso, sem tirar nem pôr.
Os clientes odeiam (principalmente) ter de esperar.
Viu? Como disse George Simenon, “Corto adjetivos, advérbios e todo tipo de palavra que está lá só para fazer efeito”.


2 thoughts on “Advérbios terminados em -mente? Xô!”
Cara Dad, nem quando se deseja dar ênfase ou emoção ao enunciado, devo deixar “casualmente” (risos) os adjetivos ou advérbios?
George Simenon nao cortou o advérbio “só” da frase em que diz que corta… Isso é purismo do mais exagerado. Imagine suprimir os adjetivos da língua portuguesa! Absurdo!