Há situações e situações. Nalgumas, a vírgula é facultativa. Aí, não há erro. Você acerta sempre. Noutras, obrigatória. É o caso da separação dos termos coordenados, explicativos e deslocados. Os coordenados foram assunto da lição anterior. Agora é vez dos explicativos.
O que é?
O termo explicativo tem várias caras. Uma é velha conhecida. Chama-se aposto. Lembra-se?
Pedro II, imperador do Brasil, morreu em Paris.
Os professores vivem dizendo que o aposto não faz falta.
Pode cair fora. Verdade? É. Ele facilita a vida do leitor. Mas a ausência dele não causa prejuízo ao entendimento da frase. Se eu não sei quem é D. Pedro II, tenho saída. Dou uma espiadinha no Google. Está tudo ali.
Chute?
Compare as frases:
O presidente da República, Michel Temer, cancelou a viagem.
O ex-presidente da República José Sarney presidiu o Senado.
Por que um nome vem entre vírgulas e outro não? As situações são tão parecidas. É chute?
Não. O segredo está no que vem antes do nome. No primeiro caso, é presidente da República. Quantos existem? Só um. Michel Temer é termo explicativo. Funciona como aposto. Daí as vírgulas.
Mas há mais de um ex-presidente. Se eu não disser a quem me refiro, deixo o leitor numa enrascada. Posso estar falando de Lula, Collor, Itamar Franco. Aí, só há um jeito: dar nome ao boi. José Sarney é termo restritivo. Não aceita vírgula.
Mais exemplos
A capital do Brasil, Brasília, tem 3 milhões de habitantes (o Brasil tem uma só capital).
O presidente do Senado, Eunício Oliveira, deve pautar projetos espinhosos. (Só há um presidente do Senado).
O ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero ficou famoso pela indiscrição parabólica (há um montão de ex-ministros da Fazenda).
Enrascada
Às vezes, a gente se vê numa enrascada:
Meu filho Marcelo estuda na universidade.
Restritivo ou explicativo? Depende. Do quê? Do antecedente do termo Marcelo. Eu tenho um filho ou mais de um filho? Se um, o termo é explicativo. Se mais de um, restritivo.
Minha mãe, Rosa, mora em São Paulo.
Minha tia Maria chega amanhã; minha tia Carla vem na próxima semana.
Viu? Eu só tenho uma mãe. Rosa é termo explicativo.
Tenho mais de uma tia. Maria e Carla são termos restritivos.
Serviço completo
Não fique pela metade. O termo explicativo vem presinho da silva. Ora, entre vírgulas. Ora, entre a vírgula e o ponto:
Dom Casmurro, de Machado de Assis, é obra-prima do Realismo brasileiro.


3 thoughts on “Vírgula 3 — termos explicativos”
Minha mestra querida….gosto de redigir e acho que sou ótima em gramática, mas minha dificuldade maior sempre foram as vírgulas…..fico indecisa se coloco ou não….vou guardar seus conselhos e dicas. Grande beijo! Sempre sua fã Lucinha.
O que eu percebo é que os analfabetos de hoje têm compulsão de usar vírgula em todo lugar, quebrando o sentido das frases, principalmente entre sujeito e verbo. Eles devem achar que enfiando vírgula em todo lugar estão “rebuscando” o texto, quando na verdade estão é quebrando a semântica dele. Se não sabe usar a vírgula, melhor nem usar. Se na internet invariavelmente vamos ler textos analfabetos, melhor ler um todo corrido, sem vírgula, do que se deparar com vírgulas entre sujeito e verbo.
Eu um país onde educação não é prioridade e a língua pátria é assassinada por muitos “formadores de opinião” como artistas, políticos, músicos… esperar o quê? A Língua Portuguesa é complexa, cheia de regras e me lembro até de uma citação de Evanildo Bechara em sua gramática corrigindo Rui Barbosa. Tudo bem, não queremos ser como Machado de Assis, mas que pelo menos não separemos sujeito e predicado por vírgula, que concordemos o verbo com o sujeito quando se tratar de voz passiva, que pronunciemos corretamente a maioria das palavras. Já estaria de bom tamanho. Desculpem-me se cometi algum erro de gramática no texto acima 🙂