Boatos afirmam que ministro do Planejamento tem interesse em barrar PLs do pessoal do Fisco, para evitar distanciamento salarial com o ciclo de gestão, carreira da qual faz parte
O governo praticamente forçou a união de duas carreiras historicamente adversárias. Ao adiar o encaminhamento do Projeto de Lei (PL) do acordo remuneratório do pessoal do Fisco, com o argumento de que “existem dificuldades técnicas e jurídicas sobre o pagamento do bônus para aposentados”, conseguiu que auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal articulassem movimentos de protestos sorrateiramente coordenados. Todas as terças e quintas-feiras, enquanto os auditores fazem o Dia sem Computador (vão à repartição mas não ligam o equipamento), os analistas fazem o Dia do SIM (salário, indignação e mapeamento, quando apenas discutem pela rede interna assuntos relativos à valorização da carreira)”.
Os líderes sindicais das partes envolvidas fazem questão de demonstrar que as divergências continuam, mas a luta é, sem dúvida, conjunta. “Não houve combinação alguma. Há pautas não remuneratórias que não concordamos. Mas o governo nos empurrou para a união, mesmo sem nos falarmos. Está todo mundo em busca do mesmo objetivo”, explicou Silvia Alencar, presidente do Sindireceita, que representa os analistas. “Não houve diálogo entre as categorias, apenas uma coincidência de datas e de objetivos, porque os acordo salariais postergados interessam às duas carreiras”, reforçou Claudio Damasceno, presidente do Sindifisco, entidade nacional dos auditores.
A ira se agravou na manhã de ontem. Ao lerem o Dário Oficial da União (DOU), os auditores constarem que tudo que pediram e foi negado foi dado aos médicos e aos peritos do INSS. “Na quinta, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, diz uma coisa; na sexta, demonstra outra”, reclamou Damasceno. O que já está ruim, pode piorar. Comentários de bastidores afirmam que o ministro tem especial interesse em barrar os PLs do Fisco, pois o ciclo de gestão, carreira da qual faz parte, seria prejudicada com o novo modelo de bônus de eficiência. O acréscimo de R$ 3 mil nos ganhos mensais dos auditores (R$ 1,8 para analistas) causaria um fosso salarial que ele quer evitar a todo custo.


13 thoughts on “Carreiras da Receita se unem, sorrateiramente, contra governo”
Único sorrateiro, neste caso, é o sr. Ministro!
São 19.000 analistas e auditores que querem ganhar um tal bônus de eficiência sem avaliação de desempenho individual e sem metas desafiadoras. E os milhares de aposentados que se lasquem. Queriam abrir mão do subsídio para receber remuneração e bônus ética e moralmente questionável.
O maior exemplo da desfaçatez é a união dos analistas com os irmaozinhos auditores.
Que beleza!!!
Quem diz q não vai ter avaliação? O bônus seria vinculado a metas de eficiência do órgão. Como assim aposentados que se lasquem? Moralmente questionável é servidor ganhar seu salário independente se trabalha ou é acomodado. Moralmente questionável é gente trabalhar 5 ou 10 anos no cargo sendo aposentados com salário integral e paridade.
Vocês já ganham um absurdo e ainda querem fazer greve… E o resto dos funcionários do Executivo, que ganham uma “mixaria”???
Cada cargo tem sua complexidade. Cada um que brigue por seu cargo. Chega de levar parasitas nas costas.
Parasitas são esses auditores que pensam ser “deuses”, fala sério…
Absurdo é um auditor federal ganhar menos do que todos os auditores estaduais e do que diversos auditores municipais! Em países desenvolvidos nem juiz ganha mais do que um auditor federal! Está na CF que a remuneração será proporcional a complexidade e responsabilidade do cargo, e por isso nos estados e municípios os auditores ganham muito mais do que qualquer outra carreira do executivo! Mas na esfera federal existe essa aberração de um auditor, que é responsável pela fiscalização da extremamente complexa legislação tributaria federal, comercio exterior e ainda da contabilidade das empresas ganhar o mesmo que servidores burocrático que exercem um trabalho interno, muito mais simples, e sem a responsabilidade de assinar milhões em seu nome! O trabalho que um auditor federal realiza sozinho muitas vezes é defendido na iniciativa privada por uma equipe de juristas juntamente com uma equipe de contadores! Portanto é doentio achar que esse profissional deve ganhar o mesmo que um servidor administrativo que executa trabalhos internos, de mera execução, repetitivo e sem o peso de decidir em nome do Estado, como os do ciclo de gestão!!! Meritocracia já!!!
Isso aí é verdade…no mdic tem um monte de analista de comercio exterior que não tem 1/3 desta responsabilidade
Conversa para boi dormir. Este país produziu um monte de gente que se acha acima do bem e do mal. Não vai dar em nada, se houve gente séria no Brasil.
E nada de bonus…
A meritocracia entrou pelo rabo adentro da turminha da resseita…
Ardeu, fia? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Quem tem medo de avaliação individual..?
De onde veio a ideia que o trabalho dos servidores do ciclo de gestão é de mera execução?
Funcionários públicos, quando são admitidos já sabem qual será seus proventos e suas tarefas inerentes a seus cargos e devem realiza-las com presteza e exatidão, sem que com isso tenha que auferir ganhos além dos que foram estipulados quando da sua contratação.
Boa tarde. Como servidor público federal, não pertencente as carreiras de gestão/estado ou demais, sinto-me chateado porque as greves são sempre vinculadas aos vencimentos/subsídios. A verdade, do trabalho público está simplesmente, atender ao cidadão. Parece demagógico ou oportunista, mas a realidade, infelizmente ou felizmente, permeia essa situação. Hoje, os advogados públicos (da União, Procuradores Federais/PGFN/Bacen) exigem o pagamento dos honorários advocatícios, inclusive previsto no novo CPC. Porque não os Auditores Federais e Analistas-Tributários sobre arrecadação, os servidores da CGU por fiscalização, da Policia Rodoviária e Federal por apreensão ou demais atividades? Sou servidor de nível superior igual a esses citados, então, porque ganho 4 a 5 vezes, menos que esses profissionais? Falta de esforço? Falta de incentivo? Falta de orçamento? Não, simplesmente, porque perdemos a noção do que são nossos direitos e, até que ponto estamos atingindo os deveres dos outros.